Archive for outubro \31\UTC 2016

Lava-Jato: Vice-Presidente do Corinthians estaria preparando fuga pelo Uruguai

outubro 31, 2016

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Após a confirmação de que o executivo da Odebrecht, Alexandrino Alencar, delatou dirigentes do Corinthians envolvidos em recebimento de propina na construção do estádio de Itaquera, entre os quais o deputado federal Andres Sanches, o desespero tomou conta do gabinete do parlamentar.

Principalmente do ex-bicheiro André Negão, que ocupa cargo de Chefe de Gabinete do ex-presidente alvinegro, e, recentemente, foi preso pela “Operação Lava-Jato”, acusado de receber R$ 500 mil em propina da construtora do estádio.

A Polícia Federal trabalha com a informação de que Negão seria o “caixa”, desde sempre, do deputado em todos os seus desvios de conduta.

Recente discussão sobre o assunto, entre as partes citadas e alguns “companheiros”, terminou com diagnóstico de que a situação de Andres Sanches, apesar de preocupante, deve estender-se mais algum tempo por conta do foro privilegiado, mas a de seu “braço direito” pode resultar em prisão a qualquer momento.

André Negão, que tem diminuído as antes frequentes aparições públicas, estaria providenciando fuga para o exterior (com destino final que não conseguimos levantar, mas a fonte acredita ser Portugal), a ser iniciada pela fronteira do Uruguai.

Vale lembrar que o filho do presidente Lula, vulgo Lulinha, acusado de receber dinheiro do Corinthians por intermédio de contrato fictício (também investigado pela Polícia Federal), que seria dissimulação de pagamento de propina da Odebrecht, é amigo do ex-bicheiro e já está em terras uruguaias, local em que, provavelmente, deverá solicitar asilo político.

Prazo para negociar com a CAIXA vence amanhã. Se não quitar parcelas Corinthians pode perder gestão do estádio

outubro 31, 2016

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Desde o início de 2016, o Corinthians deixou de honrar as parcelas combinadas em contrato com a CAIXA, referentes à intermediação sobre empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES para a construção do estádio em Itaquera.

Algo em torno de R$ 6 milhões mensais, que devem ser ampliados para valores superiores a R$ 10 milhões, a partir de 2017.

A desculpa da diretoria alvinegra era a de que outros beneficiados pelo “Pró-Copa” (sistema do BNDES de liberação de verbas para específica construção de Arenas da Copa) tiveram prazos maiores de carência, razão pela qual a CAIXA havia concordado em iniciar tratativas, interrompendo a cobrança do valor principal, desde que o clube mantivesse o pagamentos dos juros.

Os seis meses que o banco forneceu ao Corinthians para que chegassem a um acordo vencem amanhã (01 de novembro).

Até o momento, não se tem notícias de que ocorreram mudanças no cronograma oficial de pagamento.

Em se mantendo, o clube terá, desde já, que desembolsar R$ 6 milhões ao mês, sob risco de perder o controle sobre o estádio, dinheiro que, todos sabem no Parque São Jorge, não tem sobrado no caixa alvinegro.

Saúde de Pelé piora

outubro 31, 2016

pelé

Cada vez mais recluso, Pelé chamou a atenção ao não participar de nenhuma das cerimônias (abertura e encerramento) dos Jogos Olímpicos 2016, e apenas enviar mensagem via twitter (sem mostrar imagem) quando da morte de seu companheiro de Santos, Cosmos e Seleção Brasileira, Carlos Alberto Torres.

O Rei do futebol, lamentavelmente, não está bem.

Médico do Einstein, amigo deste blog, relata:

“O Pelé, devido aos problemas no quadril, não consegue mais ficar em pé. Nem mesmo com a bengala. Sente dores intensas e possui pouca firmeza nas pernas.”

“Há, ainda, a questão da próstata, mais grave, que obrigam-no a forte tratamento, e, consequentemente, a sensação de mal estar e fadiga.”

“Ele é um lutador, mas sabe que sua situação requer intensos cuidados”.

Citadini vs. Marco Aurélio Cunha; Itaquerão vs. Morumbi

outubro 31, 2016

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Ontem, durante o programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, o conselheiro do Corinthians, Roque Citadini e o diretor do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, protagonizaram um embate de idéias sobre conceitos de estádios de futebol.

