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9.318: o Campeonato Carioca é o mais famoso torneio de várzea do Brasil

fevereiro 26, 2017

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9.318 é a soma dos dois públicos, acreditem, de duas semifinais de Taça Guanabara, no Rio de Janeiro, que, noutros tempos, ultrapassariam, com o pé nas costas, mais de 200 mil pagantes no Maracanã.

Hoje o maior estádio do mundo está caindo aos pedaços na gestão da Odebrecht, uma das empresas mais corruptas do planeta, enquanto outras praças esportivas do estado enfrentam problemas de bastidores para serem utilizadas.

Boa parte destas “arenas”, inferiores às de equipes de várzea da capital de São Paulo.

No Flamengo e Vasco da Gama, em Volta Redonda, 6.979 testemunhas presenciaram a classificação rubronegra, enquanto apenas 2.339 viram o Fluminense superar o Madureira.

O resumo da Ópera no Rio, que proporciona esse vexame operacional, é óbvio: 90 % dos clubes que disputam o campeonato o fazem sem possuir condições mínimas de qualidade esportiva, nem estrutura para receber os grandes, estes inferiores, em muito, até a esquadrões medianos do passado, que utilizam-se de torneio tão ridículo para iludir seus torcedores, passando a impressão de que possuem chances maiores em disputas, futuras, mais relevantes.

Todos amparados pela incompetência e obscuridade da FERJ, incapaz de criar atrativos para o público, mas capaz de forjar numerações e datas para que atletas sejam inscritos em torneios, em flagrante irregularidade, sem que um clube sequer tenha coragem de contrapô-la, talvez por rabo preso, exemplificando a falta de credibilidade que leva o campeonato a se equiparar a um torneio de várzea acrescido de camisas relevantes, vestidas, porém, na grande maioria dos casos, por atletas esquecíveis.

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Mentiras em rede

fevereiro 26, 2017

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EDITORIAL DA FOLHA

Notícias falsas sempre circularam. Sobretudo nos estratos menos expostos ao jornalismo e a outras formas de conhecimento verificável, boatos encontram terreno para se propagar.

Basta recordar a persistente crença sobre a falsidade das viagens tripuladas à Lua, cujas imagens teriam sido forjadas pela Nasa. No âmbito nacional, murmurou-se durante anos que o presidente Tancredo Neves fora vítima de um atentado que se dissimulara como doença.

A novidade é que as redes sociais da internet se mostram o veículo ideal para a difusão de notícias falsas. Não apenas estapafúrdias, como seria de esperar, mas às vezes inventadas de modo a favorecer interesses e prejudicar adversários.

A circulação instantânea, própria desse meio, propicia a formação de ondas de credulidade. Estimuladas pelos algoritmos das empresas que integram o oligopólio da internet, essas ondas conferem escala e ritmo inéditos à tradicional circulação de boatos.

Dado que as pessoas, nas redes sociais, tendem a se agregar por afinidade de crenças, não é difícil que os rumores se disseminem sem ser confrontados por crítica ou contraponto.

O melhor antídoto para os males da liberdade de expressão é a própria liberdade de expressão, que tende a encontrar formas de se autocorrigir. E o melhor antídoto contra as falsidades apresentadas como jornalismo é a prática do bom jornalismo, comprometido com a veracidade dos fatos que relata e com a pluralidade de pontos de vista no que concerne às questões controversas.

Numa reportagem que serve como exemplo de jornalismo bem realizado, o repórter Fabio Victor comprovou, no caderno “Ilustríssima” (19/2), que existem no Brasil sites dedicados à exploração comercial de notícias falsas ou distorcidas.

Embora haja remédios legais para reparar os excessos, a maioria dos casos passará despercebida no ruído incessante da internet. E parece improvável que as providências anunciadas às pressas pelo Facebook sejam mais que jogo de cena.

O fenômeno se associa de modo preocupante à política populista de direita que volta a empolgar multidões. Exemplo máximo dessa maré, o presidente norte-americano, Donald Trump, move campanha obstinada contra os veículos dedicados ao jornalismo profissional.

Bastaria isto para ressaltar a que tipo de interesses convém a confusão entre notícia e falsidade. No Brasil, de Jânio Quadros a Fernando Collor e Lula, guerras contra a imprensa são antigo costume dos governantes que não querem prestar contas de seus atos.

Roberto Andrade tem dois meses para atender vaidades do grupo de Andres Sanches

fevereiro 25, 2017

Andres Sanches já faz oposição a Mario Gobbi

Ao vender a alma ao Diabo em troca de permanecer no cargo de presidente do Corinthians, Roberto “da Nova” Andrade, em desespero (chorou na reunião de acordo, na sede do Inferno – casa do deputado federal Andres Sanches) recebeu, também o prazo para comprovar sua lealdade: dois meses.

