Anúncios

Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar disputam prêmio de melhor do mundo pela FIFA

setembro 22, 2017

A FIFA revelou que Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar são finalistas para a premiação individual principal da entidade: a de melhor jogador do mundo em 2017.

O evento de premiação ocorrerá no próximo dia 23 de outubro.

Mudanças no regulamento podem interferir a disputa, gerando vantagem ao atleta mais popular em mídias sociais.

Agora, 50% do peso da votação será oriunda de votação pela internet, com o restante sendo decidido por um colégio eleitoral de notáveis do futebol.

Ainda assim, por conta da campanha do Real Madrid na última temporada, o favoritismo é de Cristiano Ronaldo, apesar do melhor do mundo, há decadas, de fato ser Lionel Messi.

Neymar segue em busca do reconhecimento, deverá ser bem votado pelos internautas, mas ainda não tem bola, nem bala na agulha, para superar a dupla que domina o futebol mundial há algum tempo.

Anúncios

Lobista é flagrado sujando as mãos pela CBF

setembro 22, 2017

Senador João Afonso (PMDB) e Vaderbergue Machado (CBF)

Na última terça-feira (19), Vanderbergue Machado, notório lobista da CBF, tratado no universo político como “amarra-cachorro” do senador Renan Calheiros, conforme revelou o ex-senador Delcídio do Amaral à revista Piauí, em junho de 2016, foi flagrado em conversas nada republicanas com o senador João Alberto (PMDB-MA), membro da mal-afamada “Bancada da Bola”.

O objetivo era o de orientar voto contrário ao Projeto de Lei do Senador Romário, que eleva as diversas seleções esportivas (vôlei, basquete, futebol, handebol, etc), sejam elas masculinas ou femininas, em todas as categorias, ao patamar de “Patrimônio Cultural Brasileiro”.

É evidente o temor da CBF: se aprovada a PL, segundo entendimento do relator José Medeiros, “as seleções poderão usufruir das ações de governo voltadas para a salvaguarda da nossa cultura”.

Ou seja, tornar-se-iam, também, passíveis, com mais nitidez, de sanções, regulamentações e investigações de órgãos públicos, fugindo do discurso de “entidade privada”, passando à condição de gestora, oficial de “patrimônio brasileiro”.

Em 2013, o Blog do Paulinho revelou, com exclusividade, que a CBF pagou mais de R$ 6,5 milhões em salários para Vanderbergue, com única função de que este, por conta de contatos políticos importantes, trabalhasse em Brasília para cooptar deputados, senadores e demais serviçais para manobras favoráveis à entidade, consequentemente, ruins para o futebol brasileiro:

https://blogdopaulinho.com.br/2013/09/20/em-11-anos-cbf-pagou-mais-de-r-65-milhoes-em-salarios-para-diretor-fazer-lobby-em-brasilia/

Ontem, em São Paulo, o senador Romário lançou o livro “Um olho na Bola, outro no Cartola”, em que as peripécias do lobista, ao longo de mais de uma década, são relatadas, em detalhes.

Promiscuidade eleitoral no Corinthians atinge o grupo “Churumelas”

setembro 22, 2017

Ontem, no Parque São Jorge, o grupo “Churumelas”, que, apesar de formado, quase na totalidade, por associados e conselheiros do Corinthians, sempre apresentou-se como organização apolítica, voltada apenas à prática da caridade, ganhou espaço físico dentro do clube, cedido em período eleitoral.

Pegou mal.

Não por conta da ajuda do Timão (até pelo contexto dos participantes), mas pelo fato de, após tantos anos, ter sido oferecida (e aceita) às vésperas do pleito eleitoral, com direito a placa de inauguração e a presença do presidente alvinegro.

É tênue a linha da promiscuidade.

Porém, levando-se em consideração que um dos líderes do “Churumelas” é “expert” em manobras eleitorais no Parque São Jorge, ocupante, desde a atual gestão, da secretária da presidência no Corinthians, não é de toda surpreendente a iniciativa.

No fim, se deu bem que já é conhecido pela flexibilidade política e mal os que discursam moralidade, mas mostraram-se absolutamente confortáveis ao lado daqueles cujas práticas dizem abominar.