Polêmico, o corinthiano disse que a única solução para o Tricolor será a demolição do Morumbi.

MAC indignou-se e falou que o Itaquerão é da Odebrecht.

Selecionamos trecho da discussão, que pode ser conferido logo abaixo:

Santos tem patrimônio penhorado por dívida de R$ 83,7 mil

outubro 31, 2016

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Desde 2015, a Prefeitura Municipal de Santos trava batalha judicial para receber pendências referentes a impostos do Santos Futebol Clube, em ação de Execução Fiscal.

R$ 83,7 mil.

Os valores já estão assinalados na Dívida Ativa do Município, limitadora para diversos negócios futuros da agremiação.

Não bastasse isso, desde hoje o patrimônio alvinegro está penhorado:

“Defiro a penhora do imóvel descrito na matrícula nº 84.391 do 1º Cartório de Registro de Imóveis de Santos (fls. 85/90).Fica nomeado o (a) executado (a) como depositário (a), independentemente de outra formalidade.”

“Servirá a presente decisão, assinada digitalmente, como termo de constrição.”

Dentro do contexto de arrecadação de um clube com o tamanho do Santos, passar por esse tipo de constrangimento por valor de pequeno porte demonstra bem o nível administrativo da atual gestão alvinegra.

As “espontâneas” matérias sobre o CT de Cotia do São Paulo

outubro 31, 2016

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Estadão e FOLHA de hoje trazem matérias rasgadas de elogios ao CT de Cotia, do São Paulo.

Ontem, na Gazeta, Marco Aurélio Cunha (que também é entrevistado nas publicações), dirigente Tricolor com pretensões à presidência, tocou no assunto, com palavras assemelhadas ao que se lê em ambas as reportagens.

Evidentemente, não se trata de coincidência.

Nem entraremos no mérito do merecimento dos elogios, mas a pauta, idêntica, que observamos em três fontes distintas de informação (podem ter sido tratadas noutros locais, não assistidos pelo blog), apesar de apresentada como “notícia”, parece mais release de assessoria de imprensa, num momento em que a política do clube começa a se agitar com a proximidade das eleições.

O novo Prefeito do Rio de Janeiro e seu Comandante

outubro 30, 2016

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Divisão de poder (e negócios) em Itaquera selou racha de Roberto Andrade com Andres Sanches no Corinthians

outubro 30, 2016

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A contratação de Oswaldo de Oliveira para treinar o Corinthians está sendo tratada pela imprensa, fruto de visão limitada sobre os problemas, como motivo principal que justificaria o rompimento político (e pessoal) do atual presidente alvinegro, Roberto “da Nova” Andrade, com seu mentor, o deputado federal Andres Sanches.

As questões, porém, são mais pesadas.

Há anos subserviente ao comando de Sanches, antes de ingressar na política alvinegra, Roberto, mero funcionário da “Nova Veículos”, concessionária GM de razoável porte, localizada na zona leste de São Paulo, vivia de suas comissões em vendas de automóveis, facilitada pela proximidade com dirigentes e jogadores do clube.

Alçado à diretoria de futebol, mesmo sem receber, oficialmente, qualquer remuneração, melhorou de vida e comprou 10% da empresa pela qual ainda ocupa cargo subalterno, mas agora de gerência.

Observava-se, no Parque São Jorge, alguma ganância no comportamento de Andrade, mas poucos acreditavam na coragem de colocar o pé na frente das passadas de Sanches, no intuíto de derrubá-lo, e, por consequência, avolumar ainda mais as chances de fazer o ‘Pé-de-Meia”.

A opostunidade surgiu ao assumir a presidencia do Corinthians.

Pisando em ovos, no início, Andrade obedeceu a todas as ordens: fraudou ata de reunião do Fundo Arena, contratou treinador (Cristóvão), aturou a convivência com Eduardo “Gaguinho” Ferreira sem indicar diretor de futebol que pudesse contrapor os interesses de Sanches, etc.

Porém, sorrateiramente, percebendo que a atividade parlamentar de seu “mentor” obrigava-o, por vezes, a delegar funções administrativas do estádio de Itaquera (que Sanches não abre mão de comandar), Roberto enxergou a oportunidade, iniciando a traição.

Hoje, na Arena, existem duas frentes de comando que se contrapõem, numa luta ferrenha por poder, e, principalmente, dinheiro.