Em não conseguindo, cairá na votação de aprovação de contas, que deverá ser marcada para meados de abril.

Pelo estatuto alvinegro, se as contas forem reprovadas o presidente será afastado.

Eis o grande dilema: é público e notório que o grupo do deputado federal não fala, há tempos, a mesma linga, tendo se esfacelado nas duas últimas gestões (Gobbi e Andrade), unindo-se agora apenas para salvar a própria pele.

Como agradar pensamentos tão diferentes sem contrapor uns contra os outros ou todos contra si ?

Existe também o desconforto, por exemplo, de agredir o aliado Paulo Garcia, dono da Kalunga, que trabalhou (por intermédio de seu funcionário, Antonio Rachid) para evitar o impeachment: os dois principais cargos do clube, a diretoria de futebol e a financeira, ambas com nomes indicados pelo empresário, são desejos de consumo de Andres Sanches.

Há também, dentro desse grupo, quem exija participar do estádio, do jurídico e até quem queira acabar com as categorias de base, de antemão repassadas ao controle do conselheiro Jaça – ligado ao deputado, que faz o diretor (no papel), vulgo Faustinho, deitar, rolar e comer ração na sua mão.

Somete o milagre da multiplicação de cargos ou um dilúvio que apague a fogueira de vaidades conseguirá impedir que a vitória de Roberto Andrade na última votação do Conselho seja utilizada apenas para, diante do descrito acima, ampliar os motivos e adeptos de seu afastamento.

Direito de Resposta do PVC

fevereiro 25, 2017

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Por PVC

1. O meu blog denunciou que Leila Pereira não tinha tempo de sócia para ser conselheira. Primeira mão. Também disse que ela não faz caridade.

2. Não me deixei fotografar com ela. Só uso camisa do clube em dia de eleição, na sede. Dia cívico. Fui me apresentar a ela, porque tinha dado às notícias e sido contra sua candidatura.

3. Rasgar dinheiro não se rasga. O que quis dizer com isso foi que, já que foi eleita sem o direito, que se use o dinheiro do contrato com bom uso.

4. Se você tivesse procurado antes de dar a notícia, teria todos os esclarecimentos.

Por favor, não use a foto. Ela está fora de contexto. Parece que fiz campanha para ela. Não fiz. Não estou exaltando dinheiro sujo. Nem comprar a eleição. Além disso, a empresa está legalizada.

Quando digo que não me deixei fotografar é porque alguém fotografou de longe. Fiz selfies com vários sócios e pedi: “Por favor, só não publica, porque estou com a camisa do Palmeiras. Uso no dia da eleição, apenas dentro do clube, porque é dia cívico. Levou-me muito tempo para sócio poder votar. Todos respeitaram. Alguém fez a foto enquanto eu falava com ela. Levou cinco minutos.

Não votei na Leila Pereira. Denunciei a irregularidade, como votaria?

É óbvio para quem leu meu blog

Obrigado,

PVC

Projeto do Corinthians para captar R$ 12 milhões da Lei de Incentivo é reprovado pelo Governo

fevereiro 25, 2017

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Em reunião ordinária ocorrida no último dia 14 de fevereiro, a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude de São Paulo reprovou o projeto “Corinthians Grande”, apresentado pelo clube de Parque São Jorge.

O objetivo era captar R$ 12 milhões pela Lei de Incentivo ao Esporte do Estado.

Segundo parecer da Comissão de Análise e Aprovação de Projetos, o pleito alvinegro carecia de embasamento mínimo, e crível, para ser executado, além doutras documentações, exigidas por lei, que o clube deixou de fornecer.

O dinheiro seria utilizado para reforma do CT das Categorias de Base, promessa de uma década que até agora não saiu do papel.

Substituição na cadeia: sai Bruno, entra Edinho

fevereiro 25, 2017

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O dia de ontem foi marcado por notícias sobre a condição jurídica de dois goleiros, Bruno, ex-Flamengo, que após sete anos de prisão foi solto em HC assinado pelo Ministro do STF, Marco Aurélio, e Edinho, filho de Pelé, que teve prisão decretada em segunda instância, após beneficio de redução de pena (eram 33 anos, passou para 12).

Vamos aos fatos.

É notória a gravidade, covardia e crueldade do crime em que Bruno se meteu, tenha sido ele o executor ou mandante da morte de Eliza Samúdio, merecedor, sem dúvida, de apenamento exemplar.