Confira abaixo áudio de reclamação de associado do Corinthians por conta da liberação de estacionamento alvinegro, com desconto, para membros do “Churumelas”, inclusive “não sócios”, confirmando parte das benesses eleitorais:

EM TEMPO: em contato com o Blog do Paulinho, o líder do grupo “Lava-Jato-99”, Roberto William Miguel, o Libanês, acrescentou que o secretário da presidência, Antonio Rachid, não permitiu que se colocasse o nome dos fundadores na placa do Churumelas porque entre os quais estava um de seus desafetos políticos, Fred Espósito, (falecido), pai de Fred Marcelo Espósito, membro da “Lava-Jato-99”

Ouça a rádio Rock n’ Gol ao vivo !

setembro 22, 2017

http://rockngol.com.br

Blog do Paulinho

Coluna do Fiori

Palmeiras perde ação por “erro grosseiro” de advogado e passa vergonha na Justiça

setembro 22, 2017
Resultado de imagem para André Muszkat

André Muszkat

Na ultima terça-feira (19), o Palmeiras ingressou com ação contra a FAAP (Federação das Associações de Atletas Profissionais), mais um desses Sindicatos que vivem de explorar clubes de futebol.

O objetivo era discutir possíveis valores indevidos cobrados pelos espertalhões.

Porém, no dia seguinte (20), o processo foi extinto, segundo sentença do juíz Carlos Eduardo Borges Fantacin, da 26ª Vara Civil de São Paulo, por “erro grosseiro no ajuizamento, em patente desconformidade com as normas processuais”.

Um vexame.

André Muszkat foi o advogado palestrino, autor da lambança, demonstrando que a incompetência do departamento vai além de fechar os olhos para o estatuto para favorecer eleição de notória e endinheirada espertalhona.

Invasão da PUC de São Paulo durante a ditadura completa 40 anos

setembro 22, 2017

Nadir Kfouri, reitora da PUC, recusa-se a estender a mão ao Secretário de Segurança Erasmo Dias: “não cumprimento assassinos”

Da FOLHA

Por MARCOS RODRIGO ALMEIDA

Há 40 anos, a PUC de São Paulo foi alvo da última grande operação da ditadura contra o movimento estudantil.

Em 22 de setembro de 1977, 3.000 policiais do Estado de São Paulo, em harmonia com o regime militar em vigor no país, invadiram a Pontifícia Universidade Católica e interromperam um atividade pública dos estudantes.

A ação resultou na detenção de 854 pessoas, levadas ao Batalhão Tobias de Aguiar. Delas, 92 foram fichadas no Deops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo) e 42 acabaram processadas com base na Lei de Segurança Nacional, acusadas de subversão.

A despeito disso, o ato dos alunos saiu vitorioso: tornou-se bandeira da resistência pacífica contra os militares e impulsionou o processo de reconstrução da UNE (União Nacional dos Estudantes), então na ilegalidade.

Em junho de 1977, a tentativa de realizar o terceiro Encontro Nacional dos Estudantes em Belo Horizonte foi frustrada pelas forças militares, que cercaram a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), sede da reunião.

Uma reconvocação em 21 de setembro daquele ano, em São Paulo, também acabou sendo impedida. No dia seguinte, a PUC amanheceu cercada por agentes do governo, mas cerca de 70 alunos conseguiram realizar ali uma sessão secreta, no final da manhã, na qual foi eleito um comitê para retomar as atividades da UNE.

Pela noite, em ato com quase 2.000 pessoas, os alunos comemoraram a realização do encontro e anunciaram suas deliberações. Cerca de 20 minutos depois, às 21h50, tropas invadiram o campus.

“Foi uma cena assustadora. Os policias batiam com cassetete e jogavam diversos tipos de bomba. A PUC parecia uma praça de guerra”, relata Beatriz Tibiriça, uma das estudantes processadas.

Enquanto empreendia suas buscas, a polícia depredou salas de aula e outras instalações da universidade. Os estudantes detidos foram conduzidos em fila indiana e de mãos dadas ao estacionamento.

“E os agentes davam pancada quando a fila parava. Ninguém imaginava que uma violência daquele grau pudesse ocorrer contra uma manifestação pacífica”, conta Anna Bock, professora de psicologia da PUC. Seis estudantes sofreram queimaduras.

