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Corinthians terminou 2017 com 53 jogadores contratados, devendo uma fortuna pelas aquisições

O balanço divulgado pelo Corinthians em recente reunião do Conselho Deliberativo revela prática temerária na gestão de futebol do alvinegro.

53 jogadores, quase cinco times inteiros, recebem salários do Timão.

Poderia até se falar em incompetência não fossem conhecidos os hábitos comerciais dos do Corinthians.

Entre compra de direitos (por vezes, apenas percentuais), pagamentos de luvas e demais custos para contratação dos atletas, o clube aceitou quitar, na soma total, R$ 102.800.000,00.

O saldo devedor, descontando o que já foi amortizado, é ainda de R$ 51.003.000,00.

Porém, neste mesmo balanço, o Corinthians especifica como dívida de “Direitos de Imagem”, contando todos os jogadores, profissionais, da base (profissionalizados) e demais categorias (em formação), mais R$ 103.569.000,00.

Ou seja, a pendência total do departamento de futebol (sem contar problemas na Justiça Trabalhista e os custos mensais de salários e demais encargos) é de R$ 154.572.000,00.

Novamente fugindo do lema “transparência”, que nomeia o atual grupo gestor alvinegro, dos 53 jogadores que recebem salários do Corinthians, o balanço revelou apenas 26, discriminando o restante como “outros”.

Somente com esses “outros”, a dívida é de R$ 12.324.000,00.

O restante da pendência (com a revelação do custo total) e do percentual de direitos federativos está assim distribuído:

Giovanni Augusto

R$ 15,3 milhões com 60% dos direitos e contrato até 31/12/2019

Dívida pendente: R$ 7.8 milhões

Marquinhos Gabriel

R$ 12,4 milhões com 70% dos direitos e contrato até 31/07/2020

Dívida pendente: R$ 7,4 milhões

Guilherme

R$ 9,6 milhões com 100% dos direitos e contrato até 31/12/2019

Dívida pendente: R$ 4,9 milhões

Balbuena

R$ 8,8 milhões com 100% dos direitos e contrato até 31/12/2018

Dívida pendente: R$ 3 milhões

Lucca

R$ 5,8 milhões com 60% dos direitos e contrato até 31/07/2019

Dívida pendente: R$ 2,8 milhões

Gustagol

R$ 4,5 milhões com 45% dos direitos e contrato até 31/12/2020

Dívida pendente: R$ 3,1 milhões

Clayson

R$ 4,3 milhões com 40% dos direitos e contrato até 31/12/2021

Dívida pendente: R$ 3,7 milhões

Gabriel

R$ 4 milhões com 50% dos direitos e contrato até 31/12/2020

Dívida pendente: R$ 3 milhões

Marlone

R$ 4 milhões com 50% dos direitos e contrato até 31/12/2019

Dívida pendente: R$ 2 milhões

Marciel

R$ 2 milhões com 50% dos direitos e contrato até 10/03/2020

Dívida pendente: R$ 197 mil

Romero

R$ 2 milhões com 20% dos direitos e contrato até 14/07/2019

Dívida pendente: R$ 625 mil

R$ 1,7 milhão com 100% dos direitos e contrato até 31/12/2019

Dívida pendente: R$ 1,1 milhão

Kazim

R$ 1,7 milhão com 100% dos direitos e contrato até 31/12/2018

Dívida pendente: R$ 832 mil

Rodriguinho

R$ 1,4 milhão com 50% dos direitos e contrato até 31/12/2019

Dívida pendente: R$ 881 mil

Fellipe Bastos

R$ 1,4 milhão com 100% dos direitos e contrato até 31/12/2019

Dívida pendente: R$ 973 mil

Mendonza

R$ 1,4 milhão com 50% dos direitos e contrato até 31/12/2018

Dívida pendente R$ 328 mil

Maycom

R$ 1,2 milhão com 80% dos direitos e contrato até 31/12/2021

Dívida pendente: R$ 658 mil

Jadson

R$ 1,2 milhão com 100% dos direitos e contrato até 31/12/2018

(custo, na realidade, bem maior do que o discriminado por conta do envolvimento de Alexandre Pato na transação, que custou R$ 40 milhões)