A grande maioria da população entende que os 22 anos a que foi condenado são insuficientes para puni-lo diante de tamanha monstruosidade, e que, no mínimo, deveria cumprir o apenamento de ponta a ponta.

Muitos estão detonando o Ministro do STF por tê-lo soltado, também.

Ocorre que, diante do que prevê a Lei, o procedimento inteiro está absolutamente correto, mesmo que, moralmente, possa ser criticado.

É fato que nossa legislação carece de mudanças, mas enquanto não houverem, precisa ser cumprida.

A condenação de Bruno seguiu a dosimetria prevista, e seu tempo de soltura, acreditem, já havia sido há muito ultrapassado, com excesso de prisão preventiva (o ex-goleiro era apenas um condenado em primeira instância e deveria, em tese, por não ter sido preso em flagrante, responder em liberdade).

Também o limite mínimo (2/5 da pena – já estava preso há 1/3) para avaliação de mudança de sistema (de fechado para semi-aberto) ou até pleito de liberdade condicional, estava estourado.

Com relação a Edinho, até as árvores de Santos tem ciência da sua culpabilidade num crime dos mais repugnantes (o tráfico de drogas) associado com a formação de quadrilha, assim como alguns presos de Tremembé, que em conversa com este jornalista, parceiros que eram do filho de Pelé, contaram coisas do arco da velha a respeito de seus crimes.

É lamentável que a pena – que não existe, mas deveria ser perpétua para traficantes, que matam, por tabela, muito mais que os condenados por assassinato – tenha sido reduzida de trinta a três para apenas doze anos.

Destes, pelo previsto no Código, se tanto, Edinho cumprirá três anos e meio encarcerado (descontando o período em que frequentou a prisão).

O filho do Rei já se entregou e aguarda transferência à penitenciária.

É fato que nem todos os juízes são “santos” (este jornalista, inclusive, já foi vítima de alguns desvios de conduta de magistrados), mas muitos deles estão de mãos amarradas por um Código Penal benevolente com alguns crimes, confuso com outros, criado por políticos mais preocupados com a própria proteção.

Coluna do Fiori

fevereiro 25, 2017

fiori - dicunto

FUTEBOL: POLÍTICA, ARBITRAGEM E VERDADE

Fiori é ex-árbitro da Federação Paulista de Futebol, investigador de Polícia e autor do Livro “A República do Apito” onde relata a verdade sobre os bastidores do futebol paulista e nacional.

http://www.navegareditora.com.brEmail:caminhodasideias@superig.com.br

apito limpo

“Há casos em que um conselho pode ser tanto bom quanto mau – dependerá dos acontecimentos”

Jane Austen – foi uma proeminente escritora inglesa

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Tutor de árbitros

Como sempre os iluminados dirigentes da CA-FPF criam cargos para que possam faturar uns trocos, afora o salário. Desta feita implantaram a atividade que tem como principal, estar na lateral do campo de jogo, acompanhar a movimentação e aplicabilidade das leis do jogo

Papagaio

1

Avaliando a entrevista do árbitro Thiago Duarte Peixoto após a contenda Corinthians x Palmeiras, comentada logo abaixo; cheguei ao concluso, que suas palavras foram influídas pelo tal Tutor. Fosse ao meu tempo, não daria autorização para que figurinhas deste naipe entrassem no vestiário, se insistissem, tenham absoluta certeza! O caldo tornaria

Findando

Por estas e outras reforço meu pedido para que tenhamos uma Operação Lava Jato na administração da CBF, federações e clubes; havendo! Com certeza a podridão surgirá e poucos (se existir), serão salvos

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4ª Rodada da Série A 1 do Paulistão – 2017

Sábado 18/02

Audax 0 x 1 Corinthians

Árbitro: Jose Claudio Rocha Filho

Item Técnico

Aceitável, vez que foi uma contenda fraquíssima, sem emoções, logo, nada exigiu dos representantes das leis do jogo

Item Disciplinar

Como principal a vergonhosa omissão por não ter expulsado o atleta Rafael Oliveira, defensor do Audax, que, na sua frente, deu um sopapo no rosto do corintiano Gabriel

Domingo 19/02

Linense 0 x 4 Palmeiras

Árbitro: Luiz Flavio de Oliveira

Item Técnico

Dois ou três impedimentos erroneamente sinalizados por seus assistentes ; no todo pouco exigido

Item Disciplinar

Com toda bagagem por anos de atividade, se deixou levar por excessos de simulações do goleiro da equipe do Linense, sem lhe advertir com o cartão amarelo

