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A principal função do esporte: formar cidadãos

agosto 21, 2017

Por JOSE RENATO SATIRO SANTIAGO

É inegável afirmar o importante papel do esporte como elemento decisivo na inclusão social, mas principalmente em prol da formação de cidadãos. A lógica existente é óbvia, mas ainda assim merecedora de ser repetida exaustão: “Esporte é Vida, Pratique”. Quem segue por este caminho não tem tempo para olhar por outras alternativas equívocadas.

Ainda nos idos dos anos 1950 meu avô acreditava neste lema quando criou um time de futebol, o Floresta, no quintal da sua casa para que a molecada dos bairros cearenses próximos a Vila Manoel Sátiro e Mondubim pudesse praticar o futebol. O objetivo sempre esteve longe de ser formar grandes atletas, ainda que isto tenha acontecido por décadas, mas sim formar pessoas. Os valores sobre os quais os que praticam qualquer atividade física estão próximos, certamente os afastam das ‘coisas erradas’, costumava falar sua cunhada, Irelda, uma tricolor ferrenha com quem costumava protagonizar impagáveis discussões sobre quem era o melhor time da cidade, o Ceará ou o Fortaleza.

Por conta desta feliz oportunidade de viver neste meio, sempre tive o esporte no mesmo patamar de outras questões tão importantes. Conviver em família, ir ao culto religioso e praticar atividades esportivas se complementavam. Quanto ao time do meu avô, à medida que os anos avançavam, uma clara diferença veio à tona e dizia respeito ao esporte de alto desempenho. Tão logo o Floresta foi inscrito para participar de competições organizadas pela federação cearense de futebol, algumas questões importantes vieram à tona, uma delas com relação as arbitragens que costumavam atrapalhar a nossa equipe suburbana, principalmente quando enfrentava os maiores clubes do estado. Lembro de oportunidades de partidas em que três a quatro jogadores foram expulsos em jogos contra Ceará, Fortaleza e Feroviário, que suavam, para, ainda assim, apenas empatarem.

Mas havia algo que me deixava ainda mais atônito, a reação calma do meu avô diante todos estes fatos. Com uma sabedoria única, originária do semi árido de Russas, ele se resumia a afirmar: “Junior (como ele me chamava), mas o que eu quero é formar homens de bem, e nisso estamos ganhando de goleada”. E foi mesmo. Até hoje são muitas as famílias que lembram dos tempos dos ‘rachas’ no Sítio Floresta. Muitos daqueles meninos, hoje já são avôs e relembram com sorriso saudoso daqueles tempos de alegria sem fim.

Um dia desses, me encontrei com um deles, Fernando Louro, que chegou a se profissionalizar e, até mesmo, a jogar no exterior. Ele comentou que trabalhava o dia todo e à noite se juntava aos amigos para treinar. Logo perguntei: “Como conseguia competir em alto nível desta maneira?” Ele não refutou a fazer uma dura afirmação: “Zé, sempre tive na minha cabeça que precisava estudar e trabalhar. O esporte surgiu como um presente, um sonho meu. Jamais poderia colocar a minha família dentro de um sonho que era apenas meu. Por isso só abri mão de meus estudos e trabalho como office boy, quando vi que poderia viver como atleta.” Conhecendo sua família e formação, não me surpreendi, mas ainda havia algo mais por vir, quando ele arrematou: “Sou muito solidário com qualquer atleta que busca o alto desempenho, quando ele reclama da falta de apoio, mas cá entre nós, esporte bom é aquele que forma cidadão, campeão na vida e não aquele que se resume a ocupar de medalhas estantes empoeiradas no canto da sala e o bolso de tanta gente.”

Pois é, durma se com um barulho desses, ainda mais em um país tão carente que luta ainda pela adoção de uma verdadeira política de esportes. Ainda vivemos um modelo de gestão do qual boa parte das atividades esportivas tendem a ser geridas por entidades privadas, que são as federações, sobre as quais recaem interesses muito particulares, em parte delas, nem sempre muito republicanos. Lamentavelmente alguns atletas acreditam neste preceito e entendem que devem ter suas atividades esportivas, seus sonhos, serem bancadas pelo poder público e/ou entidades privadas. Certamente, muito mais que carência, um equívoco de abrangência moral.