O coronel Erasmo Dias (1924-2010), então secretário de Segurança Pública de São Paulo, comandou pessoalmente a operação.

Erasmo Dias tornou-se figura folclórica na época por sua atuação enérgica contra os “agentes subversivos”. “Vamos almoçar essa gente antes que ela nos jante”, afirmou certa vez.

No caso da PUC, pode-se dizer que o coronel foi quase “jantado” pela reitora da PUC, Nadir Kfouri (1913-2011). Quando estendeu a mão para saudá-la, a reitora afirmou que não cumprimentava assassinos e virou as costas.

Além do barulho das bombas, um outro som ficou na lembrança de muitos dos alunos.”Eu quero a Veroca e o Marcelo”, bradava Dias.

Referia-se ao jovem casal Vera Paiva e Marcelo Garcia e Souza (1954-1984), ambos líderes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da USP.

Nenhum dos dois estava lá -naquela noite, ajudavam estudantes de outros Estados a saírem de São Paulo.

“Além de minha atuação no DCE, acho que ele me procurou por causa de meu pai”, avalia Vera. Ela é filha do deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura em 1971.

Após triagem na PUC, 854 pessoas foram transferidas para o Batalhão Tobias de Aguiar. Por volta das 5h30 do dia 23, os estudantes começaram a ser liberados.

Segundo reportagem da Folha publicada no dia 24 de setembro de 1977, o comandante da PM naquela época, o coronel Francisco Batista Torres de Mello, procurava tranquilizar parentes dos alunos.

“Pode ficar tranquila, minha senhora. Ninguém está sendo maltratado. Imagine a senhora se iríamos bater nos meninos”, disse a uma mãe.

Hoje, aos 92 anos, Torres de Mello diz que a invasão foi um erro. “Não havia necessidade, a violência não leva a nada. Nós tentamos evitar, mas não houve tempo. Somos treinados para a guerra, mas preferimos a paz. Seria tão bom se todo mundo se amasse, se compreendesse.”

Por volta das 5h30 do dia 23, os estudantes começaram a ser liberados.

Em 1978, o inquérito contra os alunos foi arquivado. No ano seguinte, o Congresso de Reconstrução da UNE foi realizado em Salvador, sem represálias policiais.

Bolsonaro, o homofóbico homem das cavernas, critica Dória por casamento gay

setembro 22, 2017

Assine o canal do Blog do Paulinho no YouTube !

setembro 22, 2017

Pra ter acesso a conteúdos exclusivos do Blog do Paulinho assine nosso canal do YouTube:

https://www.youtube.com/user/paulinhonet

Outras mídias sociais do blog:

Twitter: @blogdopaulinho

Facebook: http://www.facebook.com/blogdopaulinho.com.br/

Instagram: http://www.instagram.com/blogdopaulinhooficial

WhatsApp: (11) 98402-3121

Palavra da CBF não durou cinco dias

setembro 21, 2017

Na última segunda-feira, o presidente da CBF, sobrepondo-se ao comando da arbitragem nacional e à Rede Globo, única operadora capaz de gerir o sistema, declarou: “teremos árbitro de vídeo na próxima rodada do Brasileiro”.

A palavra de Marco Polo Del Nero não resistiu a cinco dias de debates.

Ontem, a CBF voltou atrás, diante do evidente quadro de despreparo dos árbitros que serviriam de operadores dos equipamentos, da impossibilidade de, às pressas, ser atendida a contento pela emissora e a oposição dos clubes, descontentes em gastar R$ 30 mil por partida para manter o sistema.

Sem poder viajar para esconder-se do vexame, Del Nero terá que engolir, a seco, mais esta derrota.

Ex-presidentes do Corinthians decidem apoiar oposicionista na luta pela presidência

setembro 21, 2017
A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé e área interna

Valdemar Pires, Roque Citadini, Marlene Matheus e Alexandre Frota

Ontem, em evento que reuniu mais de 100 apoiadores em sua residência, o candidato a presidente do Corinthians, Roque Citadini, lançou o site de campanha, que leva o nome de sua chapa: “Corinthians mais Forte”.

http://corinthiansmaisforte.com.br

Dois ex-presidentes alvinegros comparecerem, declarando voto e apoio ao oposicionista: Valdemar Pires, que dirigiu o clube na histórica “Democracia Corinthiana” – a verdadeira, e a lendária Marlene Matheus, esposa do mais famoso mandatário alvinegro, Vicente Matheus.