5ª Rodada – Terça Feira 21/02

São Paulo 3 x 2 São Bento

Árbitro: Vinicius Furlan

Item Técnico

Acertou por ter marcado a penalidade máxima cometida por Pitty, defensor da equipe visitante por ter segurado o ombro do oponente. Falta penal cobrada por Cuevas, convertida no tento da vitória da equipe da casa

Item Disciplinar

Aceitável

Quarta Feira 22/02

Corinthians 1 x 0 Palmeiras

Árbitro: Thiago Duarte Peixoto

Assistente 01: Emerson Augusto de Carvalho

Assistente 02: Marcelo Carvalho Van Gasse

Quarto Árbitro: Alessandro Darcie

Item Técnico

Algumas inversões e não marcação de faltas, no todo deste item não ocorreram lances de realce; jogo fraquinho

Item Disciplinar

Ai o bicho pegou feio

1ª Etapa

Nos primeiros Vinte minutos da contenda ocorreram algumas faltas, duas delas violentíssimas; uma de um dos defensores do Palmeiras, outra e mais violenta cometida por Gabriel, defensor corintiano, marcada, porém, sem advertência com o amarelo

Cartões

Advertiu com amarelos dois palmeirenses e um corintiano, sendo que: Próximo ao fim desta fase, inexplicavelmente, mostrou o segundo amarelo para Gabriel, seguido do também injusto cartão vermelho

2ª Etapa

Um corintiano e três palmeirenses foram contemplados com cartão amarelo, próximo ao término da contenda, deixou de expulsar o defensor palmeirense Vitor Hugo, que, na sua frente, na área defensiva da equipe corintiana, na cara dura, agrediu um dos oponentes

Ocorrência

Ficaram feios os fatos ocorridos pós-injusta expulsão do corintiano Gabriel, no ato, maioria dos defensores corintianos foram pra cima do árbitro dedo em riste, falando um monte, certamente não foram palavras ditas com carinho. Né não?

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Politica

Depois do carnaval

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Está mais do que na hora de tornar públicos os depoimentos dos 77 delatores da Odebrecht

O escritor Vargas Llosa disse que a Odebrecht merece um monumento por ter revelado o mecanismo de corrupção no continente. Naturalmente, referia-se ao modo de operar da empresa. A Odebrecht, na verdade, revelou o mecanismo da corrupção, apesar dela.

A primeira etapa foi de negação. Marcelo Odebrecht recusava-se a colaborar e orientava uma agressiva tática de defesa. Funcionários da Odebrecht foram enviados ao exterior para desfazer pistas, sobretudo na Suíça.

De fato, o mecanismo da Odebrecht é monumental, incluindo o uso de um banco, de cervejarias e inúmeras outras empresas que cobriam sua identidade. Mas a empreiteira só decidiu mesmo revelar toda a trama, até a internacional, quando foi descoberto o seu setor de operações estruturadas, que articulava esse imenso e sofisticado laranjal.

O mérito real da revelação do mecanismo que unificou quase todos os governos do continente na mesma teia de corrupção é da Operação Lava Jato. Graças ao trabalho e à competência da equipe de investigadores, todos os sistemas políticos ligados à Odebrecht foram sacudidos e, em algum nível, terão de se renovar.

A Lava Jato tornou-se uma grande ajuda à imagem do Brasil. Em muitos países onde se debate o tema, é citada como o exemplo de uma investigação bem-sucedida.

Há outros ângulos desse esquema de corrupção que atingem a imagem do País. No Peru, por exemplo, foram bloqueados R$ 191 milhões de oito empresas brasileiras ligadas à Lava Jato.

Empresas brasileiras, assim no plural, aparecem nos títulos das notícias. O problema é que o Brasil tem mais de 400 empresas operando no exterior. É importante que não sejam chamuscadas, assim como é importante uma reflexão sobre como evitar que o próprio brasileiro não seja visto com suspeição.

O melhor para isso, creio, é avançar com a Lava Jato. O passo mais importante é levantar o sigilo dos 77 depoimentos de dirigentes da Odebrecht. Afinal, o que eles realmente revelam sobre o gigantesco esquema de corrupção?

É sempre possível argumentar que o sigilo favorece as investigações. Mas minha tese é que, se há um tsunami pela frente, é melhor passar logo por ele.

Espero que o sigilo prolongado não seja apenas uma visão paternalista de evitar que a crise política se aprofunde, de supor que ainda o País não está preparado.

Acrescento outro argumento: um pequeno grupo que conheça esses dados tem sempre um grande poder nas mãos. É razoável que queira torná-los públicos para evitar interpretações maliciosas sobre o prolongado silêncio.

