A controversa concentração de Curaçao

A iniciativa da seleção de Curaçao de permitir que jogadores dividam os quartos da concentração com esposas e familiares merece elogios.

Em um ambiente tão desgastante quanto uma Copa do Mundo, cercar os atletas de afeto, conforto emocional e referências de casa pode representar importante diferencial para o equilíbrio psicológico e até para o desempenho esportivo.

Trata-se de medida que humaniza o futebol, frequentemente tratado como uma atividade mecânica, na qual os atletas são afastados de tudo e de todos em nome da performance.

O exemplo de Curaçao mostra que há outros caminhos possíveis.

Isso não significa, porém, que a fórmula seja adequada para todas as situações.

Cada grupo possui suas particularidades.

Há casos em que relacionamentos atravessam períodos de crise, circunstância capaz de transformar a concentração em ambiente de tensão adicional.

Em vez de aliviar a pressão, a convivência permanente pode ampliá-la.

Também é impossível ignorar a realidade do futebol profissional.

Existem jogadores que apreciam a liberdade proporcionada pelas viagens e concentrações, nem sempre compatível com a presença constante da parceira.

Em determinados casos, a medida pode até gerar desconforto, ainda que ninguém o admita publicamente.

O mérito da decisão de Curaçao está justamente em compreender as características de seu elenco e de sua cultura, algo que não necessariamente poderia ser replicado com o mesmo êxito em outras realidades e países.

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