Com o bastão da presidência nas mãos e o poder de assinar os acordos, Roberto cooptou antigo aliados de Andres, e com eles passou a fazer negócios, nem sempre em concordãncia com Andres, em Itaquera.

O “quarteto”, como é chamado no local, é composto por Andrade, Lucio Blanco (gerente do estádio, antes diretor de arrecadação), Luis Felipe Santoro (a traiçao maior, ex-advogado de Andres, participe de diversos de seus “rolos”) e Ricardo Corrégio (gerente comercial da Arena), ligado à Odebrecht.

Não possuem força, ainda, devido a diversas “amarrações” inconfessáveis, em que todos, de alguma maneira, estão comprometidos, para tirar das mãos de Sanches o controle total da Arena, mas, certamente, dividiram-no, numa guerra silenciosa, marcada por traições, resultante real do racha político que culminou no fim do grupo “Renovação e Transparência”, no Corinthians.

Dia “D” para o Rio de Janeiro: entregar a cidade para Edir Macedo ou discutir idéias com Marcelo Freixo

outubro 30, 2016

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Marcada por sucessivas gestões deploráveis, que transformaram uma das mais belas e famosas cidades do mundo numa espécie de faixa de Gaza no paraíso, em que cidadãos de bem e turistas precisam defender-se, diariamente, contra a bandidagem das quadrilhas e das milícias, quando não, também do Estado, o Rio de Janeiro tem seu dia “D” com as eleições municipais a serem realizadas nas próximas horas.

A dúvida: entregar a cidade para reconhecidos criminosos de uma seita tratada como religião denominada Igreja Universal do Reino de Deus, representada no pleito pelo Senador Marcelo Crivella, parente e nº 2 de Edir Macedo, o dono do império, ou ao esquerdista Marcelo Freixo, com fama de honestidade que inspirou personagem no filme “Tropa de Elite 2”, mas é tratado por alguns como extremamente radical para assumir o governo carioca ?

Há porém, certezas evidentes neste processo eleitoral.

No campos das idéias, as de Freixo são absolutamente conhecidas e refletem fielmente sua forma de conduta, combativo que foi na CPI das milícias, entre outras lutas, mas, por outro lado, o tornam vulnerável às críticas, devido às tais “radicalidades” (opiniões sobre aborto, tratamento de pessoas presas, etc), que, por vezes, afrontam modos de comportamento conservadores (legítimos) da sociedade.

Crivella, ao contrário, é um poço de vigarice.

Ri do que não acha graça, muda o discurso a cada elogio ou crítica recebida, diz não ter sido preso mesmo diante de foto estampada em Inquérito Policial, aplaude Edir Macedo ensinando pastores a tomar dinheiro de fiéis, isso quando, ele próprio, não o faz.

Nunca, em toda a história da cidade, que já foi governada por diversos enganadores, um reconhecido “charlatão” (inclusive pelos que nele declaram voto) esteve tão próximo de vencer uma eleição.

Tratam-se, em grande parte, de votos de ódio contra os pensamentos de Freixo, justificáveis não fossem à custa de fechar os olhos para o fundamentalismo, que sequer é religioso, mas da religião tira o sustento para perpetuar e ampliar práticas abomináveis de enganação, locupletação e busca pelo poder.

Com Freixo, se não há concordância com todas as idéias (que, ao menos, poderão ser debatidas, seja pela população ou em âmbito político) existe esperança de uma governança sem objetivo de corrupção, desvios de conduta e demais particularidades que assombram não apenas o Rio de Janeiro, mas todo o restante do pais.

O que esperar de Crivella ?

Basta vasculhar os arquivos dos diverso órgãos de investigação deste país (entre os quais a “Operação Lava-Jato), em que o candidato da IURD é citado, frequentemente, como “laranja” de práticas criminosas associadas a Edir Macedo, além de vídeos, milhares, de suas atuações em “cultos” da autodenominada “igreja” para se ter a real dimensão do que é capaz de fazer, sem remorso, muito menos constrangimento.

Mais um rolo financeiro de Alexandre Kalil

outubro 30, 2016
Alexandre Kalil

Alexandre Kalil

De O ANTAGONISTA

Alexandre Kalil, candidato a prefeito de Belo Horizonte, é um sujeito complicado.