Dívida pendente: R$ 637 mil

Fagner

R$ 1,2 milhão com 50% dos direitos e contrato até 31/12/2018

Dívida pendente: R$ 281 mil

Pedro Henrique

R$ 1 milhão com 60% dos direitos e contrato até 31/12/2019

Dívida pendente: R$ 153 mil

Alan Mineiro

R$ 1 milhão com 70% dos direitos e contrato até 31/12/2018

Dívida pendente: R$ 333 mil

Jean

R$ 1 milhão com 80% dos direitos e contrato até 31/12/2020

Dívida pendente: R$ 679 mil

Cássio

R$ 972 mil (renovação – luvas) com 60% dos direitos e contrato até 31/12/2018

Dívida pendente: R$ 202 mil

Gabriel Vasconcelos

R$ 955 mil com 50% dos direitos e contrato até 31/12/2017

Sem dívida

Gustavo Viera

R$ 934 mil com 35% dos direitos e contrato até 12/08/2017

Sem dívida

Undel

R$ 754 mil com 100% dos direitos e contrato até 31/12/2017

Sem dívida

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Corinthians, Palmeiras e Flamengo se merecem

Maurício Galiotte, Andres Sanches, Raul Correa e Bandeira de Mello

Ontem, o ex-diretor de finanças do Corinthians, Raul Correa da Silva, indiciado três vezes pela prática de apropriação indébita e sonegação fiscal enquanto dirigente do clube, postou em rede social registro de encontro com, segundo o próprio, “os presidentes dos três maiores times do Brasil”.

Estavam lá: Andres Sanches, Maurício Galiotte e Bandeira de Melo.

O presidente alvinegro, que dias atrás detonou a gestão do palestrino, por ele foi “acarinhado” durante a reunião, explicitando o quanto nem tudo é o que parece ser diante das câmeras, apesar de alguns torcedores – que perdem horas se matando em redes sociais por conta das declarações – ainda teimarem em acreditar em “versões oficiais” – estas, frequentemente, jogos de cena fruto de combinações.

Se Andres Sanches, de currículo que dispensa apresentações, sintetizado em diversas ações criminais em trâmite no STF (por conta do Foro privilegiado) e delações de corruptos na “Operação Lava-Jato”, e Mauricío Galiotte, capacho da Crefisa e de quem mais precisar se beneficiar no Palmeiras, não se espera muita coisa, novamente a surpresa se dá pelo desconstrangimento ao lado dessa gente do presidente do Flamengo, Bandeira de Melo, tratado pela mídia como “diferente” (o leitor do Blog do Paulinho nunca se enganou), apesar de ter integrado uma diretoria do BNDES pra lá de suspeita.

Seria surpreendente de coisa boa saísse desse encontro.

Raul Corrêa, que recentemente tentou, sem sucesso, atravéz de terceiro, tomar de assalto a gestão do Vitória/BA (o Blog do Paulinho impediu), apesar de ter se vendido como “opositor” em recente eleição do Corinthians, não larga de Sanches (mesmo tendo sido tratado como “mentiroso” e “incompetente” pelo dirigente, em recente entrevista), a ponto de ter, informalmente, contribuído para a elaboração do novo balanço – apesar de acusado pelo diretor de finanças anterior de ter “maquiado” os que assinou oficialmente.

Recentemente, o consultor Amir Somoggi, ex-funcionário da BDO/RCS, em entrevista ao R7, declarou:

“A gestão que tinha Andres como presidente publicava mensalmente balancetes, anualmente relatórios de sustentabilidade, que na prática eram mentirosos”

Nesse mundo de negócios nem sempre claros, em que Sanches entrou morador de aluguel e saiu milionário, Galiotte não deverá se dar mal ao trocar a lealdade de quem lhe proporcionou o poder pelas benesses da patrocinadora, Corrêa fechou negócios relevantes com os principais fornecedores do estádio de Itaquera logo após ter assinado documentos, pelo Timão, beneficiando a todos eles, e Bandeira não deve ter visto nada de errado enquanto o PT corrompia o BNDES, as vítimas, em regra, são os torcedores, reféns de informações nem sempre passadas como deveriam por uma imprensa, salvo raras exceções, submissa ou desinformada.

A desgraça de Del Nero

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

O fim de Marco Polo Del Nero começou quando ele abandonou a mulher de José Maria Marin, em Zurique, na manhã do dia 27 de maio de 2015.

Ao receber aflito telefonema dela no mesmo hotel Baur au Lac em que estava hospedado, dando conta da prisão do marido pela polícia suíça, o cartola disse que iria socorrê-la, mas preferiu ir para o aeroporto e voltar para o Brasil, de onde nunca mais saiu.