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agosto 21, 2017

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No whatsapp, Vagner Mancini comemora patada em jornalista e revela anti-corinthianismo

agosto 20, 2017

Mais cedo, publicamos opinião acerca da polêmica envolvendo o treinador Vagner Mancini, do Vitória, e o repórter Felipe Garrafa, da rádio Bandeirantes.

https://blogdopaulinho.com.br/2017/08/20/vagner-mancini-e-felipe-garrafa/

Mas não parou por ai.

Por whatsapp, Mancini comemorou, de maneira deprimente, a patada no jornalista, deixando claro, ainda, seu anti-corinthianismo:

“Eu tô no carro aqui, nós estamos voltando pra Ribeirão. Ganhar do Corinthians é ótimo, somar três pontos, nem se fala, mas dar uma patada num jornalista babaca corinthiano, então, nem se fala…”

Nível rasteiro que não surpreende, em absoluto, àqueles que o conhecem de longa data.

Confira abaixo:

EM TEMPO: aos que tem preguiça de pensar recomendo, novamente, a leitura da opinião do blog sobre a polêmica:

https://blogdopaulinho.com.br/2017/08/20/vagner-mancini-e-felipe-garrafa/

RIP Jerry Lewis (1926-2017)

agosto 20, 2017

Tuma Jr. comete gafe em lançamento de candidatura

agosto 20, 2017

Ontem, no Parque São Jorge, a pretexto de comemorar aniversário, o advogado Romeu Tuma Jr. lançou, oficialmente, sua candidatura a presidência do Corinthians.

O ex-delegado, segundo fonte, gastou R$ 3,5 mil para bancar os “comes e bebes” (dinheiro que teria entregue, em espécie, nas mãos de alguns associados para organização do evento), além doutros tantos na confecção de material com logo de sua chapa: “Democracia Corinthiana Participativa”.

A frequência de público, porém, apesar da gratuidade, ficou aquém do esperado, talvez por conta do tempo ruim e do jogo do Corinthians, realizado em Itaquera.

Tuma repetiu discurso de combate à atual gestão alvinegra (apesar de ter em sua base dissidentes de Andres Sanches), relembrou a famosa acusação de associação com a Máfia Chinesa, que tratou como “Assassinato de Reputação” (nome de seu best-seller), mas tropeçou, em gafe, ao citar episódio em que seu candidato a vice-presidente, Ilmar Schiavenato, foi impedido de disputar as últimas eleições do Corinthians, após comprovação de falsificação de assinaturas na montagem de sua chapa ao Conselho Deliberativo:

“(…) eu não gosto de assassinato de reputação… tem gente que ataca o Ilmar, que é hoje meu vice, que ele falsificou assinatura…”

“Ninguém foi no conselho lá pra cassar Ilmar”

“Eu não gosto de acusação sem prova… esse tipo de debate eu não vou fazer, contra ninguém… quem tem acusação formal que se explique”

O semblante fechado de Ilmar (flagrado pela câmera), que evidentemente não queria ter o problema relembrado, foi constrangedor:

Sem ódio ao futebol moderno

agosto 20, 2017

(trecho da coluna de JUCA KFOURI na FOLHA)

“É claro que sinto saudades dos tempos de criança, de adolescente ou do começo da vida adulta.”

“Adorava a bola de capotão e a chanca, mas sigo adorando as redondas plastificadas e as chuteiras assapatilhadas.”

“Gostava mais do velho Maracanã, mas não desgosto inteiramente do novo, assim como lamento o abandono do Pacaembu e sou capaz de curtir a Arena Corinthians.”

