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Blog do Paulinho #19 (podcast)

 

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Amor não correspondido no Corinthians

O grupo ‘Corinthians Grande’, antes denominado ‘Corinthianos Obsessivos’, liderado por ex-diretores de Andre Sanches, entre os quais Raul Corrêa da Silva, Sergio Alvarenga, Felipe Ezabella e Fernando Alba, há algum tempo, tem publicado ‘notas oficiais’ interessantes.

Apesar de garantirem comportamento oposicionista em entrevistas, clamam, a cada texto, pela participação, imediata, na atual gestão.

A desculpa é sempre a mesma: ‘pelo bem do Corinthians’.

Não precisa ser nenhum gênio para perceber que, no atual momento administrativo do clube, ainda mais diante desse quadro de pandemia, não há solução fora da mudança total de gestores.

Ao sugerir nova aliança com Andres Sanches, ainda que com palavras indicando, apenas, ‘colaboração’, a turma de Raul, espertamente, procura inserir-se no vácuo de nomes relevantes do grupo ‘Renovação e Transparência’, do qual fizeram parte até serem chutados na gestão Roberto Andrade.

Se der errado, dirão que foram boicotados.

Em apresentando algum tipo de resultado que possa ser tratado como positivo pleitearão, se não o apoio de Sanches ao nome de Mario Gobbi – candidato dessa gente, diretorias importantes para que possam, novamente sob a ótica do ‘amor ao clube’, aderir aos situacionistas.

Trata-se, porém, de amor não correspondido, daqueles em que a garota (ou garoto) almejados sequer dão bola aos cortejadores.

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Inacreditável #04 – entrevista com André Brazolin, presidente do Instituto Brazolin – ‘Anjos do Esporte’

Programa Inacreditável, da Vibe Mundial 95,7 FM, que apresentei ao lado de Marcelo Santos e Fernando Pereira.

Nosso convidado foi André Brazolin, ex-atleta profissional de Basquete, presidente do Instituto Brazolin – ‘Anjos do Esporte’.

Participação especial do Rei Pelé.

Imperdível !

 

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Silvio Santos e o SBT Brasil

Edir Macedo, Bolsonaro e Silvio Santos

Atendendo imposições governamentais, Silvio Santos derrubou de sua grade o programa SBT Brasil, que, no dia anterior, ousou praticar jornalismo ao tratar sobre a constrangedora reunião ministerial de Jair Bolsonaro.

Os jornalistas que puderem deveriam, imediatamente, apresentar as respectivas cartas de demissão.

Mais relevante comunicador do país durante muitas décadas, Silvio Santos limita-se a isso, sem maior profundidade.

Faltou-lhe, talvez, o desejo de evoluir como ser-humano.

Até a fama de ‘grande empresário’, ajudada pelas verbas de Governos que bajulou, é indevida, conforme demonstraram diversos episódios que o aproximaram da falência, sendo o mais emblemático o do banco Panamericano.

Das ‘colegas de trabalho’ Silvio sempre quis, apenas, o dinheiro, distribuído em Tele-Senas, Jequitis e demais produtos questionáveis .

Fosse diferente não promoveria, diariamente, desde os tempos de ditadura, os déspotas que delas tomam direitos e liberdades.

Silvio deveria extinguir o departamento de jornalismo do SBT.

Primeiro porque não possui a menor noção do que se trata a profissão, segundo porque evitaria, a si próprio e à emissora, esse tipo de constrangimento.

Bastaria deixar o venal Ratinho e seu mascote Xaropinho como vozes de ressonância daqueles a que precisa adoçar, enganando os telespectadores mais humildes, público alvo de toda essa patifaria.

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Flamengo dá calote de R$ 12 mil em clube da 3ª divisão carioca

Com rendimentos e despesas milionárias, o Flamengo se apresenta, há algum tempo, como clube exemplo de gestão.

Não é bem verdade.

Bastou o primeiro mês de pandemia para que o departamento financeiro pedisse socorro a empréstimo bancário.

Sinal de que o clube ‘joga’ no limite, o que, administrativamente, sempre será procedimento equivocado.

No âmbito institucional as coisas também não andam bem, conforme demonstram o descaso com as vítimas no ‘Ninho do Urubú’ e a aproximação, imoral, com o governo fascista de Jair Bolsonaro.

