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RIPI Otavio Frias Filho (1957-2018): mais que um jornal, sempre perecível, lega um projeto

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Da FOLHA

Por CLÓVIS ROSSI

A timidez não inibiu Otavio Frias Filho a tomada de decisões ousadas em momentos cruciais

A grande obra legada por Otavio Frias de Oliveira Filho não é esta Folha que você está lendo, na sua edição impressa ou na digital.

É algo mais amplo e mais permanente: um projeto editorial que eu adotaria sem pensar duas vezes, se tivesse competência e recursos para montar um jornal. A proposta de jornalismo crítico, apartidário, independente e pluralista é um marco no jornalismo brasileiro.

Otavio consolidou-a no Manual da Redação, o primeiro deles lançado em 1984, mas os princípios do projeto já impregnavam o trabalho dos jornalistas da Folha desde que comecei a trabalhar no jornal, em 1980.

O primeiro Manual, aliás, não foi bem recebido por parte significativa da Redação. Um grupo grande redigiu até um documento, que eu também assinei, apontando o que considerávamos problemas nas regras. O principal deles: parecia uma camisa de força.

Mas a tempestade não durou muito. As regras foram mantidas tal como originalmente expostas e consolidaram o jornal.

Minha primeira experiência concreta com o espírito de independência do Projeto Folha veio já na primeira pauta de que me incumbiram, assim que voltei, no finalzinho de 1983, do período como correspondente em Buenos Aires.

Deveria traçar um perfil de José Serra, que estava saindo do governo de Franco Montoro para trabalhar no que seria a campanha presidencial (indireta) de Tancredo Neves.

Fiquei assustado: como é que se pode fazer jornalismo crítico em relação a alguém, como Serra, que havia sido editorialista do jornal, trabalhava no andar da diretoria e tinha excelente relação com o publisher, Octavio Frias de Oliveira, o pai de Otavio?

Para complicar mais, as fontes que apontavam defeitos em Serra pediam que o nome não fosse mencionado. O próprio Serra só fez um pedido: que eu não dissesse que ele era chamado de “Delfim Netto do PMDB [o seu partido à época]”.

Comuniquei o pedido aos editores, o que não impediu que Otavio mandasse encaixar no texto um quadrinho à parte em que o jornal dizia que Serra era considerado o Delfim Netto do PMDB.

Pensei: se é possível desagradar a um político que é amigo do dono, é possível fazer jornalismo crítico com todos. De fato, foi o que fez com todos os governantes a Folha de Otavio, como a do pai, antes.

Quando, em 1987, morreu Cláudio Abramo, um dos grandes ícones do jornalismo brasileiro e que ajudara o pai e o filho a montar a Folhalíder de mercado, os dois me convocaram à sala do pai para me convidarem a substitui-lo como colunista da página A2.

Garantiram que eu teria total independência para escrever o que quisesse, sobre quem quisesse. Cumpriram.

Nos muitos anos que se seguiram, critiquei duramente os presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, sem ter jamais recebido qualquer pedido para baixar o tom, mudar de assunto, elogiar alguém (Itamar Franco escapou porque ficou pouco tempo).

Uma única coluna foi censurada —e por motivos estéticos. Eu ironizava a decisão do Banco Central de instalar música ambiente nos banheiros, com um texto imaginando situações com músicas e necessidades fisiológicas.

Otavio achou que o texto invadia o terreno da escatologia.

Como não conseguiu me achar para fazer as alterações necessárias (não havia celular à época e eu estava jantando com o cônsul japonês na casa dele), mandou substituir a coluna. É um detalhe que revela outra característica do trabalho dele: a preocupação com a qualidade dos textos.

Não por acaso, sua grande paixão foi o teatro, que exige textos aprimorados, e a literatura. Tanto que, enquanto se tratava do câncer que o matou, todo seu foco estava em escrever um novo livro. Contou a amigos que seria sobre a vida e a personalidade do pai —tema certamente fascinante porque os dois são diametralmente opostos.

O pai era um vulcão sempre pronto a explodir, extrovertido a mais não poder. Otavio, ao contrário, era tímido e reservado.

Mas a timidez não inibia a tomada de decisões ousadas em momentos cruciais. Do meu ponto da vista, o momento em que ele revelou a fibra de editor de primeira linha foi na noite da apuração do pleito de 1989.

As pesquisas de boca de urna deixavam claro que Fernando Collor de Mello ficaria em primeiro lugar, mas havia empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola.

Otavio convocou uma reunião atrás da outra, para decidir como seria a manchete do dia seguinte. Já no limite do prazo para o fechamento, bateu o martelo, a partir de considerações de Antonio Manuel Teixeira Mendes, então responsável pelo Datafolha: seria Collor x Lula.

Decisão arriscada, mas que se comprovou acertada. Em emails recentes que trocamos, ele confessou que, como eu, passara alguns dias angustiado porque as primeiras apurações ainda punham Brizola no segundo turno.