Vagner Mancini e Felipe Garrafa

agosto 20, 2017

Ontem, durante a entrevista coletiva do treinador Vagner Mancini, o repórter Felipe Garrafa, da rádio Bandeirantes, foi extremamente infeliz ao questionar o entrevistado amparado em estatísticas equivocadas, e, após confrontado com a realidade, persistir no erro.

Velhaco, o técnico do Vitória, inteligentemente, deu a corda para o jovem jornalista se enforcar.

Acontece bastante na profissão, o que é um equívoco, principalmente entre setoristas, misturar sentimentos clubísticos com o trabalho, quase sempre com resultados ruins, mas que passam despercebidos por conta da falta de reação de alguns entrevistados.

Garrafa é jovem e, apesar de assustado com a repercussão (sumiu das mídias sociais), talvez por ela inicie um processo interno de reciclagem, melhorando o comportamento que precisa, necessariamente, ser pautado na imparcialidade.

Os torcedores aproveitaram e passaram a exibir postagens do jornalista, de anos atrás, período em que este sequer exercia o atual ofício, com linguagem chula, de torcedor, evidenciando o corinthianismo, mas que não podem ser utilizadas para defini-lo, agora, como profissional.

O erro de ontem, sim, é passível de críticas.

Com relação a Mancini, com absoluta razão na discussão, fez bem em desmascarar alguém que, sem base sólida para tal, tentou levá-lo ao constrangimento, porém agiu assim, até com algum excesso, também, por saber que tratava-se de uma luta desproporcional contra um jovem nitidamente despreparado.

Quem conhece o treinador do Vitória, em seu comportamento de bastidores, sabe bem que os pecados são bem maiores que o do repórter, e remetem não somente a falta de profissionalismo, mas beiram à promiscuidade, seja com agentes de futebol ou com outros jornalistas, entre os quais do mal-afamado site “Futebol Interior”, local acusado de falar bem de personalidades na medida em que o boleto é compensado, e um famoso comentarista da BAND, do qual Mancini foi parceiro comercial nos tempos de Guarani.

Destes “profissionais” Mancini nunca reclamou.

Para Felipe Garrafa, se tiver personalidade e hombridade para admitir e corrigir os equívocos e vícios da profissão, por vezes estimulados pelo convívio com a ala podre da imprensa, pode ser que exista tempo para redenção, algo que dificilmente acontecerá com um profissional que há tempos está amarrado com um sistema de submundo esportivo que lhe garante sustento e alguma notoriedade.

Wagner Ribeiro e a “dama da noite”

agosto 20, 2017

Presidente arrenda futebol da Lusa a empresários

agosto 20, 2017

Marcio Zanardi

Não bastasse contratar o empresário de jogadores PC Gusmão, aluno e parceiro de V(W)anderlei(y) Luxemburgo para treinar a equipe de futebol, o presidente da Portuguesa, Alexandre Barros segue dando sequência à destruição esportiva do clube, ao permitir a efetivação, como auxiliar técnico do time, de Marcio Zabardi, que saiu corrido do Corinthians, acusado de participar de esquema nas categorias de base.

Ou seja, o pouco ou quase nada que sobrou da Lusa está, tudo indica, com os dias contados..

É pouco crível que o arrendamento do futebol do clube a conhecidos malfeitores do esporte não gere lucros, também, aos dirigentes lusitanos.

De pedra, quando era repórter e criticava ex-presidente da Portuguesa, notórios ladrões, Alexandre Barros, espertamente, em vez de vidraça, transformou-se em “pá de cal”, amparado em sabujos de caciques que lhe dão guarida em troca do que restou no fundo do cofre.

Corinthians não será campeão invicto do Brasileirão 2017

agosto 19, 2017

Surpreendentemente, a fraquíssima equipe do Vitória foi responsável pela proeza de vencer o Corinthians, em pleno estádio de Itaquera, diante de 42 mil torcedores, findando uma série invicta que já durava 34 partidas.

Um a zero, que poderiam ter sido dois, não fosse um erro absurdo da arbitragem que anulou gol legítimo da equipe baiana ao assinalar impedimento inexistente com quase dois metros de diferença.