Além de dever 7 milhões de reais na praça, tanto ao fisco da capital mineira como a fornecedores da sua empresa, a Erkal Engenharia, ele disse que vendeu 37,5% de um apartamento a familiares, para arrumar os 2,2 milhões de reais que colocou na sua campanha.

Primeiro problema: no contrato de venda da sua parte do apartamento, não constam o nome nem o endereço dos três compradores. Apenas as ocupações deles: advogado, médico e estudante — as mesmas dos seus filhos. Kalil ainda não respondeu se foram os filhos que adquiriram um pedaço do imóvel.

Segundo problema: para arrecadar 2,2 milhões de reais, o apartamento deveria valer 5,9 milhões de reais. No entanto, o preço de mercado do imóvel é 3 milhões de reais.

A suspeita é simples: Kalil não teria vendido parte do tal apartamento, mas forjado um contrato para justificar a entrada do dinheiro na sua campanha.

João Leite, o seu adversário, pediu ao MPF que investigue esse imbróglio.

Lava Jato, de onde veio e para onde vamos

outubro 30, 2016

lava jato

Da FOLHA

Por DELTAN DALLAGNOL e ORLANDO MARTELLO

A equipe da Lava Jato formou-se para o combate a crimes financeiros e de lavagem de dinheiro praticados por doleiros como Alberto Youssef. Jamais se imaginou, inicialmente, topar com um esquema de corrupção.

Foi uma surpresa quando se reuniram provas da lavagem de cerca de R$ 26 milhões ligados a um contrato da refinaria Abreu e Lima. Meses depois, quando Paulo Roberto Costa decidiu colaborar, sua narrativa foi estarrecedora: a confissão foi muito além daquele contrato.

Propinas eram pagas nos grandes negócios da Petrobras. Estávamos falando, como descobriríamos mais tarde, de R$ 6,2 bilhões só de subornos, valor que seria reconhecido pela estatal.
Mas as investigações -e o prejuízo aos cofres públicos- não pararam por aí.

Como observou o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, “onde você destampa tem alguma coisa errada”.

Removidas as tampas, emergiram propinas nas diretorias da Petrobras, nos ministérios do Planejamento e da Saúde, na Caixa Econômica Federal e na Eletronuclear.

A sistemática era a mesma. Dirigentes eram escolhidos por partidos e políticos com o compromisso de arrecadar propinas. Currículos e critérios técnicos ficaram em segundo plano.

Nesse esquema, empresários pagavam agentes públicos (dirigentes e políticos) por meio de operadores financeiros, que faziam o dinheiro sujo chegar com aparência limpa aos destinatários.

Até o momento, em primeira instância, as investigações levaram a 52 acusações contra 241 pessoas, por crimes como corrupção, lavagem e organização criminosa.

Dentre elas, 110 foram condenadas a penas que ultrapassam mil anos de prisão. O ressarcimento soma mais de R$ 3,6 bilhões -antes da Lava Jato, virtualmente nenhum caso recuperou mais de R$ 100 milhões, e a regra é não reaver um tostão sequer.

No entanto, talvez o maior impacto da Lava Jato tenha sido a responsabilização igualitária dos criminosos, pouco importando cargo ou bolso. Perseguiu-se a “grande corrupção”, aquela que deslegitima as instituições e até então era imune ao Judiciário.

A corrupção de que tratamos afeta a eficiência da gestão pública, drena recursos de serviços essenciais, desequilibra o processo democrático e violenta os princípios republicanos.

É a corrupção que mata pela fila do SUS, pela falta de manutenção das estradas, que nutre a violência pela ausência de políticas públicas e que atrasa o país pela deficiência da infraestrutura.
Como o mensalão, a Lava Jato tem se mostrado excepcionalmente diferente em relação à impunidade. É a exceção que confirma a regra.

Precisamos reconhecer que o relativo sucesso é fruto de uma multidão de fatores, que incluem um trabalho coordenado, inovador e profissional de vários órgãos, o amadurecimento de leis e instituições e… muitos lances de sorte. Foi valioso ainda o apoio da sociedade.

O avanço se deu sobre um tripé formado por colaborações premiadas, cooperações internacionais e transparência.

As delações -sempre ponto de partida, jamais de chegada- permitiram a expansão exponencial da investigação. Embasaram buscas e apreensões, colheita de depoimentos e quebras de sigilo fiscal, bancário e telefônico; as transações bancárias rastreadas somam mais de R$ 1 trilhão.