No jornalismo costumávamos dizer que notícia é como baioneta, sentou em cima, ela espeta. Sentar em cima das delações da Odebrecht, de um fato histórico dessa dimensão continental, também pode ser dolorido.

Todas as delações com importância secundária já vieram à tona. A sensação que tenho é de estar num restaurante lento onde os garçons, de vez em quando, trazem algo para nos distrair, mas o prato principal mesmo continua no forno.

Pode ser que exista de fato uma preocupação com o processo de retomada econômica e os duros passos da jornada para recolocar o País no eixo – na verdade, uma escolha que significa apertar agora para não submergir adiante. Embora muitos contestem, acredito que o avanço das investigações e a recuperação econômica se entrelacem.

O governo tem uma diretriz de reformas necessárias e está a caminho de realizá-las. Mas o próprio governo já balizou o cenário em caso de ser atingido pela Lava Jato: quem virar réu perde o cargo. É uma norma anunciada e se for levada a efeito, creio, será recebida com a naturalidade com que se anula um gol de mão.

Supor que seja possível retardar o processo político – o tsunami envolve todo o sistema partidário – para não deter o econômico é optar por uma tática ilusória. É mais do que hora de dar a palavra aos 77 delatores da Odebrecht. Tenho vontade de começar a bater o garfo no prato vazio.

A necessidade de saber não é para contabilizar quem recebeu quanto, divertir-me com apelidos folclóricos. É a necessidade de pensar um pouco adiante, ter uma ideia de como é possível reconstruir um tecido político dilacerado.

Admiro a energia de pessoas sentadas sobre o tsunami. Mas estão sentadas também sobre o futuro do sistema político brasileiro, que depende desses dados para esboçar um mapa do caminho.

Felizmente, uma revelação dessa amplitude provoca visões diferentes. Com os dados na mesa, à disposição de todos, podem dar bons frutos.

Há um certo encanto em navegar na neblina, em improvisar ao sabor dos eventos. Mas é preciso pensar um pouco adiante, antecipar alguns passos mentalmente.

Não se trata de moldar o futuro, nem de fantasiar amanhãs que cantam. Apenas deixar esta fase de insegurança: crise, desemprego, violência crescente, distância abissal entre sistema político e sociedade.

Isso não pode dar certo. Submete a democracia brasileira a uma tensão cada vez maior. E de uma qualidade diferente do movimento das diretas. Ali estava em marcha a conquista de um direito: escolher o presidente da República.

A realidade mostrou-nos que não basta escolher um presidente pelo voto direto. É preciso construir um espaço para que se mova com decência.

A atmosfera política decaiu de tal maneira que bloqueou as saídas. É necessária uma implosão para abrir horizontes. A delação não pode ser mais uma obra inacabada que a Odebrecht contrata com o governo.

A composição polifônica precisa ser entregue ao público. Depois do carnaval, vá lá. Mas, pelo menos, no início do ano novo alternativo, que começa na Quarta-Feira de Cinzas.

Publicado no Estadão do dia 24/02 – Autor: Fernando Gabeira – é um jornalista, escritor e politico brasileiro

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Chega de Corruptos e Corruptores

Se liga São Paulo

Acorda Brasil

SP-25/02/2017

Ouça abaixo os programas COLUNA DO FIORI, desta semana, que foram ao ar pela rádio Rock n’ Gol (http://rockngol.com.br)

 

*A coluna é também publicada na pagina Facebook:  “No intervalo do Esporte”

*Não serão liberados comentários na Coluna do Fiori devido a ataques gratuitos e pessoais de gente que se sente incomodada com as verdades colocadas pelo colunista, e sequer possuem coragem de se identificar, embora saibamos bem a quais grupos representam.

Aluga-se

fevereiro 25, 2017

aluga-se

Da FOLHA

Por FERNANDA TORRES

Raul Seixas previu, a solução é alugar o Brasil.

João Doria bem que podia ter se valido dos versos de “Aluga-se”, do roqueiro, para embalar o vídeo que encomendou para ser exibido nos Emirados Árabes, a fim de atrair investidores interessados nas privatizações que ocorrerão, numa escala nunca antes vista, no largest financial center in the Southern Hemisphere.

Interlagos, Pacaembu, Anhembi, Ibirapuera, o Mercado Central, a malha de transporte e até os cemitérios estão lá, for sale. Um mar de oportunidades na cidade que acolhe 50% dos billionaires do país, diz o anúncio. Deu até inveja de o Doria ter o que vender.

O Rio de Janeiro não pode ser dar a esse luxo. O rombo de mais de R$ 100 bilhões não permite. Ao governo acéfalo de Pezão e companhia, resta apenas o refrão: “Nós não vamos pagar nada…”.