O resultado não modificará a definição do campeonato, que deverá, salvo grande desastre, ter o Corinthians como campeão, mas encerra a expectativa de improvável conquista invicta pelo Timão.

Foi um jogo ruim do time de Parque São Jorge, talvez o que tenha se mostrado mais desarrumado, enquanto o Vitória, humilde, defendeu-se com rara competência, algo inusual nas equipes treinadas por Wagner Mancini.

Acidente de percurso que, a bem da verdade, coloca o Corinthians na realidade, ou seja, um time de jogadores medianos, muito bem treinados, apto a vencer o campeonato, mas não com a vantagem irreal obtida até então.

R$ 211,3 milhões em dívidas trabalhistas no Corinthians

agosto 19, 2017

Recentemente, o Corinthians revelou, em balancete, que a dívida do clube aproximou-se dos R$ 450 milhões, sem contar os quase R$ 2 bilhões do estádio, que fazem parte, mas não deveriam, de contabilidade separada.

Ontem, levantamento do Globo Esporte mostrou que a situação é ainda pior.

O clube de Parque São Jorge possui R$ 211,3 milhões em dívidas trabalhistas, distribuidos em impressionantes 149 processos, que foram ocultadas de registro aos conselheiros, embutidas no item “refinanciamento do PROFUT”, boa parte dela por inadimplência aos impostos federais.

Este procedimento, de calotear as obrigações fiscais, levou, recentemente, quatro dirigentes alvinegros a três indiciamentos criminais no STF: Andres Sanches, André Negão, Raul Corrêa da Silva e Roberto Andrade.

Aliado a praticas incorretas da gestão alvinegra desde a presidência de Andres Sanches, quando foi acusado de fechar os olhos para suposto esquema de “Caixa 2” nas mensalidades de associados alvinegros, com ajuda da então recém contratada empresa OMNI, o diretor jurídico Luis Bussab justificou:

“Não sei o número exato, mas existe uma demanda grande trabalhista em todos os clubes. No Corinthians não é diferente.”

“A gente procura solucionar quando é possível, um acordo, quando há possibilidade.”

O Corinthians é o quinto colocado, no Brasil, entre dezenas de clubes relevantes, no número de processo trabalhistas desde a gestão Andres Sanches, superando o período Alberto Dualib, em que sequer figurava entre os dez primeiros.

Deputado quer transformar estádios de São Paulo em Big Brother para impedir frequencia de marginais

agosto 19, 2017

Celso Nascimento

Projeto de Lei nº 779/2017, do deputado estadual Celso Nascimento (PSC), prevê a transformação de todos os estádios de São Paulo numa espécie de Big Brother aina mais poderoso do que o famoso, exibido pela Rede Globo de Televisão.

O objetivo seria o de quase erradicar a presença de marginais nestes locais.

Pelo PL, seria obrigatória a utilização de sistema biométrico nas entradas, além de monitoramento por imagem em todas as áreas comuns de praças esportivas com capacidade igual ou superior a 10 mil pessoas, nos dias de jogos de futebol.

Diz trecho do documento:

Artigo 1º

Fica obrigatória, com base na Lei federal nº 10.671, de 15 de maio de 2003, e alterações posteriores, a utilização de sistema de identificação biométrica nas entradas e de sistema de monitoramento por imagem em toda a área de uso comum de estádios com capacidade superior a 10.000 (dez mil) pessoas, no âmbito do Estado de São Paulo, nos dias de jogos de futebol.

Artigo 2º

Por meio do sistema de identificação biométrica referido no artigo 1º desta Lei, será constituído banco de dados das pessoas que possuem histórico de violência dentro e no entorno dos estádios, bem como realizado cruzamento, em tempo real, com outros bancos de dados disponibilizados por órgãos de segurança, tais como:

  • I – de pessoas impedidas de comparecimento às proximidades de estádios;
  • II – de foragidos;
  • III – de mandados de prisão;
  • IV – de associados ou membros das torcidas organizadas; e
  • V – de demais bancos de dados de órgãos públicos relativos à segurança pública e do Poder Judiciário.