Nem mesmo credores menores escaparam da má-gestão, caso do sofrido Duquecaxiense, equipe que luta para sobreviver na 3ª divisão carioca, a quem o rubro-negro deve quatro parcelas do ‘mecanismo de solidariedade’ atrelado ao jogador Pedro.

No total: R$ 12 mil.

Segundo informações midiáticas, dinheiro de café para o Flamengo, mas extremamente importante ao time de Duque de Caxias.

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A fábrica de ‘fake-news’ dos Bolsonaros

Desde ante-ontem (22), após a liberação pelo Ministro Celso de Melo do vídeo que registrou o Governo Bolsonaro em sua essência, a repugnância tomou conta de 75% dos brasileiros.

Porém, os demais 25%, representados pelo baixo nível, os ataques às minorias, instituições e meio ambiente, deliraram.

Assistiam ao caos como se estivessem numa pregação de Edir Macedo.

Mas, para os Bolsonaros, ainda assim se fez necessário fechar a porteira (o que restou do cérebro dessa gente) para evitar que um ou outro integrante do gado encontrasse a liberdade.

Entrou em ação, então, diretamente da ‘De Dentro do Armário Produções’, sob direção de Carluxo do priminho, uma nova edição do clássico ‘A fábrica de ‘fake-news’ dos Bolsonaros’, uma ficção científica em que robôs de um planeta denominado ‘bozosfera’ invadem o Brasil para exterminar a inteligência da população.

A seguinte mensagem foi difundida, em todas as mídias socais:

“Não conheço um eleitor de Bolsonaro que viu o vídeo e esteja arrependido, pelo contrário, já iniciamos a campanha para 2022. É a melhor propaganda de todos os tempos!”

No rebanho, o impacto foi emocionante.

“Mito, mito, mito!”, gritaram alguns.

Não imaginavam a decepção, horas depois, quando os malvados jornalistas estragaram a felicidade revelando que o roteiro de Carluxo plagiou o trabalho doutro grande produtor, mais prestigiado na esgotosfera, o ‘mito’ do ‘mito’, Donald Trump.

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MAC arma ‘casa de Caboclo’ no São Paulo

O vazamento, através da inabilidade do pai do presidente da CBF em utilizar-se do whatsapp, de acerto para que Marco Aurélio Cunha, um dos labradores da Casa Bandida, seja candidato a presidente do São Paulo é preocupante.

Os caboclos, pai e filho, não são conhecidos nos bastidores pela excelência de princípios.

Em miúdos, o São Paulo passará, tudo indica, a ser uma espécie de satélite da CBF, beijador emérito de mãos imundas.

Por conta disso, as demais agremiações precisam ligar o sinal de ‘atenção’ diante da possibilidade evidente de influência tricolor nos bastidores da bola.

O que não significa, necessariamente, sucesso esportivo ao São Paulo, que, em caso de eleição do afamado ‘MAC’, será gerido por notório incapaz administrativo, responsável, recentemente, pelo constrangedor período de derrotas da Seleção Brasileira feminina, que, apesar de recheada de craques, entre as quais a principal jogadora do mundo, sucumbiu aos desmandos do cartola são-paulino.

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Bolsonaro mente

EDITORIAL DA FOLHA

Vídeo evidencia intento de intervir na PF e revela aparato pessoal de informação

O registro da reunião ministerial de 22 de abril, cuja divulgação foi liberada por decisão de Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, na sexta-feira (22), traz novas evidências conclusivas sobre o que já se suspeitava: o presidente Jair Bolsonaro mente.

Depois do vídeo, a versão presidencial de que queria interferir na sua segurança pessoal, e não na superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, torna-se completamente inverossímil.

Como demonstrou reportagem da TV Globo, menos de um mês antes da reunião Bolsonaro havia promovido o responsável por sua segurança e o substituído pelo então número dois na função.

No vídeo, o presidente fala textualmente: “Já tentei trocar gente de segurança no Rio, oficialmente, e não consegui. E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda (…) porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele. Se não puder trocar o chefe dele, troca o ministro. E ponto final. Não estamos para brincadeira”.