Neuza Marin, então com 77 anos, monoglota e abandonada, jamais o perdoou.

Dela partiu a maior pressão para que Marin não poupasse Del Nero em seu depoimento.

A deslealdade e ingratidão cobraram o alto preço que culminou com o banimento dele, apesar de com tempo suficiente para manter seus apaniguados na Casa Bandida do Futebol por meio do “golpe Caboclo”.

A multa de R$ 3,5 milhões que a Fifa impôs é apenas para inglês ver, porque não há motivo algum para pagá-la alijado do mundo do futebol.

Provavelmente Marin o poupasse não fosse a covardia da inesquecível manhã em Zurique. Para quem quiser comemorar o banimento dele só há um argumento: Del Nero não teve um minuto de paz em sua vida na CBF.

Tomou posse no dia 16 de abril de 2015, 41 dias depois teve de fugir da Suíça e nunca mais pôde viajar, nem com a seleção, nem a passeio, além de ter mais amargado a passagem de Dunga como técnico do que festejado a de Tite, além dos períodos em que esteve licenciado ou afastado por força maior.

Se tivesse pego dona Neuza pelo braço, e a trazido com ele para o Brasil, talvez pudesse contar com a omertà de Marin, o código de honra e voto de silêncio ensinados pela máfia napolitana que, por outro lado, não perdoa traições.

Ricardo Teixeira, ao que se sabe, não teve o nome mencionado por Marin. Bastaria um gesto cavalheiro, amigo, leal, ou, noutra palavra, de homem, para ter um futuro, aos 77 anos, menos indigno. Porque a comédia humana é assim. São os pequenos gestos que definem quem são as pessoas, o caráter delas.

Faltam, agora, as respostas que valem milhões e são três, embora possam ser resumidas numa só: por quanto tempo Rogério Caboclo, 45, ao assumir o posto em abril do ano que vem, aceitará ser visto, a exemplo do folclórico e octogenário coronel Nunes, como mero pau mandado de Del Nero? Sua caneta terá as impressões digitais de quem assumirá as calças que veste ou se limitará ao triste papel de laranja?

Na história da humanidade é comum os apadrinhados virarem as costas para os padrinhos. E depois de ter feito o que fez com dona Neuza, que moral tem o Marco Polo que não viaja para exigir lealdade de quem quer que seja?

Canal do Blog do Paulinho no YouTube está com endereço novo. Assine Já !

O endereço do Blog do Paulinho no YouTube mudou porque alguns incomodados com o trabalho reclamaram ao site, simultaneamente, sobre nossas postagens.

Tática de guerrilha.

Punidos, perdemos, até então, mais de onze mil seguidores, que precisarão assinar novamente nosso canal para ter acesso aos milhares de vídeos, que estamos repostando, um a um (trabalho de uma semana).

Tenho certeza que os. em média, mais de quarenta mil acessos diários do Blog do Paulinho darão resposta à intimidação.

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A Liga Mundial de Futebol da FIFA

Mais por desejo de investidores do que da própria FIFA, a entidade máxima do futebol deverá, em breve, organizar a primeira Liga Mundial de Futebol, em moldes semelhantes ao que existe hoje no voleibol.

Seleções de todo o planeta disputarão, anualmente, em primeira fase dentro do próprio continente, depois em cruzamentos entre os classificados, partidas bem mais interessantes do que os atuais amistosos que não empolgam o público já há algum tempo.

A Copa do Mundo será mantida, assim como ocorre também com o Volei, que disputa ainda, em alto nível, as Olimpíadas.

Por conta disso, seria um ótimo momento para os clubes discutirem com a CBF, ou exigirem, que os campeonatos nacionais sejam por eles geridos, deixando a Casa Bandida livre para tocar a Seleção Brasileira em compromissos mais relevantes.

Em dando certo, a Liga Mundial de Futebol abrirá as portas, em sistema semelhante, para um torneio global de clubes – embora os investidores queiram um Mundial de quatro em quatro anos – que seria interessantíssimo se disputado paralelamente com os campeonatos nacionais.

Para tal, porém, haveria a necessidade da eliminação ou readequação de campeonatos menos importantes, como os estaduais.

A união dos melhores times em torneios que os aglutinem por longo período pode ser a salvação para o crescente desinteresse da juventude no futebol, comprovado por pesquisas e explicado pelas diversas alternativas, que antes não existiam, de diversão.

