Golpe de Estádio no Corinthians pode resultar em impeachment de presidente e anulações de contratos

roberto da nova eleições

Reportagem da revista ÉPOCA, de ontem (republicada pelo blog), trouxe à tona mais um capítulo da novela “Golpe de Estádio”, que tem como vítima principal o Sport Club Corinthians Paulista.

Presidente do Corinthians fraudou ata de reunião da arena que favorecia Odebrecht

Dois dias antes das eleições do clube, em 05 de fevereiro de 2015, Roberto “da Nova” Andrade, então apenas candidato no pleito, assinou (com direito a carimbo de “Presidente”) ata de reunião de Assembléia dos cotistas do FUNDO ARENA II, responsável pela gestão do estádio em Itaquera, apresentando-se, indevidamente, como presidente do Corinthians.

O ato configura crime de falsidade ideológica.

As decisões tomadas no encontro foram altamente lesivas ao clube, mas uma delas, em particular, chama a atenção: a assinatura de contrato com a OMNI, que tem Andres Sanches como sócio oculto, para ter exclusividade na exploração do estacionamento da Arena.

É exatamente o local em que o Corinthians pretende alugar para Shows, gerando grande lucratividade aos cessionários.

A OMNI enfrenta, há tempos, desconfiança por parte de conselheiros alvinegros por conta de contratos leoninos de gestão das catracas e ingressos de Itaquera (com repasse de percentual acima do cobrado no mercado), além do sistema de acesso a associados do Parque São Jorge.

Outros pontos polêmicos que receberam a chancela de Andrade foram:

  • ampliar o prazo da ODEBRECHT para conclusão das obras (evitando que a construtora pagasse multa por atraso ao Corinthians);
  • quitação de dívidas da construtora com a Arena Corinthians, mesmo com as obras ainda inacabadas;
  • autorização para que a BRL TRUST, que comanda o FUNDO, alterasse, a bel prazer, contratos de financiamento da CAIXA.

Ata de assembleia da Arena Corinthians (Foto: Reprodução)

OBJETIVO DA FRAUDE

frederico barbosa andres sanches

Diante do quadro apresentado, ficam nítidas as intenções das partes envolvidas neste claro procedimento fraudulento:

  • o verdadeiro presidente do Corinthians, no dia da referida reunião, Mario Gobbi (que não respondeu à Época se havia assinado procuração para Andrade), pressionado pela construtora e pelo ex-presidente Andres Sanches, recusou-se a participar da farsa, rompido que estava com o grupo, ciente, também, das consequências;
  • há dois dias da eleição, Roberto Andrade, para demonstrar lealdade a seu “comandante”, aceitou o risco;
  • Em 2011, quando o presidente era Mario Gobbi e o responsável do clube pela relação com a construtora, Andres Sanches, estranhamente, Andrade assinou relatório de avanço formalizado pela Odebrecht (que o arquiteto Aníbal Coutinho desconfia ser fraudulento), mesmo sem possuir competência técnica para dar aval às obras do estádio;
  • ficou claro, também, que as partes (Odebrecht e Andres Sanches) temiam pelo resultado das urnas e a consequente negativa de dar aval aos acordos firmados se eleitos fossem os oposicionistas Roque Citadini e Osmar Stabile.

avanco-odebrecht-roberto

 

CONSEQUÊNCIAS DA FRAUDE

COPA DO MUNDO 2014: ACIDENTE NAS OBRAS DO ESTÁDIO DO CORINTHIANS

Discute-se, desde ontem, entre conselheiros do Corinthians, quais as consequências da fraude protagonizada pelo presidente Roberto “da Nova” Andrade, e que providências, necessariamente, precisam ser tomadas diante de tamanha afronta ao clube.

As seguintes sugestões foram formuladas:

  • iniciar procedimento de impeachment do presidente, ocasião em que terá direito de se defender;
  • cancelar, imediatamente, o contrato fraudulento e os demais que, por ventura, tenham, através dele, sido originados;
  • realizar “pente-fino” em todos os documentos da Arena, notificando, oficialmente, a Odebrecht, em caso de negar-se a colaborar;
  • identificar dirigentes, funcionários, associados e conselheiros do Corinthians, que, por ação ou omissão, tenham participado ou contribuído para este ato ilícito ou outros de natureza semelhante;
  • informar Ministério Público e demais órgãos policiais do ocorrido para evitar que o clube seja tratado como conivente de desvios de conduta de seus dirigentes, evitando, em consequencia, o agravamento dos problemas.

Não bastasse o Corinthians estar inserido, não se sabe ainda se apenas como vítima, nas investigações da “Operação Lava-Jato”, que podem resultar não apenas em prisões de dirigentes (como ocorreu, recentemente, com o vice-presidente, André Negão, acusado de receber R$ 500 mil em propina da Odebrecht), mas também em prejuízos financeiros incalculáveis, com a perda dos direitos sobre o estádio, etc., o clube se vê agora obrigado a investigar-se, sob pena de ver ampliado um caos financeiro que ultrapassa R$ 500 milhões em dívidas, sem contar R$ 1,6 bilhão da Arena e os débitos fiscais, outras centenas de milhões de reais, escondidos em programas de parcelamentos com o Governo..

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