As cooperações internacionais -mais de 120 intercâmbios com 34 países- permitiram alcançar documentos de contas secretas no exterior usadas há décadas.

Por fim, a realização de entrevistas coletivas, o lançamento do primeiro website de um caso criminal do país, a assistência de assessores de comunicação e a publicidade dos processos eletrônicos garantiram o que Albert Meijer denominou transparência virtual, facilitando o acesso à informação, o acompanhamento da investigação e, principalmente, propiciando o controle social.

O debate transcendeu o meio jurídico e, para nossa sorte, ganhou o gosto popular.

O acervo probatório produzido é imenso. Como a usual tática dos investigados de negar os fatos já não funcionava, passaram a difundir a falsa ideia de abusos na Lava Jato.

Tal noção não se sustenta. Foram feitas somente prisões excepcionalmente necessárias. Apenas 9% dos acusados estão presos -e só 3% estão encarcerados sem condenação.

Diante da inusitada perspectiva de punição, a colaboração passou a ser a melhor estratégia de defesa: 70% delas foram feitas com réus soltos, e diariamente recusam-se novos acordos por não se vislumbrar ganho efetivo.

Observe-se ainda que, se “abusos” ou “excessos” existissem, os tribunais os corrigiriam. Mesmo contestados por grandes bancas advocatícias em três cortes, os atos do juiz Sergio Moro foram confirmados em mais de 95% dos casos.

Alega-se também que as investigações são partidárias. Outro disparate! Além de as equipes de procuradores, delegados e auditores terem sido formadas, em grande parte, antes de se descobrirem os crimes na Petrobras, trata-se de dezenas de profissionais de perfil técnico, sem histórico de vínculo político.

A alegada perseguição é o mantra da defesa política quando a defesa jurídica não prospera.

Verdade que os partidos mais atingidos na Lava Jato são PT, PP e PMDB. No Supremo, dentre os 17 políticos acusados, 9 são do PP, 4 do PMDB, 3 do PT e 1 do PTC.

Contudo, isso não ocorre por escolha dos investigadores, e sim porque as indicações de dirigentes de órgãos federais se dão pelo partido no poder ou sua base aliada. Assim, os cargos de diretoria da Petrobras foram ocupados por essas legendas, e não pela oposição ao governo petista.

O ataque mendaz à credibilidade da Lava Jato e dos investigadores tem um propósito. Prepara-se o terreno para, em evidente desvio de finalidade, aprovar projetos de abuso de autoridade, de obstáculos à colaboração premiada, de alterações na leniência e de anistia ao caixa dois.

O Brasil, quarta nação mais corrupta do mundo segundo ranking do Fórum Econômico Mundial, está numa encruzilhada.

Se forem aprovados projetos como os mencionados, seguiremos o caminho da Itália, que, nas palavras de um procurador da Mãos Limpas -operação da década de 90 semelhante à Lava Jato-, lutou contra a corrupção, mas perdeu.

O Brasil, porém, pode seguir os passos de Hong Kong, nos anos 1960 considerado o lugar mais corrupto do mundo. Após um escândalo na década seguinte, realizaram-se reformas e, hoje, é o 18º país mais honesto no ranking da Transparência Internacional (o Brasil está na 76ª posição).

A história do Brasil é também uma história de fracassos na luta contra a corrupção. Casos como Anões do Orçamento, Marka Fonte-Cindam, Propinoduto, Banestado, Maluf, Castelo de Areia, Boi Barrica e tantos outros caíram na vala comum da impunidade.

A corrupção tem alto custo ao país. Temos de fechar essas brechas por onde escapam os ladrões e o dinheiro público.

Alterações legislativas, como a reforma política e as dez medidas contra a corrupção, sanam problemas estruturais e podem nos pôr no rumo de Hong Kong, o que recomenda seu debate, aperfeiçoamento e aprovação pelo Congresso.

É importante, ainda, incentivar controles sociais e que os cidadãos, bem informados, repilam os políticos desonestos pelo voto.

É impossível reduzir o nível de corrupção a zero, mas estamos no polo oposto. A grande corrupção tem de ser extirpada para surgir um Brasil competitivo, inovador, igualitário, democrático, republicano e, sobretudo, orgulhoso de si.

A sociedade tem de reagir. Parafraseando Martin Luther King, estamos rodeados da perversidade dos maus, mas o que mais tememos é o silêncio dos bons.