Corinthians aponta como perdidas quase R$ 10 milhões em ações trabalhistas

Divulgado na última semana, o Balanço Contábil do Corinthians provisionou quase R$ 10 milhões para ações trabalhistas com grande possibilidade de derrotas.

Exatamente R$ 9.685 milhões.

Não especificou quais, assim como, também, no mesmo documento, revelou existirem outros processos, tratados como em fase inicial ou sem conclusão evidente do resultado final, novamente sem a revelação dos detalhes.

A maior parte dos conselheiros, aparentemente satisfeita com a “transparência”, aprovou o documento.

Palmeiras e a ilusão da quitação da dívida com Paulo Nobre

O Palmeiras está prestes a quitar pendência com seu ex-presidente Paulo Nobre: faltam apenas R$ 10,9 milhões dos iniciais R$ 146 milhões.

A notícia é ótima para o ex-dirigente, mas esconde a realidade do clube.

Porque se R$ 135,1 milhões foram devolvidos a Nobre, bem mais do que isso foi tomado da Crefisa, ampliando o saldo devedor.

Ou seja, o Verdão trocou uma dívida por outra, com o agravante do novo credor ter intenções, com o perdão do trocadilho, bem menos “nobres” do que o antecessor, que se não foi um presidente excepcional, saiu do poder sem acusações de corrupção – raro num meio tão imundo quanto o do futebol.

Pelada no Jornalistas

Da FOLHA

Por RUY CASTRO

Imagine abrir a janela e ver Garrincha driblando no pátio do seu prédio

Em recente evento sobre futebol, um repórter veio me dizer que estava tentando falar com um jogador da seleção brasileira, dos poucos atuando no Brasil, mas em vão. Entre ele e o craque havia uma barreira de secretários, agentes e aspones —“o staff do jogador”. Sugeri-lhe mandar o craque lamber sabão e entrevistar a turma do vôlei ou do basquete, muito mais acessível e com grandes histórias para contar.

Antes dos carrões, das mansões na Barra e dos contratos bilionários, os jogadores de futebol circulavam pelas ruas com a maior naturalidade e podiam até ser levados a um cafezinho no botequim —e eram deuses como Zizinho, Ademir Menezes, Castilho, Bellini, Rubens. Um dia, por volta de 1960, os moradores de certo conjunto de edifícios do Leblon chegaram à janela e assistiram a uma incrível pelada no campinho de terra do pátio interno. Pois adivinhe quem jogava: Nilton Santos, Garrincha, Didi, o goleiro Manga, talvez o jovem Amarildo e outros, estrelas do Botafogo e da seleção.

Como podia? Simples. Os prédios, junto ao Jardim de Alah, formavam o Condomínio dos Jornalistas, construído pelo IAPC e com apartamentos vendidos a leite de pato a jornalistas e assemelhados. Moravam ali nomes como Wilson Figueiredo, Mauritônio Meira, Augustinho (irmão de Nelson) Rodrigues, o crítico de cinema Alex Viany, o humorista Dom Rossé Cavaca, o teatrólogo Oduvaldo Vianna (pai) —e Sandro Moreyra, repórter do Jornal do Brasil e botafoguense praticante.

Por artes de Sandro, Nilton Santos também comprou um apartamento no Jornalistas. E, com isso, numa tarde de domingo sem jogo pelo campeonato carioca, Sandro e Nilton armaram uma pelada histórica reunindo vários campeões do mundo, os rapazes do prédio e os meninos pobres da vizinha Cruzada São Sebastião.

Só não me pergunte quem ganhou, se houve gols e quem marcou. Não há registro.

Torcedor diz que foi banido de site ligado a Rosenberg por criticar Andres Sanches

Por FERNANDO TORRES

Caro Paulinho,

Tive a conta excluída sem explicações no fórum do site “Meu Timão” após criar tópicos com críticas ao Sr. Andres Sanchez.

Bem que você alertou sobre possível relação de Rosenberg com aquele site, que além de tudo, ainda há usuários do fórum que atuam em defesa da diretoria que ficam denunciando quem fale mal da mesma.

É uma vergonha o que está acontecendo naquele lugar.

Rivalidade e grosseria

Do ESTADÃO

Por ANTERO GRECO

Relação entre clubes rivais tem transitado entre a ironia sagaz e a exagerada falta de cortesia

Provocação é o tempero do futebol. Por mais restrições que se criem, por maior que seja o número de tolos à deriva, ainda é possível evitar o tédio e ver um rival tirar casquinha do outro, dar-lhe uma cutucada, sem consequências desastrosas. Sobretudo em vésperas de duelo tradicional e decisivo. Aumenta o interesse pela partida.