Durante a semana, soubemos, o delegado Mario Gobbi, ex-presidente, também estaria apoiando Citadini.

Grande surpresa no encontro foi a presença do ator Alexandre Frota, criador do time de futebol americano alvinegro, que prometeu trabalhar na campanha.

Até o momento, dois são os candidatos declarados: Roque Citadini, que recebeu 43% dos votos oposicionistas na última eleição e Romeu Tuma Junior, que acolheu alguns conselheiros eleitos no grupo de Andres Sanches.

Outros três insinuam candidatura: os situacionistas Andres Sanches e Paulo Garcia (no caso do deputado, por questões judiciais, ficar fora da disputa) e Osmar Stabile, oposicionista.

A imagem pode conter: 16 pessoas, pessoas sentadas e área interna

A imagem pode conter: 2 pessoas, área interna

Ouça a rádio Rock n’ Gol ao vivo !

setembro 21, 2017

http://rockngol.com.br

Blog do Paulinho

(hoje não teremos a exibição do programa Blog do Paulinho, que retornará amanhã, às 10h30, horário habitual)

O vexame do Santos e a glória do Grêmio

setembro 21, 2017

O Santos, assim como o Grêmio, desistiram do Campeonato Brasileiro, quase desde o início, jogando-o no colo do rival Corinthians, com objetivo único de vencer a Copa Libertadores da América.

Uma tática, evidentemente, arriscada.

Vencer levará à glória, perder ao desastre total.

Por enquanto, o Grêmio, ao superar o Botafogo, parece talhado à conquista, time coeso que é, praticante do melhor futebol jogado no Brasil em 2017, principalmente porque nas semifinais, em vez do Santos, enfrentará o modesto Barcelona do Equador, que aplicou ao time da Vila, presidido por um “Modesto” dos mais incompetentes, um dos maiores vexames de sua história.

O Peixe perdeu por um a zero em casa, jogando com um homem a mais grande parte do tempo de jogo, quando precisava apenas empatar para garantir a classificação.

Jogou o ano no lixo, literalmente.

Castigo que se estende às burras “organizadas” do clube, marginais que certamente estimularam o adversário ao, por não trabalharem, descompromissados com o dia seguinte, passaram uma madrugada inteira soltando fogos às portas do hotel da equipe adversária.

No placar agregado, divertiam-se os rivais após a partida, somando ambos os Barcelonas, o da Espanha, que impôs ao Peixe humilhantes oito a zero e quatro a zero, e o do Equador, empate em um a um e vitória de um a zero, o resultado final seria de quatorze a um.

O Grêmio, que é melhor que o Santos, tem tudo agora para superar os equatorianos, e, se a rodada de hoje confirmar a eliminação do River Plate, tornar-se favorito absoluto para a conquista da Libertadores.

Ao Santos resta lamber as feridas e acordar para o futuro, apesar de que este promete ser ainda mais nebuloso pelo que se vê na listagem de candidatos que se apresentam para geri-lo nas próximas eleições, desde a manutenção da turma de Marcelo Teixeira até composição de oposicionista que se dizia honesto com gente como Orlando Rollo

EM TEMPO: sujeito que cospe no outro, como fez o santista Bruno Henrique com o adversário, não merece vestir camisa de clube grande

Os “odiadores” e a maldade com Renata Fan

setembro 21, 2017

Em meio à polêmica gerada pelo gol irregular marcado com o braço pelo jogador Jô, do Corinthians, que deu a vitória ao clube de Parque São Jorge contra o Vasco da Gama, a apresentadora Renata Fan, em seu programa, comentou:

“Eu pergunto para você, Denilson: ‘Você roubou o meu anel?’. Você vai falar: ‘Renata, claro que não’. Aí uma câmera na minha casa mostra que você roubou. Aí eu falo assim: ‘Não, Denílson, mas a câmera da minha casa mostra você pegando meu anel’. Aí você fala: ‘Ah, é mesmo, roubei’. Então, o que a gente está falando é de ter iniciativa, de falar a verdade sempre, não porque os outros estão pressionando”

Qualquer pessoa minimamente capaz de interpretação básica de texto entendeu que Renata não tratou o artilheiro alvinegro com desrespeito, apenas comparou episódios distintos em que os protagonistas decidiram não falar a verdade.