Portugal me acolheu na Era Collor, durante o confisco de Zélia e o enterro da Embrafilme. Fiz três filmes na terrinha e uma penca de turnês de teatro para resistir ao longo inverno.

Lisboa está em plena revitalização, com um mercado imobiliário aquecido pela elite angolana, por chineses endinheirados e brasileiros em fuga. Passei duas semanas de janeiro por lá, pensando se um exílio ainda mais drástico me aguarda no futuro.

Voltei com medo de pisar em solo pátrio, aterrorizada com as imagens do deus nos acuda da greve de policiais do Espírito Santo e do levante dos servidores diante da Alerj, que transformou a Primeiro de Março numa praça de guerra.

O cinturão de miséria que separa o aeroporto do Galeão da zona sul choca os que chegam. O barril de pólvora, alimentando a desigualdade social, está sempre pronto a explodir, numa cidade falida pelo seu desgoverno.

Mas a bancarrota atual também se faz notar nas áreas mais abastadas. O asfalto das reformas olímpicas ainda não derreteu, mas as placas de VENDO se multiplicam nas janelas dos prédios, inúmeras lojas fecharam as portas, tropas do Exército ocupam as ruas e os tiroteios voltaram à ordem do dia.

Sete anos atrás, o metro quadrado na Vieira Souto ultrapassava em valor o da avenue Foch, em Paris, e Eike Batista arrotava progresso no talk show de Charlie Rose, durante a crise americana pós-2008. Vale a pena ver de novo.

Abri a porta de casa com a mesma sensação de normalidade do suicida do Millôr, aquele, que durante a queda, entre o abismo e o chão, pensa: “Até aqui, tudo bem”.

Marcelo Freixo acaba de entregar uma proposta de impeachment para a chapa Pezão/Dornelles. Assino embaixo. Mas vou além.

Enquanto Doria negocia São Paulo nas arábias, proponho liquidar o Rio por aqui mesmo.

Os paulistas arrematariam o sul do Estado e a capital, numa transação que incluiria a deslumbrante baía de Angra e Paraty, a usina nuclear, além dos cartões-postais da Cidade Maravilhosa.

A região serrana caberia aos mineiros, que ainda conquistariam um acesso ao mar, caso a crise recente afaste o interesse do Espírito Santo na região norte. O agraciado açambarcaria o polo petrolífero de Campos, ciente de que levaria Garotinho no pacote.

A derrocada que começou com a transferência da capital para Brasília terminaria num leilão sumário, e o Rio de Janeiro se tornaria um nome afetivo, tão saudoso quanto o da antiga Guanabara.

Seria esse o plano de Juscelino?

Expressão, crítica, jornalismo: todos gostam, mas ninguém tolera

fevereiro 25, 2017

Jornalismo de verdade vs. Assessoria de imprensa informal

Da FOLHA

Por LUIS FRANCISCO CARVALHO FILHO

O que é o que é, todos gostam, principalmente contra os outros, mas ninguém tolera? Liberdade de expressão, direito de crítica, jornalismo.

No mundo mágico de Harry Potter, “O Profeta Diário” aparece como veículo de disseminação de distorções, falsidades e ofensas. Inspirado nos tabloides ingleses, o jornal bruxo é visto pelos heróis da trama como inimigo, bem singelo diante da violência extrema das forças do mal, mas sim, um inimigo.

Nos EUA, Trump intimida apontando dedos acusatórios para a desonestidade de repórteres. Na Turquia, Erdogan prende jornalistas, fecha jornais e emissoras. Temer tenta impor censura pela veia aparentemente ingênua da privacidade da primeira dama. Lula quis expulsar correspondente estrangeiro. Há sutilezas e aberrações institucionais que, de uma forma ou de outra, embaraçam a circulação de notícias e ideias na Venezuela, em Cuba, na Rússia, na China, no Irã ou na Etiópia.

Nas redes sociais, é tudo enviesado, distorcido: quem critica a Lava Jato é a favor da corrupção e quem a defende é favorável ao autoritarismo e à violação de garantias individuais. Colunistas são insultados porque escrevem o que pensam. Renata Lo Prete, da GloboNews, é “golpista” quando noticia falcatruas atribuídas ao PT e “esquerdista” quando aperta o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que reclama frequentemente da parcialidade da imprensa.

É compreensível que as pessoas se dividam em blocos oponentes e compartilhem ilusões. Mas o público não está preso às armadilhas maniqueístas. Acredita quem quer.