DELTAN DALLAGNOL, 36, mestre pela Harvard Law School (EUA), é procurador da República. Integra a força-tarefa da da Operação Lava Jato em Curitiba

ORLANDO MARTELLO, 47, mestre em gestão e políticas públicas pela Fundação Getulio Vargas, é procurador da República. Integra a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba

Deola será goleiro do Juventus que, em desespero, colocou à venda 500 títulos remidos

outubro 30, 2016

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Após dez meses sem jogar, o goleiro Deola, ex-Palmeiras, assinou contrato para defender o Juventus na temporada 2017.

Iniciou como grande promessa palestrina, mas aos 32 anos, após inúmeras passagens por empréstimo em equipes menores, se viu, ano passado, relegado, quase que como favor, à jogar partidas pela equipe “B” do clube.

Findo o contrato em 2015, não foi renovado.

Agora, aos 33 anos, chega ao “Moleque Travesso”, que não atravessa boa fase financeira.

O clube da Mooca, no intuíto de levantar R$ 3 milhões para quitar despesas, colocou à venda 500 títulos remidos familiares, a custo de R$ 7 mil cada.

Dúvidas históricas: Aymoré Moreira e o gol de Carlos Alberto Torres

outubro 30, 2016

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(trecho da coluna de TOSTÃO, na FOLHA)

DÚVIDAS HISTÓRICAS

Juca Kfouri contou, em sua coluna, que o técnico Aymoré Moreira, campeão do mundo em 1962, desenhou em um guardanapo, na véspera da final da Copa de 1970, quando Aymoré trabalhava para a Revista Placar, toda a jogada do gol de Carlos Alberto Torres, o quarto contra a Itália.

Aymoré previu o lance ou soube, por ter companheiros na comissão técnica, da reunião entre Zagallo e os jogadores, quando foi combinado que, quando o ponta Jairzinho entrasse pelo meio, em diagonal, e fosse acompanhado pelo lateral esquerdo Facchetti, que fazia marcação individual, Carlos Alberto avançaria e entraria livre neste espaço, para finalizar?

Aymoré tinha sido treinador de Zagallo no Mundial de 1962.

A história tem sempre, no mínimo, duas versões. Às vezes, as duas são verdadeiras ou falsas.

Marcelo Crivella e as contas secretas da Igreja Universal

outubro 29, 2016

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Documentos mostram que o bispo/senador Crivella (PL-RJ) seria responsável por empresas que lavam dinheiro em paraísos fiscais

Da ISTO É

(publicada originalmente em 20/05/2005)

Por GILBERTO NASCIMENTO

Desde 1999, um inquérito na Procuradoria da República investigava as relações de líderes da Igreja Universal do Reino de Deus com duas empresas – a Cableinvest Limited e a Investholding Limited –, ambas com sede nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal britânico localizado no Caribe. Seis anos depois, a quebra do sigilo fiscal da igreja é pedida ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. O objetivo é investigar a existência de um esquema nos moldes da lavanderia montada por PC Farias.

Para a Procuradoria da República, há indícios de que o esquema foi utilizado para a compra da TV Record do Rio, em 1992, e de outras emissoras. As duas offshore (as subsidiárias criadas em paraísos fiscais para fugir da cobrança de impostos) enviaram dinheiro ao Brasil, por meio de operações irregulares, para a conta bancária de bispos da Universal e também de “laranjas”. Documentos da Receita Federal comprovam essas transações. As remessas e recebimentos totalizam US$ 18 milhões (R$ 44,6 milhões) e comprovariam a evasão de divisas.

ISTOÉ teve acesso a parte da documentação que deu início às investigações e levou o procurador Fonteles a pedir a quebra de sigilo. A revelação mais explosiva é a identidade de um dos donos das empresas Cableinvest e Investholding. Por trás da operação em Cayman estaria Marcelo Crivella, um economista carioca de 43 anos, filho de Matilde Bezerra, irmã de Edir Macedo, o principal líder da igreja.

Crivella é bispo da igreja e foi eleito senador pelo PL do Rio, em 2002. Segundo o relatório da Procuradoria Geral da República de maio de 2003, ao encaminhar o caso para o STF, as investigações realizadas pela Interpol constataram que um dos acionistas da Cableinvest é Crivella. Agora, com a quebra de sigilo, os bancos podem liberar extratos que comprovarão quem é o dono das empresas.