Mas os “odiadores” da internet, inteligentes, distorceram o episódio para divertirem-se com a burrice elevada da grande maioria dos usuários de rede sociais brasileiras, incapazes de enxergar um palmo à frente do nariz, vitimas fáceis de manipulação.

Aliados ao fanatismo de alguns torcedores, estes fomentaram, com sucesso, a versão de que a apresentadora teria comparado Jô a um ladrão, o que, evidentemente, não é verdade.

Espaço aberto, imprescindível e relevante para democratização da informação, as mídias socais, lamentavelmente, tornaram-se também terreno fértil para divulgação de mentiras e exposição do que há de pior entre os mais lamentáveis seres humanos.

Um episódio da Ditadura brasileira contado por Juca Kfouri

setembro 21, 2017

Resultado de imagem para confesso que perdi

(Trecho do livro “Confesso que Perdi”, escrito por JUCA KFOURI, que será lançado, ainda este mês, pela Companhia das Letras)

Não havia pós‑graduação à noite e a Abril me liberava para fazer o curso, algo impossível com a Placar, porque a abertura da revista se dava às terças, dia de expedir as pautas e cobrar as anteriores, função do chefe de reportagem.

Bem mais tarde soube que em minha classe a maioria fazia parte, como eu, de grupos clandestinos. Já aos 17 anos, eu era do chamado “grupo de apoio” da Ação Libertadora Nacional, a ALN, organização de combate à ditadura comandada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira.

Ajudava a fazer a documentação para quem tinha de sair do Brasil e, depois da morte de Marighella, em 1969, servi como motorista de Câmara Ferreira, o Toledo, ou o Velho, a quem devo o fato de estar vivo. Ajudei a fazer os documentos, por exemplo, do publicitário Carlos Knapp, o Washington Olivetto dos anos 60 em São Paulo, dono da badalada agência Oficina de Propaganda.

Knapp dirigia seu Mercedes‑Benz com Marighella para cima e para baixo, além de esconder o guerrilheiro em sua residência, no elegante bairro paulistano do Jardim Europa, a 300 metros da casa do comandante do II Exército. Ninguém desconfiaria que dentro de um carrão raro como aquele na cidade pudesse estar o “inimigo público número 1” da ditadura.

Não foi fácil tirá‑lo do país, pois Knapp usa bota ortopédica por causa de uma osteomielite sofrida na infância.

Relato apenas este caso porque o próprio publicitário já o contou em suas memórias Minha Vida de Terrorista.

Mas não foi por nada disso que na noite de 7 para 8 de setembro de 1971 fui preso e levado para o DOI‑Codi, na rua Tutoia, o inferno chamado de Operação Bandeirantes.

Em plena Semana da Pátria na faculdade, fui estudar com três colegas no apartamento de um deles no Guarujá. Na volta a São Paulo, os convidei para tomar cerveja em minha casa. Dois aceitaram o convite. O terceiro, Guido Mantega, não aceitou. Passamos a brincar com ele por ser um cara de sorte e com ele viajei, no ano seguinte, até a região dos lagos quentes de Osorno, no Chile, de automóvel.

Pouco antes da meia‑noite, quando nos preparávamos para deitar, minha primeira mulher, Susana, que aniversaria no dia 8 de setembro, e eu ouvimos a campainha tocar forte e a porta do apartamento ser esmurrada. Quando abri, sei lá quantos homens armados de metralhadora entraram na sala.

Apavorante e ridículo. Apavorante por motivos óbvios, ridículo porque até um faqueiro, cuja chave foi impossível localizar em meio àquela cena, eles ameaçaram explodir, por suspeitar que nele houvesse armas.

Nos levaram para a rua Tutoia, de onde só nos soltaram no início da noite seguinte. Durante a madrugada e o dia inteiro ouvimos um de nossos colegas gritar sob tortura.

No meio da madrugada, fui interrogado. Eu podia saber por que estava sendo preso, mas sabia, também, que eles não sabiam por que haviam me prendido. Nenhum dos dois colegas tinha a menor ideia do que eu fizera na ALN, da qual já estava desligado.