Juízes, parlamentares, governantes e movimentos sociais não gostam de serem vigiados. A Justiça não é garantia de lisura e imparcialidade. Jamais haverá jurisdição perfeitamente equidistante. Quem se sente perseguido tem direito inalienável de espernear, de se defender e de buscar reparação dos danos morais. A intolerância é agressiva. Erros e excessos perturbam. Mas ainda não se inventou nada com tanta capacidade de incomodar governos e difundir valores.

Só por isso, a engrenagem da informação merece existir, sem entraves.

Notícias falsas e efêmeras, como mostrou a última edição da “Ilustríssima”, são produzidas por ideologia ou por interesse negocial. Mas sátiras, xingamentos, rumores e boatos fazem parte da história da comunicação. Multiplica-se hoje por bilhões o que era rotina. Há algo a ser feito?

As fábricas de mentira funcionam no ambiente digital porque divulgam aquilo que pessoas gostariam que fosse verdade: Lula ou Temer recebendo malas de dinheiro, celebridades afirmando o que nunca disseram. Além do contorno quase religioso do desejo de acreditar (e instantaneamente replicar), a perspectiva eleitoral também explica a falta de pensamento crítico.

Qualquer iniciativa para impedir, a priori, a publicação de algo, por mais escandalosamente enganoso que possa ser, é perigosa. Não é preferível conviver com falsidades, da esfera pública e privada, a inibir a circulação desimpedida do que pode, ainda que remotamente, ser verdadeiro?

Cabe ao leitor e ao espectador verificar a credibilidade da informação e do discurso que se oferecem. Se não o fazem e se deixam enganar, leis e magistrados certamente não saberão fazê-lo.

Corinthians e Odebrecht: agrado… aditivo

fevereiro 24, 2017

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Segundo delatores da Odebrecht, o estádio de Itaquera tratou-se apenas de um “agrado” ao presidente Lula, sem pagamento de vantagens a terceiros.

Em verdade, tratou-se sim de “agrado”, mas à própria construtora.

Cada vez que o deputado federal Andres Sanches (PT), responsável do Corinthians pela obra, recebia seu “agrado” surgia um novo aditivo, com anuência do clube, elevando o preço do contrato.

De R$ 335 milhões passou à R$ 820 milhões, depois R$ 985 milhões até finalizar (sem contar os juros, empréstimos, etc) em R$ 1.213.773.000,00.

Não houve, portanto, “Caixa 2” de campanha, mas agrado em troca de aditivos.

Em resumo: crime absolutamente tipificado, com a ação de um corruptor, a facilitação (assinaturas de contratos sequenciais) por ordem de um corrupto e a vítima que bancou, indiretamente, os “agrados”, que foi o Corinthians.

No link abaixo, todas as provas:

https://blogdopaulinho.com.br/2017/02/23/odebrecht-pagava-propina-para-andres-sanches-em-troca-de-aditivos-para-elevar-preco-do-estadio/

Ouça a rádio Rock n’ Gol ao vivo !

fevereiro 24, 2017

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Blog do Paulinho

Coluna do Fiori

O voto de Leila Pereira (Crefisa) nas eleições presidenciais do Palmeiras

fevereiro 24, 2017
Leila Pereira e Paulo Serdan

Leila Pereira e Paulo Serdan

Alguns lugares já tocaram no assunto, que ficou esquecido, sem resolução, talvez porque gente do clube tenha abafado (como estão fazendo na eleição de dois conselheiros eleitos sem tempo necessário como associados) e alguns jornalistas, em êxtase pelo dinheiro fácil que ronda o Palestra Itália prefiram bajular o patrocinador do que exercer a profissão.

Também de maneira irregular (pelos mesmos motivos que se tornou conselheira), a esposa do dono da Crefisa, Leila Pereira, vulga “Uma Linda Mulher”, votou nas eleições à presidente do Palmeiras, vencidas por Maurício Galliote, o mesmo que agora, adestrado por Mustafá Contursi, facilita-lhe a vida.

Para tal, por ordem do “capô” palestrino, a secretaria do clube criou uma matrícula de associada fictícia, sem que qualquer documentação comprobatória embasasse a operação, já que o número verdadeiro da carteirinha da “empresária”, com pouco mais de um ano de ativação (o estatuto diz ser necessários três anos) inviabilizaria sua participação eleitoral.

Se isso não é fraude, do que se trata, então ?

O Palmeiras seguirá sem apurar a infração, emporcalhando sua gloriosa história ou, decentemente, como espera o torcedor que não suporta atentados contra o clube, investigará para punir os eventuais infratores ?