Nos papéis obtidos por ISTOÉ, aparecem a assinatura do senador, reconhecida por um cartório de São Paulo.

Esses documentos foram recolhidos por ex-dirigentes que tinham acesso à contabilidade da igreja, a contratos de compra e venda (de emissoras de rádio e tevê, imóveis e até de uma aeronave), além de declarações de Imposto de Renda de líderes da Universal. Crivella já depôs este ano na Polícia Federal do Rio e negou ser dono das empresas.

O império – A Igreja Universal está hoje em mais de 80 países, de acordo com seus líderes. Mas, para alcançar esse crescimento, deixou rastros pelo caminho: enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, compra da Record através de laranjas, acusações de curandeirismo e charlatanismo, chutes na imagem de uma santa e dissidências. Mas nada se compara a essas denúncias. Segundo a Procuradoria, há evidências de como funciona o esquema de lavagem de dinheiro da igreja.

Ele passa por uma triangulação entre doleiros no Brasil, as empresas de offshore nas Ilhas Cayman e bancos de investimento no Uruguai.

Numa pequena mostra do esquema, ISTOÉ comprovou que, em 76 contratos, entre fevereiro e outubro de 1992, as duas empresas emprestaram US$ 6,3 milhões aos bispos, pastores e seletos simpatizantes da Universal. Entre outros negócios, esse dinheiro serviu para justificar a compra da TV Rio. Os empréstimos têm um prazo de cinco anos para ser quitados, mas não há definição quanto ao número de parcelas nem data do início de pagamento.

Nesses contratos, por exemplo, Alba Maria da Costa, então diretora de várias empresas do grupo Universal, recebeu um total de US$ 843 mil em dez contratos. Outros R$ 56 milhões (valores atualizados), em operações já comprovadas pela Receita Federal, foram parar nas contas de chefes da igreja, como os bispos Honorilton Gonçalves, responsável pela superintendência executiva da Rede Record; João Batista Ramos da Silva, deputado federal (PFL-SP) e ex-presidente da Record; e Carlos Rodrigues, deputado federal (PL-RJ) e hoje rompido com a Universal. Rodrigues chegou a ter um aumento em seu patrimônio de 15.000%.

O senador Crivella é figurinha fácil em processos que correram na Receita e no Ministério Público. Em 1990, ele e outros testas-de-ferro da Universal compraram a TV Record de Franca (SP), oficialmente, por Cr$ 45 milhões (hoje cerca de R$ 1,2 milhão). O dinheiro, como em outras aquisições do tipo, foi emprestado pela própria igreja. Na investigação de sonegação de impostos, a Receita, depois de quatro anos de trabalho, registra em seu relatório que os “empréstimos (foram) efetuados sem qualquer acréscimo, configurando-se em verdadeira doação”.

As provas do esquema de lavagem de dinheiro mostram o poder de Crivella sobre as ações das duas empresas de Cayman.

Em um comunicado enviado aos diretores da Cableinvest, em nome dos “proprietários beneficiários” da empresa, Crivella autoriza o então presidente do Banco de Crédito Metropolitano (que pertencia à igreja e passou a chamar-se Credinvest), o executivo Ricardo Arruda Nunes, a movimentar “uma nova conta bancária com o Union Chelsea National Bank”. Crivella não está sozinho nesta operação. Outro brasileiro que aparece como sócio das empresas de Caymam é Álvaro Stievano Júnior. A trajetória de Stievano no reino da Universal é pouco sutil. Depois de passar pela diretoria do banco de Macedo, tornou-se diretor da New Tour Turismo, também de propriedade da igreja. Em comum com os dois cargos, o manuseio de dólares.

A dupla dinâmica assina, como acionistas e diretores da Investholding Ltd., outros dois documentos importantes, nos quais revelam suas relações com a empresa. “Eu, abaixo-assinado, sendo acionista e diretor da Companhia, por meio deste, designo Robert E. Axford ou, na sua ausência, Richard E. Douglas ou, na sua ausência, Ian A. N. Wight, ou, na sua ausência, Anne Mervyn para ser meu procurador (a ter minha procuração) para votar por mim e em meu interesse, para me representar em toda reunião anual da diretoria”, dizia a procuração. “Em cada compromisso permanecerá com totais poderes até revogação por parte do designador (abaixo-assinado) por escrito à companhia.” O documento dava poderes para votação na aprovação do balanço anual, reeleição de diretores e “outros assuntos sobre os quais o designado tenha recebido instruções expressas do designador”.