Editar um jornal impõe correr riscos e, por extensão, angustiar-se eventualmente. Otavio Frias de Oliveira Filho correu-os desde muito jovem. Sorte da Folha.

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Corinthians assume o risco e anuncia acordo com empresa suspeita de cripto-moedas

Há dois meses, o Blog do Paulinho revelou que o Corinthians fechou, através do primeiro ministro Luis Paulo Rosenberg, acordo de parceria com a obscura “Inoovi Ltd”, sediada em paraíso fiscal, sem escritório no Brasil, para a criação da cripto-moeda “IVI”.

A postagem, bem detalhada, trás ainda artigo de especialista no setor, que trata o negócio como fraude:

Rosenberg coloca Corinthians em apuros ao fechar contrato com empresa suspeita, sediada em paraíso fiscal

Por conta da repercussão negativa, mesmo com contrato já assinado e figurando no site da empresa como “parceiro” com reserva de “quantia enorme” de “IVI”, o Corinthians adiou por dois meses o anuncio público, que, somente ontem, através de nota no site alvinegro, foi explicitado, com acréscimo de informação:

“A Inoovi Ltd.  terá a sua marca IVI estampada nas propriedades do Timão, inclusive nos uniformes de jogo”

Não é a primeira vez que o Corinthians coloca a marca de empresa complica em seu uniforme, muitas vezes tendo como resultado a necessidade de ir à justiça para receber calotes, sem sequer conseguir encontrar o devedor para citação.

O site da “Inoovi”, absolutamente amador, fala da possibilidade da “Ivi” ser utilizada em transações de jogadores, o que, pelo lei da FIFA, é infração, e, mesmo no Brasil, sem a regulamentação do Banco Central, aliado aos métodos já conhecidos da cartolagem nacional, torna-se claro estímulo à lavagem de dinheiro.

Ainda na mesma página, existe o seguinte texto:

“Nós temos uma equipe muito profissional. A maioria deles deseja manter a confidencialidade e todos podem entender. Os Clubes Esportivos irão conhecer pessoalmente a nossa equipe no seu tempo certo”

O dono da empresa, o francês Loïc LA.CAM, teve negado em seu país registro de pequena empresa de aviação comercial (na verdade, um avião) por não apresentar documentação, nem os investidores necessários, passando a operar na Suécia.

Abaixo fotografia dele com o presidente alvinegro, Andres Sanches:

Qualquer semelhança com procedimentos da MSI, ex-parceira que levou o Corinthians à segunda-divisão (também com atuação de Sanches nos bastidores), pode não se tratar de mera coincidência.

Se noutros negócios, recentes, também com empresas complicadas, o clube pode até dar a desculpa de ter sido enganado, neste caso específico, em que dois meses se passaram após a exposição clara de irregularidades possíveis do acordo, além da obscuridade dos parceiros, não mais.

Conselho do Palmeiras beija as mãos de Leila Pereira e aprova contrato de empréstimo com a Crefisa

Em reunião extraordinária, realizada ontem (20), convocada às pressas pelo submisso presidente palestrino, Maurício Galiotte, o Conselho Deliberativo do Palmeiras decidiu, contra os interesses do clube, aprovar aditamento contratual de empréstimo com a Crefisa, assinado em janeiro, que já havia sido, tecnicamente, reprovado pelo COF.

Compareceram 225 conselheiros entre os 278 que poderiam votar.

Destes, 141 beijaram as mãos generosas de madame Leila Pereira, 67 recusaram-se a votar e 17 saíram do clube antes de iniciados os trabalhos

Com a ação, o clube assume dívida – que não existia antes, de R$ 120 milhões com a patrocinadora.

O acordo, em verdade, tratou de salvar a Crefisa, às custas do pescoço palestrino, de graves problemas com a Receita Federal por conta do envolvimento, irregular, da empresas com transações de jogadores.

Apesar da decisão do Conselho, há quem advogue que o órgão não teria poderes para votar reestruturação de contratos, apenas o COF – que já reprovou-os, situação que deverá judicializar a questão.

O tempo comprovou: Fábio Carille, não Osmar Loss, como dizia Andres Sanches, era o treinador do Corinthians

Enquanto Fabio Carille desempenhava, com absoluta qualidade, seu papel de treinador do Corinthians, mesmo diante de jogadores modestos que lhe eram entregues por dirigentes alvinegros mais preocupados com negócios do que em seguir a necessidade operacional dos elencos, o então ex-presidente Andres Sanches, trabalhava para derrubá-lo.

Durante o processo de impeachment de Roberto Andrade, o parlamentar articulou, em troca de apoio ao presidente – com quem estava atritado, a colocação de Osmar Loss, então na base, como auxiliar da equipe profissional, acreditando que, naturalmente, assumiria o lugar no time principal.