Tudo o que ocorreu depois da reunião se encaixa na narrativa do ex-juiz Sergio Moro. Não há dúvidas de que o presidente trata da PF, um órgão de Estado, quando promete ir até o fim para fazer valer a sua vontade antes que a sua família seja atingida.

De resto, o encontro do ministério entra para a história dos 130 anos da República no Brasil como um dos episódios mais execráveis do exercício do poder presidencial.

Evidencia-se, nos termos chulos, nos rompantes autoritários e nas exibições de incapacidade gerencial diante de uma crise monstruosa, que Jair Bolsonaro aviltou e avilta a Presidência da República, colocada pelos constituintes de 1988 no pináculo do edifício democrático. A democracia que o elegeu é a mesma que tem sido vilipendiada por seus atos e suas falas.

Partem do próprio presidente as ofensas a governadores. O celerado à frente da pasta da Educação quer cadeia para ministros do STF, que qualifica de vagabundos.

Mandatários estaduais e municipais também serão alvo de pedidos de prisão, promete a exaltada ministra que cuida, paradoxalmente, dos Direitos Humanos.

Um elemento a mais aparece no vídeo. Bolsonaro afirma que tem acesso a um dispositivo de inteligência particular. Ora, nada no ordenamento constitucional, nem nos princípios que norteiam as sociedades democráticas, autoriza o chefe de Estado a dispor de um aparelho pessoal de bisbilhotagem.

Por tudo o que se mostrou, o procurador-geral da República, Augusto Aras, está obrigado a aprofundar a investigação acerca da conduta de um mandatário que, além de cercar-se de assessores insanos, autoritários e incapazes, pode ter cometido crimes. Que Aras se mostre à altura do cargo que ocupa.

A apuração não pode se deter, ademais, diante de ameaças abjetas como a do general Augusto Heleno, do GSI, segundo o qual uma eventual apreensão do celular presidencial teria “consequências imprevisíveis”. Dados a baixeza e o desvario mostrados numa reunião formal, assusta de fato imaginar o que Bolsonaro diz em privado.

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Blog do Paulinho #18 (podcast)

 

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Roberto Andrade relembra ‘toma-lá-dá-cá’ que livrou-o do impeachment no Corinthians

Em live concedida a um site de torcedores, o ex-presidente do Corinthians, Roberto Andrade, demonstrou-se bem à vontade na condição de comentarista das coisas do clube.

Se, no exercício do cargo, de alguma maneira, policiava-se nas palavras, nessa entrevista assustou – pelo menos aos que não convivem com ele no Parque São Jorge – pelo baixíssimo nível nível, intelectual e de comportamento, a ponto de fazer seu ‘mestre’, Andres Sanches, parecer erudito.

A preocupação de Roberto era a de reafirmar sua lealdade ao presidente alvinegro, pedindo a aprovação das contas do clube, sob argumentação, destoante da realidade, de que a reprovação prejudicaria as finanças e a imagem alvinegras.

É justamente o contrário.

Se aprovado o balanço, o Corinthians sofrerá punições diversas, perderá a possibilidade de manter o financiamento de impostos, e, além dos dirigentes, todos os coniventes poderão ser apenados criminalmente.

Ao ser questionado se poderia voltar a concorrer à presidência do Corinthians, Roberto deixou aberta a possibilidade: “no futuro”.

Mas as relevações mais importantes foram a defesa da promiscuidade do sistema de relacionamento do clube com os agentes de jogadores e a confirmação do ‘toma-lá-dá-cá’ com o empresário Paulo Garcia, dono da Kalunga, em troca de defendê-lo contra o impeachment.

Roberto afirmou não ver problemas em pagar 30% a determinado agente para contratação de um atleta que interesse ao Timão: “se não aceitar ele vai para outro clube”, disse.

Nesse contexto, ao ver o Timão sendo comparado ao Cruzeiro, Andrade, em delírio, afirmou que o pensamento não era cabível, porque, segundo ele, nesses anos de gestão ‘Renovação e Transparência” nunca houve uma denúncia sequer de corrupção contra cartolas do Corinthians.

“Não sou ladrão”, repetiu algumas vezes.

Por fim, reiterou a importância de Paulo Garcia para travar seu processo de impeachment, confirmando que a indicação, pós processo, dos diretores financeiros e de marketing foram efetivadas pelo empresário, negando, porém, a da diretoria de futebol (que, na verdade, foi também a pedido dele).