A picardia sadia, porém, vira picuinha reles e ganha contorno preocupante a depender de quem a faça. A troca de farpas fica bem para jogadores, treinadores e, claro, torcedores, desde que não haja tom grosseiro. Estes podem tornar o duelo saboroso e fazer com que ganhe em emoção.

A coisa entorta se partir da imprensa – e o que não falta, atualmente, são engraçadinhos de ocasião, em busca de audiência e cliques fáceis. Para tanto, recorrem a expedientes fúteis. No entanto, fica constrangedora se vem da postura de dirigentes. Daí é aviltante.

Exemplo de como chutar a galhardia para escanteio foi dado por Andrés Sanchez. O presidente do Corinthians extrapolou a figura do personagem rude e sincero, em entrevista coletiva que convocou para a sexta-feira. Usou parte do contato com a imprensa para lembrar que se afastou de Marco Polo Del Nero e aproveitou boa parte para divididas com o Palmeiras, no mais tradicional estilo de zagueiro botinudo.

Sanchez desdenhou da tentativa do adversário de mostrar que houve interferência externa na final do Campeonato Paulista. Garantiu que, se por acaso viesse ordem para um novo clássico, não mandaria a equipe a campo. Até aí, nada de anormal; a ironia cabe e está dentro do contexto da rivalidade.

Errou a mão a partir do momento em que fez restrições à política salarial palmeirense. Desandou a considerar injusto um jogador receber um milhão, enquanto o capitão Dudu ganha a metade (!). Na avaliação dele, isso racha o ambiente. Criticou o interesse por Gil, discorreu sobre a oferta verde por Ricardo Goulart (revelando supostas cifras da negociação). Enfim, parecia um conselheiro de oposição palestrina cornetando no clube vizinho.

Sanchez foi descortês, para dizer o mínimo. Não é da conta dele alardear eventuais particularidades financeiras de outro clube, muito menos dar palpite sobre a divisão do dinheiro para elencos que não estão sob sua administração. Saiu do terreno da sagacidade para enveredar no da fofoca. Pois o que disse não atinge Maurício Galiotte, mas os atletas. Feio papel de candinha.

O presidente do Corinthians não se deu conta de que ocupa cargo de realce, que embute rituais, protocolos, etiqueta a seguir. As palavras dele não caem no vácuo como a de um mero frequentador de arquibancadas. Guardadas as proporções, soam como uma gafe diplomática de chefe de Estado.

Cartolas, em especial os de clubes grandes, precisam ter dimensão de sua importância. Não podem avançar certos limites nem ter reações de adolescentes. Ao agir assim, Sanchez também demonstra por que o futebol brasileiro é pobre de ideias, arrecada pouco e vive sob domínio de entidades questionáveis. Dirigentes agem de forma tacanha.

A propósito de finanças, fica a sugestão: por que o presidente do Corinthians não olha para a dívida monstruosa do estádio, que ele imaginava quitar-se só com a renda do futebol? Por que não resolve de vez a questão dos “naming rights”? E que tal zerar déficits do clube?

Bom seria se as diferenças se resolvessem só dentro de campo, que no fim das contas é o que interessa para a maioria dos torcedores. (Sim, hoje há a modalidade de “torcedor de cartola”…) Nesse quesito, o Corinthians tem teste difícil, na visita ao Atlético-MG. Mas vai embalado por resultados consistentes no Brasileiro. O Palmeiras, animado e mais calmo pela proeza em Buenos Aires, recebe a Chapecoense, para firmar-se.

Sem contar o estádio, dívida do Corinthians atinge R$ 642,3 milhões

Emerson Piovesan e Raul Corrêa da Silva, ex-diretores de finanças do Corinthians

Em 2007, o grupo “Renovação e Transparência” assumiu o poder no Corinthians com aproximadamente R$ 40 milhões em caixa, fruto da venda do jogador Willian, praticamente zerando a dívida da gestão Dualib – que os próprios consideraram, em manifestação eleitoral, “impagável”.

Onze anos depois, o caos é crescente, a ponto de ontem, em entrevista, o atual diretor de finanças do clube deixar claro que se não realizar cortes de funcionários, no Parque São Jorge e no Futebol, além de fechar contratos relevantes no marketing (o Timão ultrapassou um ano sem patrocínio master) será impossível estancar a sangria.