Na ata da primeira reunião dos diretores da Investholding, no escritório da sede da empresa, em George Town, capital das Ilhas Cayman, ficou registrado que os dirigentes da empresa Robert Axford e Adrian Hammond seriam detentores de uma única ação da companhia cada um. Também que Axford ficaria como presidente, Crivella como diretor-vice-presidente e Stievano, diretor-secretário. Posteriormente, foi registrado o pedido de demissão dos diretores Axford e Hammond. O curioso é que o nome de Crivella aparece acima do nome do presidente da Investholding num relatório de reunião da empresa. Pelo menos até 1995, a mesma Investholding detinha cerca de 50% das ações do banco de Macedo.

Vaivém – O caminho de volta do dinheiro ao Brasil também está esmiuçado: os recursos transferidos para Cayman vinham sendo depositados em agências do Banco Holandês, em Montevidéu no Uruguai. Os dólares eram depositados em agências do Holandês nos Estados Unidos que repassavam o montante à agência de Montevidéu, além de uma operadora de câmbio uruguaia, a Cambio Val. Lá, os dólares eram convertidos em cruzeiros, com isenção de impostos, e enviados à filial brasileira, nas contas das duas empresas.

Pelo menos US$ 7,5 milhões chegaram ao Brasil através do Banco Holandês e outros US$ 10 milhões por intermédio da Cambio Val, conforme registram dezenas de boletos. O certo é que o dinheiro recolhido em mais de dois mil templos da Universal voltaram ao Brasil sem pagar imposto e foram para a conta de alguns poucos escolhidos. Essas irregularidades serão apuradas agora pelo STF. E podem abalar o império do bispo.

*Valores convertidos pelo dólar de agosto de 1998, quando surgiram as denúncias

OMNI leva 7,7% da renda do Corinthians. Palmeiras paga 2% por serviço semelhante

outubro 29, 2016

renovação e transparência

Divulgou-se, recentemente, que o presidente do Corinthians, Roberto “da Nova” Andrade, fraudou ata de reunião do Fundo Arena II, gestor da Arena de Itaquera.

A reunião nunca existiu, os termos e decisões foram enviados, por email, pela BRL TRUST (braço da Odebrecht), e assinados, posteriormente, pelos interessados.

Pelo Corinthians consta, no documento, a assinatura de Roberto na condição de “presidente”, quando, em verdade, era apenas candidato ao cargo, em clara configuração de falsidade ideológica.

O real mandatário no período, Mario Gobbi, até o momento não esclareceu a situação.

Dentre as ações tomadas neste procedimento estava a contratação da empresa OMNI, de ação controversa no Parque São Jorge, acusada de manter contrato leonino com o clube e de ter como proprietário oculto o deputado federal, ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches.

Vasculhamos os borderôs de jogos do Timão no Campeonato Brasileiro e as suspeitas se avolumaram.

Nas 16 partidas que o Corinthians jogou em São Paulo (quinze em Itaquera, uma no Pacaembu), a arrecadação líquida (subtraídas as despesas) somaram R$ 15,2 milhões.

A OMNI ficou com R$ 1.178.787,61, discriminados no item “emissão de ingressos e controle de acesso”.

Impressionantes 7,7% do montante.

Para que se possamos ter um paralelo, no mesmo período, com mesmo número de partidas, também jogando em moderna Arena (com capacidade próxima dos 40 mil lugares, assim como Itaquera), utilizando-se de sistema semelhante de fornecimento de ingressos, o Palmeiras, sob o mesmo critério de análise, percentualmente, pagou para sua fornecedora muito menos do que o Corinthians para a OMNI:

Apenas 2%.

Há algo estranho no reino da “Renovação e Transparência”, local em que a harmonia não mais impera, as explicações inexistem e os acordos, espúrios, estão sendo investigados pela Polícia Federal, Polícia Civil, STF e demais órgãos de fiscalização.

Saiba mais sobre o assunto:

https://blogdopaulinho.com.br/2016/10/08/os-numeros-que-revelam-o-caos-de-gestao-da-arena-em-itaquera/


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