§ 1º – Os dados obtidos no cadastramento biométrico para efeito do previsto no caput ficarão sob responsabilidade e controle exclusivos dos órgãos públicos competentes.

§ 2º – Ficam vedados o compartilhamento e a utilização do banco de dados constituído nos termos do caput deste artigo para quaisquer outros fins que não os previstos nesta Lei.

§ 3º – Fica o Poder Executivo autorizado, através da Secretaria de Segurança Pública e demais órgãos da administração pública estadual, a celebrar convênios e parcerias com municípios, com o Poder Judiciário, com a entidade responsável pela organização da competição e, ainda, com proprietários ou responsáveis pela administração dos estádios, sempre com a participação do Ministério Público para a consecução dos objetivos desta Lei.

Artigo 3º

Fica proibida, nos estádios de futebol, a entrada de pessoas condenadas, com sentença transitada em julgada, por praticar atos de violência no interior ou no entorno desses locais, com base na Lei federal nº 10.671, de 2003, e alterações posteriores.

O texto deverá ser discutido pela Assembléia nos próximos meses e, se aprovado, deverá ainda passar por regulamentação para definição de quem bancaria todos os custos e a metodologia a ser utilizada.

Andres Sanches encontra-se com Edinho Silva em Araraquara: os dois enrolados na Justiça Eleitoral

agosto 19, 2017

Ação que tramita na Justiça Eleitoral, com desdobramento no STF, investiga, com quebra de sigilo bancário decretado (Bradesco e Banco do Brasil enviaram, esta semana, material), procedimentos criminosos atribuídos ao prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), então ocupante do cargo de tesoureiro de campanha de Dilma Rousseff, que teria beneficiado a ela e também a outros petistas, entre os quais o deputado Andres Sanches, num esquema de lavagem de dinheiro com a utilização de gráficas fantasmas.

Porém, nem a complicada situação judicial serviu para coibir nova parceria entre os citados.

Anteontem, Andres Sanches e seu escudeiro, André Negão, que também foram delatados como recebedores de propina da Odebrecht para beneficiar a construtora contra os interesses do Corinthians na obra do estádio de Itaquera, estiveram com Edinho Silva, em Araraquara, sem o menor resquício de constrangimento.

Negão, em seu facebook, revelou que o parlamentar, por meio de emenda, fez chegar a Silva a quantia de R$ 1,7 milhão, para suposta utilização em eventos esportivos no município.

Videogame funcionaria em uma competição como a Olimpíada?

agosto 19, 2017

Da FOLHA

Por MARILIZ PEREIRA JORGE

Com Paris confirmada como sede da Olimpíada de 2024, os franceses já disseram que vão levar para a mesa de negociação a inclusão do videogame, chamado agora de e-sport, como modalidade esportiva. A discussão é necessária, mas talvez o ponto mais importante nem seja mais decidir se videogame é esporte ou não.

Se tem disputa, eventos organizados, atrai fãs e seduz milhares de praticantes, deveria ser considerado esporte legítimo. É esse o argumento de Tony Estanguet, medalhista na canoagem e co-presidente do comitê francês. Ele está certo. Mas por essa lógica, xadrez deveria ser incluído na competição.

A diferença entre xadrez e e-sport são os números. A estimativa é de que existam mais de dois bilhões de gamers no mundo e que o esporte movimente cerca de U$ 100 bilhões.
O ponto fundamental, que não deveria ser ignorado, é se o formato do esporte funcionaria numa competição como a Olimpíada e se atrairia os melhores jogadores do mundo e com eles a audiência esperada. Um evento desse só se sustenta sobre esses dois pilares: talento e interesse do público.

É saudável que haja revezamento de modalidades, que elas sejam testadas para que os Jogos mantenham aquelas que atraem não apenas público, mas suas principais estrelas. O beisebol volta em 2020 no Japão, graças à popularidade que tem no país (atrás apenas de judô e sumô) e também pelo lobby feito pelo comitê japonês, que conseguiu convencer o COI (Comitê Olímpico Internacional) de que isso atrairia bons patrocinadores.

O esporte fez sua estreia em Barcelona, em 1992, e foi excluído de Londres, em 2012, depois de cinco edições, justamente pela falta de apelo e representatividade mundial. Vimos isso acontecer com o golfe na Rio-2016. Os craques não deram as caras porque perderiam dinheiro deixando de participar dos circuitos mundiais em troca da experiência numa Olimpíada. Prioridades. E o desempenho da modalidade está na mira do COI.

Em Tóquio, teremos surfe, skate, escalada, caratê, além do beisebol. Essas aquisições mostram como os esportes que atraem audiência jovem estão sendo privilegiados.

Paris tem pressa porque as mudanças nesse cardápio esportivo precisam ser aprovadas dentro de um prazo curto. Se quiser ter videogame em 2024 a hora é agora.

Um sinal de que a campanha do comitê organizador de Paris tem alguma chance de ser frutífera é que o e-sport foi legitimado pelos Jogos Asiáticos e estará no evento de 2022. Os franceses entendem que a inclusão do videogame é uma necessidade para que os Jogos mantenham sua relevância entre as novas gerações.

Resta saber como incluir uma “modalidade” que tem centenas de milhares de opções. Candy Crush, jogo que virou modinha num passado recente e deixou muita gente viciada, é game, assim como Overwatch, que tem conquistado milhões de fãs ao redor do mundo.

O mau desempenho da nossa “seleção” na Copa do Mundo de Overwatch deste ano, em uma das cinco fases realizada na semana passada, despertou a ira dos torcedores brasileiros. Houve discussão feia na internet sobre a qualidade dos jogadores, a escalação e a eliminação. Muita gente que não passa perto de um estádio de futebol, mas que não sai da frente do computador. É bom mesmo o COI ficar de olho.

Venha logo

agosto 19, 2017

Da FOLHA

Por RUY CASTRO

Um conselho: se estiver a fim de vir ao Rio, venha logo. Não que estejamos em risco de perder o sol, o mar, a luz do inverno, o contorno das montanhas e outras atrações de autoria da natureza. Mas, com Marcelo Crivella como prefeito, tudo mais corre o risco de desaparecer. Ele não gosta da cidade.

Para começar, não conhece o Rio. Pode saber tudo de Tebes, Jericó ou Jerusalém, pelos anos que levou decorando o Velho Testamento, mas não sabe nada de ruas como a da Quitanda, o Ponto de Cem Réis ou a ladeira do Quebra-Bunda. Tem também mais intimidade com a África, onde foi, segundo diz, missionário, do que com a história da Pequena África, nos arredores da antiga praça Onze, onde se gestou o samba. Como não conhece nosso patrimônio histórico e cultural, Crivella o despreza ou trabalha para derrubá-lo. O Carnaval, por exemplo, seria mais tolerável se tocassem “Mamãe Eu Quero” em ritmo de gospel.

Em sua campanha à prefeitura, ele pregou que vinha para “cuidar das pessoas” —uma cotovelada na administração anterior, que se especializou em obras. Bem, sob Crivella, o Rio está batendo recordes de moradores de rua, e não adianta botar a culpa no desemprego. O que ele está fazendo para criar empregos e gerar riqueza?

Mas o que Crivella está mais exigindo dos visitantes é que, ao passear pelas ruas do Rio, exibam seus dotes de contorcionistas —para driblar as bancas de camelôs ou não pisar em todo o tipo de muamba espalhada sobre as calçadas. Entregue aos ambulantes, a cidade está aberta ao contrabando, ao roubo de cargas e à pauperização do comércio organizado, aquele que paga impostos e mantém empregados.

Crivella parece não gostar do comércio organizado. Mas com uma exceção: tente botar uma banquinha de Bíblias na porta de seu templo para ver se o pastor vai gostar.


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