Asinus asinum fricat – Pimenta e Aidar no São Paulo

fevereiro 24, 2017

pimenta-e-aidar

“Asinus asinum fricat”, é um termo em latim com o seguinte significado: “um asno coça o outro”, frequentemente utilizado para justificar a aproximação de semelhantes.

No pântano que cerca a política do São Paulo, com duas péssimas opções concorrendo à presidência, uma delas se destaca pela pouca preocupação com a moralidade, além de estar cercada pelo que existe de pior nos bastidores do Tricolor.

Trata-se de Eduardo Mesquita Pimenta, notório facilitador de empresários de jogadores (fontes diversas, além de notório áudio garantem, à troco de embolsar comissões).

Em passado recente, outro ex-presidente do clube, expulso por corrupção, Carlos Miguel Aidar, talvez identificando-se com hábitos do amigo, deu por encerrada a punição que agora permite a Pimenta a possibilidade de retorno ao poder.

Em troca, o agora candidato prometeu a Aidar agraciá-lo com o mesmo comporamento.

Ou seja, o eleitor são-paulino, ao votar em Pimenta estará, por consequencia, dando anuência ao retorno de Carlos Miguel Aidar.

Com apoio, para vergonha do judiciário, de um desembargador (vice da chapa) e financiamento de um empresário (afastado do poder decisório do próprio grupo que criou) com interesses controversos em investimentos no futebol.

Considerações sobre o árbitro do Derby centenário

fevereiro 24, 2017

corinthians-e-palmeiras

O árbitro Thiago Duarte Peixoto equivocou-se, sem dolo, ao confundir jogadores do Corinthians e aplicar cartão amarelo (que seria justo se no atleta correto) na pessoa errada, ocasionando-lhe expulsão da partida.

Porém, seu erro maior nem foi este, mas sim ignorar o evidente clamor de todo um estádio, incluindo um de seus auxiliares, evidenciando que algo estaria errado em sua tomada de decisão.

Faltou humildade para voltar atrás e inteligência para medir as consequência de não fazê-lo.

Logo após a partida, Peixoto, não por iniciativa própria, evidentemente, mas por imposição da FPF, que certamente “comeu-lhe a alma” no vestiário, pediu desculpas pelo erro, em comunicado à imprensa, situação inusual diante das frequentes proibições de entrevistas à arbitragem nacional.

Ficou claro que para salvar a própria pele a Federação jogou Thiago aos leões.

Deu pena, porque era nítida a aparência de pavor do árbitro (recém viúvo), que, com lágrimas nos olhos, clamava pela continuidade de sua carreira.

Tomara consiga se safar, desde que tenha aprendido a lição, é claro.

Ontem, justamente apenado pelo equívoco (ficará de molho para reciclagem), o árbitro foi vítima de deliquência virtual (viralizou uma fotografia montada em que aparecia vestido com a camisa do Palmeiras – em verdade, estava de camisa azul) e nova polêmica: ele e seus auxiliares teriam deslocado-se de metrô até o estádio em Itaquera.

O diretor do Sindicato de Árbitros, o pouco confiável Arthur Alves Junior, gritou no site da SAFESP contra a FPF, que respondeu alegando ter disponibilizado o veículo para o quarteto de arbitragem, que estes embarcaram no veículo, mas que, por conta própria (diante do trânsito da cidade) decidiram pegar o metrô (o estádio fica próximo à duas estações), assumindo o risco de serem reconhecidos, com grande perigo, pelos criminosos organizados que tomaram mesmo procedimento.

É certo que não dá para colocar a mão no fogo por nenhuma das versões: o Sindicato tem o hábito de faltar com a verdade, assim como a FPF, e os árbitros, certamente com medo dessa gente, confirmariam qualquer versão que lhes fosse imposta, mesmo as mais estapafúrdias.

Certo é que este episódio em nada contribuiu para o equívoco no gramado, muito menos para a decisão arrogante de Thiago em persistir no erro, mas prejudicou-o no retorno do trabalho, absolutamente inseguro após os conhecidos acontecimentos.

Hospital Regional de São José dos Campos trocará nome para “Dom Paulo Evaristo Arns”

fevereiro 24, 2017

arns

PL nº 65, de 2017, do deputado estadual Afonso Lobato (PV) pede alteração do nome do Hospital Regional de São José dos Campos, que passaria a se chamar “Hospital Dom Paulo Evaristo Arns”.

Uma justíssima homenagem.

Arns foi, talvez, o mais relevante religioso brasileiro, incapaz de utilizar-se disso para proveito egoísta, ultrapassando os limites da coragem para proteger as pessoas e a democracia num período terrível da política nacional.

Não há oposição ao projeto na Assembléia Legislativa, o que garante, em breve, a formalização do procedimento.


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