Com muito medo, mas firme, comecei a responder ao interrogatório.

– Você é comunista?

– Não – menti.

– Mas socialista você é?

– Socialista é o ideal cristão – respondi.

– Você tem um primo procurado como terrorista – afirmou o interrogador.

– Como tenho outro que é o braço direito do governador Laudo Natel.

(O primo procurado era João Carlos Kfouri Quartim de Moraes e o braço direito do governador era Henri Aidar.)

– Por que você tem tantos livros subversivos?

– Não são subversivos, são livros de estudo da faculdade.

– Sua mulher já viu seu amigo pelado?

– É claro que não.

– Pois vai ver agora e vai chupar o pau dele na sua frente.

Tomado pelo pavor e pela indignação, reagi:

– Sou um cidadão comum, pago meus impostos, vocês não têm nada contra mim e eu exijo ser bem tratado e ficar ao lado de minha mulher.

O interrogador, de cabelo cortado rente e não mais de 35 anos, levantou‑se irritado e me deu um tapa no rosto, gritando:

– Vocês saem na chuva e não querem se molhar. Você vai ficar com ela até que a gente saiba tudo. Daí você vai ver o que é bom, porque aqui pode ser o céu ou o inferno.

No fim da tarde, sem mais, outro policial entrou na salinha em que estávamos confinados e disse que poderíamos ir embora, mas que não falássemos nada para ninguém sobre o que havia acontecido e que olhássemos para o episódio como experiência de vida.

Dias depois, sempre seguido por dois homens aonde quer que fosse, inclusive um jogo entre Corinthians e Vasco no Parque Antarctica, fui chamado a depor no Dops. Nome do delegado que me interrogou: Alcides Singillo, mais tarde denunciado por ter participado da prisão ilegal e ocultação do paradeiro do lavrador Manoel Conceição Santos. Quando vi o sobrenome numa placa sobre sua mesa, pensei em Kafka: dr. Singillo!

Minha ficha no Dops diz que meu nome de guerra é… é… Juca! De fato. Um tio foi o responsável. Eu tinha uns 3 anos.

O que nos levou à prisão foi o carro mal estacionado de um dos colegas. Pela placa levantaram sua identidade e souberam que ele já tinha sido preso por subversão. Abriram o carro, havia panfletos, esperaram por sua chegada e o fizeram dizer de onde vinha.

O constrangedor silêncio das Confederações

setembro 21, 2017

Por ALBERTO MURRAY NETO

É certo que a maioria da Confederações desportivas que compõem a assembleia geral do Comitê Olímpico do Brasil (“COB”) querem ver o Nuzman e a turma dele pelas costas. E isso não é de hoje. Mas também é correto que, mesmo em face dos gravíssimos fatos apurados pela operação Unfair Play, uma tragédia anunciada, às Confederações faltam coragem para agir. Pelo estatuto do COB, dez Confederações podem convocar uma assembleia geral. Essa assembleia geral seria essencial para que fossem discutidas alternativas para o massacrado olimpismo brasileiro.

Entendo que como a fonte do Ministério do Esporte secou, as Confederações dependem exclusivamente dos recursos públicos da lei Piva, cujos repasses são controlados pelo COB, de forma unilateral e autoritária. E as Confederações têm medo de possíveis retaliações que podem advir de qualquer movimento considerado subversivo pelo Pajé Olímpico.

Mas acima de qualquer coisa, está a ética no esporte. Eu sempre escrevi que essa gestão do COB era temerária e tinha um fim em si mesma. E é isso que está ocorrendo. Mesmo com a queda de Nuzman, o Movimento Olímpico do Brasil continuará. E as Confederações precisam agir. Muitas delas foram renovadas sob o manto da renovação. Então essa é a hora desses novos dirigentes mostrarem a que vieram. A falta de ação e manifestação das Confederações é constrangedora e dá a impressão que são cúmplices da esbórnia financeira da casa matriz. As Confederações vivem de dinheiro público e o esporte olímpico do Brasil deve satisfações à sociedade.

Faltam líderes e referências no esporte brasileiro. Não é possível que não haja ninguém que possa tomar a frente dessa discussão.

O cachorro está morto. Basta enterrá-lo. Daí talvez haverá líderes de ocasião. Soará falso.


%d blogueiros gostam disto: