Morte sem mídia no Exército Brasileiro

No dia 14 de março de 2023, o então 3º sargento Sergio Luiz de Souza da Silva, promovido post mortem à graduação de 2º sargento do Exército Brasileiro, morreu dentro das próprias instalações da corporação.

O caso foi abafado.

A tragédia ocorreu durante testes do foguete sinalizador SS-606, protótipo desenvolvido pela empresa Condor, realizados no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), em Marambaia (RJ).

O Ministério Público Militar denunciou o capitão de mar e guerra da reserva Jorge Vicente Eirado Ribeiro por homicídio culposo majorado e fraude processual, sob a acusação de ter autorizado e coordenado os testes sem observar normas de segurança, expondo militares a riscos desnecessários e sem a utilização de equipamentos de proteção individual.

Segundo a denúncia, o terceiro disparo do foguete desviou de sua trajetória e atingiu a cabeça de Sergio Luiz de Souza da Silva, que morreu poucas horas depois em decorrência de graves lesões cranianas.

O teste envolvia um protótipo ainda em desenvolvimento, sem homologação definitiva.

Uma das testemunhas de defesa mencionou o episódio ocorrido em 2013, durante uma partida do Corinthians na Bolívia, em que um torcedor morreu após ser atingido por um sinalizador.

A referência foi utilizada para exemplificar o potencial letal desse tipo de artefato quando lançado em alta velocidade contra uma pessoa.

Também foram denunciados os funcionários da Condor Rafael Brescansin de Almeida e Claudio Cesar Gomes Pontes, acusados de fraude processual.

De acordo com o MPM, após o acidente, ambos teriam retirado do local dez protótipos remanescentes do foguete SS-606 e os enviado de volta à empresa, impedindo sua preservação para futuras perícias.

O processo, que representa mais uma evidência das deficiências de preparo das Forças Armadas brasileiras — expostas de forma amplamente noticiada durante o governo Bolsonaro —, tramita na 1ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar, no Rio de Janeiro, sob a condução da juíza federal substituta da Justiça Militar Mariana Aquino.

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