As contas do estádio seguem na mesma toada: dias atrás, em reunião do Conselho, Luis Paulo Rosenberg deixou claro que todos os contratos, que ele próprio ajudou a redigir, precisam ser refeitos porque são prejudiciais ao clube.

Hoje, sem contar os valores devidos pela Arena (que poderão atingir R$ 2 bilhões), o Corinthians deve, segundo números oficiais, R$ 642,3 milhões, assim discriminados:


Circulantes (a serem pagos a curto prazo)

  • Empréstimos/Financiamento (a maior parte com agentes de jogadores): R$ 10.916.000,00;
  • Fornecedores (não há discriminação de quais seriam): R$ 81.698.000,00;
  • Direitos de Imagem (salários de jogadores): R$ 35.470.000,00;
  • Obrigações – Encargos Sociais (retidos na fonte, mas ainda não repassados – o que, em tese, configuraria crime): R$ 34.846.000,00;
  • Obrigações Tributárias: R$ 1.690.000,00;
  • Tributos Parcelados: R$ 7.299.000,00;
  • Valor devido ao Arena Fundo (há controvérsia com balanço do próprio Fundo, que dobra a dívida declarada pelo Corinthians): R$ 25.472.000,00

Não circulantes (a serem pagos a longo prazo)

  • Tributos Parcelados: R$ 208.038.000,00
  • Direitos de Imagem (salários de jogadores): R$ 20.452.000,00

Existe ainda a indicação de que o Corinthians, somente em juros de empréstimos com instituições bancárias (discriminados no Item “Fornecedores”), deve R$ 29.891.000,00.

Dudu seria o “leva e traz” de assuntos do Palmeiras ao alvinegro Andres Sanches

Em 25 de fevereiro, o Blog do Paulinho revelou que o jogador Dudu aproximou-se do presidente do Corinthians, Andres Sanches, à ponto de pedir para ser contratado pelo clube:

Dudu pediu para ser contratado pelo Corinthians

O relacionamento, apesar do atleta ainda estar no Palmeiras, perdura.

Fontes que convivem com ambas as partes garantem que as informações internas do Verdão, nem todas verdadeiras, frequentemente são objeto de discussão à mesa, sempre cercada, também de agentes de jogadores.

Uma espécie de central de fofocas sobre bastidores de contratações, do Corinthians e também do Palmeiras.

Não à toa, com objetivo de desviar a imprensa do assunto “contas do Timão”, Sanches mudou o foco para “problemas do adversário”, demonstrando estar bem informado (mesmo que, por vezes, apenas com dados especulativos) sobre valores e procedimentos do departamento de futebol palestrino, levados a ele, segundo soubemos, por Dudu.

No fim deu tudo certo para todos.

Os jornalistas cairam como “patinhos” na conversa fiada e não questionaram nada relevante do corinthiano, limitando-se a “gargalhar” com piadas nem tão engraçadas, garantindo, sem a necessidade de stress com o entrevistado, manchetes que renderam bons cliques ao longo do dia.

Sanches passou batido de assuntos espinhosos, como falta de patrocínios, ineficiência nas contas do clube, na administração do estádio (naming-rights, etc) e demais problemas, enquanto Dudu fez o inferno que precisava sem a necessidade de expor-se, como ocorreu na ridícula manifestação, da última semana, de contrariedade à pressão de torcedores, obvia, sofrida por jogadores de equipes grandes do futebol mundial.

Jogadores do Corinthians são obrigados a beijar as mãos dos Gaviões da Fiel

Véspera de jogo importante do Campeonato Brasileiro, período em que os jogadores, se não concentrados, deveriam estar, ao menos, curtindo o escasso período de folga com familiares e amigos, para entrar em campo, no próximo domingo, contra o Atlético/MG.

Nada disso aconteceu.

Alguns deles, os mais famosos, foram “convidados” pela diretoria a comparecer à sede dos Gaviões da Fiel, para beijar as mãos dos “organizados”, em evento tratado como de “comemoração” da conquista do Paulistinha.

Boa parte deles, credor de grande quantia em salários, alguns, muito provavelmente, pelo que se observa na composição do balanço alvinegro, divulgado nesta semana, apenas ‘sócios” de seus próprios rendimentos, que, quando pagos, são destinados primeiro ao bolso dos agentes que os representam para depois serem partilhados, tudo indica, com cartolas do futebol.

O sorriso no rosto do palhaço (ou, neste caso, dos jogadores nas fotos), por vezes, esconde do grande público o real sentimento do artista.

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