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A covardia do General Heleno e o nível do Governo Bolsonaro

Carlos Nuzman (esq.) e General Heleno (dir.)

O Brasil, em meio à pandemia do COVID-19, não necessariamente espantou-se, porque, talvez, a palavra mais adequada seja ‘enojou-se’, com o comportamento do General Heleno e os detalhes do vídeo da reunião ministerial do Governo Bolsonaro, liberados pelo Ministro Celso de Mello.

Todos, de baixíssimo nível.

Heleno, ao vociferar sobre a possibilidade de ordem judicial apreendendo o celular do presidente Bolsonaro, jogou no ar a expressão “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Faltou coragem para detalhar o assunto, embora não seja difícil decifrá-lo.

É triste um país e que o comando das Forças Armadas segue agindo como se fosse, em determinados casos, seguranças particulares do Presidente, noutros, como chefes de milícia à favor de crimes cometidos no exercício do poder.

Se o General Heleno não se conteve a expor seu íntimo autoritário e anti-democrático diante da possibilidade de investigação legítima (se aprovada pelo STF) contra possíveis atos criminosos da Presidência da República, do que não seria capaz se o telefone ‘confiscado’ fosse aquele que o próprio milico utilizou durante a organização das Olimpíadas de 2016, quando, ao lado de Carlos Nuzman – que logo depois foi preso – participou de evento marcado pela corrupção?

Após esse ato, que deve ser considerado como ameaça, não apenas aos poderes constituídos, mas também à toda população brasileira, vieram os vídeos da reunião ministerial em que Jair Bolsonaro e seus asseclas apresentaram-se, infelizmente, como esperado.

Um show de baixarias, preconceitos e a constatação de utilização da máquina pública contra os menos favorecidos e à favor da defesa dos desvios de conduta da família miliciana.

Desprezíveis, como Ricardo Salles, sugerindo utilizar o momento de comoção diante dos mortos do COVID-19 para aprovar reformas ‘infralegais’ em desfavor meio ambiente (Amazônia); Paulo Guedes sugerindo vender a ‘porra’ do Banco do Brasil; Bolsonaro confirmando a existência de um sistema de espionagem particular, além de exigindo a troca do comando da PF, no Rio de Janeiro, nitidamente porque investigava um de seus bandidinhos; presidente do Banco do Brasil sugerindo pedido de vantagens por emissora de tv, etc.

Se é discutível a possibilidade dos vídeos alicerçarem, de maneira contundente, ação criminal contra o presidente, não há dúvidas sobre os objetivos, a má-fé e a falta de compostura dessa gente.

Os 75% da população que não apoiam o fascismo bolsonarista precisam se mobilizar antes que as ameaças, ainda apenas no âmbito da covardia, do general Heleno possam evoluir para um movimento golpista alicerçado em apoio militar, oficial e de milícias, como as que estão sendo formadas em Brasília, acampadas, no aguardo de ordens, para, tudo indica, vilipendiarem os demais poderes constituídos.

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‘Deus’ e ‘Brasil’, pelos pensadores Pato e Felipe Melo

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CAIXA, BAND, Datena e as ‘mulheres de César’

Na desnivelada reunião ministerial do Governo Bolsonaro, exposta sob autorização do Ministro Celso de Melo, o presidente da CAIXA, Pedro Guiamarães, foi bem claro:

“Acho que a gente tá com um problema de narrativa. Hoje de manhã, por exemplo, o pessoal da Band queria dinheiro. O ponto é o seguinte: vai ou não vai dar dinheiro pra Bandeirantes? Ah, não vai dar dinheiro pra Bandeirantes? Passei meia hora levando porrada, mas repliquei”

Obviamente, provas precisam surgir à mesa para que se de crédito à afirmação.

Porém, paralelamente, o comportamento da BAND com relação a Bolsonaro é, no mínimo, bem suspeito.

Não à toa o apresentador José Luiz Datena, que tem se comportado, há meses, como assessor de imprensa informal de Bolsonaro – levando-o ao programa, em entrevistas marcadas pela ausência de contraponto, sempre após o estouro de algum escândalo – vestiu a carapuça e, previamente, defendeu-se, afirmando que não mais participará de conversas, no ar, com o presidente.

Já é tarde para arrependimentos.

Não só a BAND e seu âncora, mas também SBT (com Ratinho e Silvio Santos) e RECORD (do inqualificável Edir Macedo), além doutras com menor visibilidade, serão lembradas pelos livros de história como associados aos tempos em que o Brasil se viu sequestrado pelo fascismo.

Se Datena, a BAND ou outra pessoa da emissora pegaram dinheiro?

Somente investigações profundas e, talvez nem elas, poderão comprovar.

Ainda que gratuitamente ou até remunerados de maneira legal, através de formalizados contratos comerciais, as ‘mulheres de César’, mesmo em sendo, não estão, como diz o velho ditado, aparentando honestidade.


EM TEMPO: o episódio dá margem, também, à discussão sobre jornalistas que fazem merchan e a inevitável falta de credibilidade quando assuntos envolvendo o ‘pagador’ são elogiados pelo ‘beneficiado’.

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União para derrotar Bolsonaro é urgente, diz Freixo

Da FOLHA

Por MARCELO FREIXO

Deputado do PSOL explica por que desistiu de candidatura em nome de frente contra o fascismo


[RESUMO] Deputado federal, que desistiu de candidatura à prefeito do Rio, defende que amplo espectro político democrata se una contra projeto fascista do bolsonarismo, que tem base considerável e mobiliza setores da segurança pública e das milícias em torno do presidente.

Recorri recentemente a uma imagem inspirada na sátira “Cândido, ou o Otimismo”, escrita pelo filósofo francês Voltaire ( 1694-1778) em 1759, para alertar o campo democrático sobre a urgência de nos unirmos para frear o avanço do fascismo no Brasil.


No fim do livro, após ser submetido a uma sucessão de desgraças tão cruéis quanto as que vivemos agora, Cândido conclui que a melhor forma de lidar com as perversidades do mundo é por meio do recolhimento e da disciplina no cuidado de si: “Devemos cultivar o nosso jardim”.

Apesar da beleza poética da imagem, vivemos um momento no Brasil que não permite que continuemos a nos comportar como o herói voltairiano. Não podemos seguir cuidando das nossas flores quando um tufão já começa a arrancar nossas casas.

Não vivemos um tempo de normalidade, em que as tradicionais polarizações se manifestavam dentro dos marcos democráticos. Pela primeira vez temos no poder um governo eleito de extrema direita, com uma base social relevante e um projeto de poder fascista.

A democracia não é uma formalidade que se resume à realização de eleições. Ela é uma experiência concreta, prática cotidiana, que inclui desde o pleno funcionamento das instituições até o respeito à pluralidade de ideias, liberdades e garantias coletivas e individuais.

Esses valores estão sendo vorazmente destruídos pela sanha autoritária do presidente da República e seus seguidores mais radicais, que transformaram a violência e a intimidação em instrumentos de ação política.

Hoje, apesar de todas as barbaridades, Bolsonaro é aprovado por cerca de 25% do eleitorado e mantém uma base fanática, que o apoia de forma incondicional, de aproximadamente 10% dos brasileiros. Se não reagirmos para mantermos o setor mais radicalizado isolado a esses 10%, corremos o risco de vê-lo se ampliar rumo aos 25% da população.

Diante dessa constatação sombria, o campo democrático precisa estar à altura do desafio e ser capaz de abrir mão dos projetos pessoais e partidários, superar as diferenças e se unir na defesa de algo maior: a vida, os direitos e a democracia, ameaçados pela dupla tragédia do fascismo e da pandemia.

Não precisamos de um grande líder para derrotar Bolsonaro. Necessitamos de um grande projeto de reconstrução nacional, que abra espaço a todas as nossas lideranças e seja capaz de superar o projeto autoritário bolsonarista.

Essa nova plataforma precisa resgatar o espírito da Constituição de 1988, erigida sobre os escombros da ditadura como uma anunciação da democracia que desejamos. Um projeto que seja calcado na redução das desigualdades e na garantia da dignidade de todos os brasileiros, através do fortalecimento do SUS, da valorização da educação pública, da elaboração de uma política de segurança que respeite a vida nas favelas e nas periferias e do compromisso com a preservação ambiental.

retirada da minha candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro é um gesto em prol da unidade. Estou me colocando a serviço da construção desse novo projeto de Brasil.

Faço isso com o sentimento de urgência de quem, por ser do Rio, conhece de perto a gênese e o significado do projeto bolsonarista, fermentado no esgoto do submundo carioca e sustentado pelo tripé política, polícia e crime organizado.

A essência dessa combinação pode ser traduzida pela relação do clã com as milícias, que são quadrilhas formadas por agentes da segurança pública corruptos que dominam e exploram economicamente e eleitoralmente territórios pobres através do terror. Esse controle territorial confere ao fascismo da família Bolsonaro uma forte coloração de máfia.

Em 2008, eu presidi a CPI das Milícias na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), que resultou na prisão de todos os chefes de quadrilha. Em março daquele ano, o patriarca da família deu entrevista à BBC defendendo a legalização das milícias e dos seus negócios, revelando a simbiose de interesses entre o clã e o crime organizado.

“Elas oferecem segurança e conseguem manter a ordem e a disciplina nas comunidades. O governo deveria apoiá-las. E, talvez, no futuro, legalizá-las”, declarou.

Uma das peças para entender essa associação é o ex-policial militar e homem de confiança da família, Fabrício Queiroz. Operador do esquema das rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, Queiroz construiu sua carreira em batalhões situados em áreas controladas por milícias. Após deixar a corporação, passou a representar os interesses dos Bolsonaro nesses territórios.

Queiroz apresentou o matador Adriano da Nóbrega ao clã. Os dois serviram no mesmo batalhão da PM e responderam juntos por homicídio. Adriano já tinha extenso currículo, havia trabalhado para a máfia dos caça-níqueis e mantinha negócios em áreas de milícia.

Parentes do criminoso eram laranjas nomeados no gabinete de Flávio para desviar dinheiro público. E o próprio Adriano, quando estava preso por assassinato, recebeu das mãos do 01, dentro da cadeia, a mais alta comenda do Legislativo fluminense, a Medalha Tiradentes.

Ao assumir a presidência, o chefe do clã passou a usar o cargo para expandir e a aprimorar essa estrutura de poder fascio-miliciana, essencial ao seu projeto de poder.

O que caracteriza o fascismo bolsonarista? O aspecto mais perigoso é a subversão do papel institucional das forças de segurança, que em vez de servirem ao Estado passariam a atuar como guardas armadas presidenciais. O motim da PM no Ceará, alimentado por lideranças ligadas ao presidente, e a tentativa de interferência na Polícia Federal são exemplos disso.

Paralelamente a essa ação dentro da estrutura estatal, Bolsonaro vem publicando ilegalmente decretos que destroem a legislação de controle de armas e munições para facilitar o armamento dos seus grupos radicais de apoiadores e disseminar a violência.

O objetivo é formar milícias políticas que assumam o front da ofensiva golpista. Algo semelhante ao que ocorreu na Bolívia em 2019, quando grupos paramilitares promoveram uma série de ataques a instituições e autoridades ligadas ao governo, viabilizando o golpe de Estado. Um exemplo desse experimento é o grupo 300 pelo Brasil, que está acampado em Brasília e participou das agressões a enfermeiros e jornalistas.

Ao mesmo tempo que cria milícias políticas, Bolsonaro coloca em cargos-chave do governo generais linha-dura sem qualquer compromisso democrático, como deixou claro o vice-presidente Hamilton Mourão em artigo publicado no dia 14 de maio no Estadão, em que tratou as instituições republicanas como empecilhos ao exercício do poder presidencial.

Entretanto, as estratégias do presidente para ampliar seus próprios poderes não se baseiam apenas na violência e na militarização do Planalto.

Bolsonaro construiu, associando-se a lideranças e partidos evangélicos, uma rede capaz de capilarizar sua base de apoio por todo o Brasil e legitimar o autoritarismo do seu governo por meio da criação da imagem do líder que recebeu de Deus a missão de governar e de salvar o Brasil, algo que é constantemente dito nos cultos de que o presidente participa.

Os petardos disparados diariamente contra o jornalismo, a ciência e a cultura também fazem parte dessa operação na esfera do simbólico para reforçar a sua autoridade.

Mais do que tentar intimidar seus interlocutores e estimular agressões a jornalistas, o presidente deseja criar uma nova economia da verdade, destruindo a legitimidade das fontes tradicionais de produção de informação e conhecimento.

É lugar comum afirmar que ditadores não toleram dissenso, crítica e liberdade expressão, mas às vezes esquecemos como eles também odeiam os fatos, que nem sempre podem ser controlados.

Por isso é central ao sucesso do seu projeto decretar a morte dos fatos jornalísticos e científicos e transformar a verdade em algo fluido, alheio ao campo da razão, disseminado através de grupos de WhatsApp e disputado na gritaria das redes sociais.

Essa operação narrativa é o passo decisivo que permite a conversão em mito do homem que sempre representou o que há de pior no banditismo político brasileiro e que agora está comprando o apoio de parlamentares do centrão, antiga tropa de choque de Eduardo Cunha.

Entretanto, a encarnação do mito, no bolsonarismo, não é só uma legitimação simbólica, é principalmente um chamado à ação para os seus seguidores.

Isso porque, apesar do desígnio divino, sozinho o líder não conseguirá realizar a missão para a qual foi destinado, pois é constantemente fustigado pelas forças do mal, representadas principalmente pelo sistema político —Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Por isso a ideia de destruição do sistema é tão presente e crucial para a retórica bolsonarista. É a reencenação farsesca do embate entre David e Golias.

Logo, a produção de crises é uma questão de sobrevivência política e coerência narrativa. Cada conflito é meticulosamente escolhido, calculado e teatralizado para reforçar a imagem do líder interditado.
A conclusão não poderia ser mais cristalina: o mito só cumprirá seu propósito quando o sistema, que é a democracia, for destruído.

O historiador Eric Hobsbawm (1917-2012) cravou em 1914 o início do século 20, inaugurado pelos horrores da 1ª Grande Guerra. Sei das armadilhas da historiografia do tempo presente, mas arrisco dizer que o século 21 está nascendo neste exato momento, também marcado pelo signo do horror da pandemia e do avanço de governos autoritários no mundo.

O novo tempo começa conclamando as forças democráticas a assumirem a responsabilidade e se unirem numa grande concertação para impedir o avanço da tirania. Tanto um golpe de Estado quanto a reeleição de Bolsonaro em 2022, pela radicalização autoritária que se seguirá, representarão o fim da democracia.
Não podemos repetir os mesmos erros do passado. Deixemos as flores dos nossos jardins para depois, caso contrário o tufão levará de arrasto a vida e as conquistas históricas do povo brasileiro.

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Abraham Weintraub é inteligente, divertido e bonito

Da FOLHA

Por RENATO TERRA

Humor acima de tudo. Golden shower em cima de todos

Assim que tomei ciência do ímpeto presidencial de demitir o integrante de sua equipe que recebesse elogios da Folha de S.Paulo, fui surpreendido por um sentimento de ternura ao me deparar com uma foto de Abraham Weintraub. Não havia notado que os contornos apolíneos de sua barba lhe conferiam ares de imperador. Como se seu rosto fosse esculpido por anjos. Sua voz é uma brisa límpida que provoca uma balbúrida na alma de quem ouve.

Teria eu ficado cego pela ideologia marxista a ponto de não perceber tão belos traços?

Despido de pudores, preconceitos e roupas de baixo, debulhei-me em vídeos de Weintraub. Fiquei mesmerizado diante de sua verve, seu raciocínio olímpico, seu humor mágico. Não sei se foram as gargalhadas ou por notar o significado singular de sua existência: só sei que as lágrimas tomaram conta de meu rosto.

Um homem que quer reescrever a língua portugueza. Um mártir que oferece seu corpo e sua mente em prol de um projeto de Brazil. Um pedaço de mau caminho. Weintraub não é um pão – é um brioche.

Ao seu lado no Olimpo dos Deuses Públicos consigo apenas enxergar o incansável Ricardo Salles, que é tão lindo que não quer a Amazônia competindo com o verde dos seus olhos. Além do gênio Ernesto Araújo e da brilhante Damares Alves.

Sem falar nas madeixas reluzentes que fazem Osmar Terra parecer um Sansão. Aquele bigode, meu Deus, que mistura a virilidade de Tom Selleck, o charme do Belchior e a astúcia de um Inspetor Clouseau.

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