Os resultados e títulos de Carille impediram o objetivo.

Ainda assim, nos bastidores, Sanches infernizava o ambiente, dizendo a torcedores, associados e conselheiros do Corinthians:

“(..) quem monta e treina o time é o Loss, o Carille só leva a fama”

O tempo passou, Sanches venceu as eleições presidenciais e Carille, antenado, aceitou a primeira proposta, por sinal, muito boa, para livrar-se da provável demissão.

Efetivado, Loss, que para a diretoria do clube, mais do que treinador é um parceiro de negócios, teve expostas suas limitações.

Preso ao compromisso firmado, Andres Sanches tem se enervado, no dia a dia, quando interlocutores de suas exaltações às qualidades do atual treinador, no período em que era subordinado a Carile, questionam-lhe sobre o assunto.

Cartola da Federação Paraibana anunciava resultado de julgamento do STJD quatorze dias antes de realizado

No dia 02 de agosto, o ex-diretor executivo da Federação Paraibana de Futebol, Eduardo Araújo, afastado do cargo por conta dos desdobramentos da “Operação Cartola”, enviou mensagem de whatsapp a seus parceiros, dizendo que o STJD não iria conceder efeito suspensivo, em arrepio ao que prevê a legislação brasileira, ao presidente da entidade, Nosmam Barreiro, punido por 30 dias após tratar a CBF como corrupta.

O objetivo da punição era o de afastá-lo da disputa, abrindo caminho para alguém mais alinhado aos interesses da Casa Bandida.

A mensagem de Araújo, que é parceiro de Marco Polo Del Nero e da auditora do STJD, Michele Ramalho, bem próxima ao mandatário da CBF, insinuando, com antecedência, que Nosman permaneceria suspenso, chama a atenção por ter sido disparada quatorze dias antes da definição da sentença, formalizada apenas no dia 16.

As frases, por si, são esclarecedoras e sugerem conluio entre favorecedores e favorecidos:

“Para cada passo dado, já tem o próximo passo”

“Ninguém poderá candidatar-se”

“Tu acha que esse julgamento hoje foi por acaso ?”

“Ele (Nosmam) vai recorrer, vai pedir efeito suspensivo… tu quer apostar quanto que não vai ser concedido ?”

O futebol brasileiro, que deveria ser decidido dentro dos gramados ou, em sua gestão, através da democracia, segue vítima do abre e fecha de gavetas impuras, propriedades de gente que ainda se gaba de participar do que, nitidamente, não parece ser correto.

EM TEMPO: o Relatório Criminal que desencadeou afastamento do ex-presidente Amadeu, assim como de seus diretores, Eduardo Araújo (foto) e Marcos Souto Maior, por fraudes e organização criminosa já citava, em maio, favorecimentos por conta de tráfico de influência na Justiça Desportiva:

ABAIXO O TERMO JUDICIAL DE AFASTAMENTO DE EDUARDO ARAÚJO, ASSINADO PELO PRÓPRIO

STJD, CBF e clubes tramam para amenizar punições a jogadores

O STJD, atendendo aos desejos da CBF e também dos clubes brasileiros, implementará, em breve, a substituição de punições graves a jogadores de futebol por penas alternativas.

Entre as quais: visitar creches, hospitais, etc.

Para que a medida seja aplicada, no momento do julgamento os defensores do atleta deverão fazer a solicitação ao órgão, que analisará, caso a caso, a aplicação.

É ai que mora o perigo.

Assim como ocorre na arbitragem, algumas “interpretações” nem sempre são tão claras como as regras, e determinados clubes são mais amigos da CBF do que outros, o que poderá, provavelmente, influenciar em algumas determinações.

Por onde anda Deus quando um padre estupra uma criança?

Da FOLHA

Por MARILIZ PEREIRA JORGE

A igreja está preocupada em evitar que o número dos fiéis continue a diminuir

O mais recente escândalo de abuso sexual dentro da Igreja Católica tem pelo menos mil vítimas e envolve cerca de 300 padres da diocese da Pensilvânia, nos Estados Unidos. O relato dos casos é de embrulhar o estômago dos mais fortes. Na Argentina, o caso mais estarrecedor é de estupro e espancamento de crianças surdas, cometidos por padres nas cidades de La Plata e Mendoza. Na Austrália, perto de 4.500 denúncias foram feitas às autoridades eclesiásticas e uma investigação descobriu que 7% dos sacerdotes foram acusados de abuso contra menores. O Ministério Público brasileiro investiga casos denunciados na Paraíba. Tudo em sigilo.

Décadas de denúncias acobertadas. Só no caso da Pensilvânia, as investigações mostram que o Vaticano sabia de alguns casos desde a década de 1960. No mundo todo, padres, bispos, cardeais eram afastados das paróquias e, pasme, transferidos para outras onde cometiam de novo, de novo e de novo monstruosidades contra indefesos. Eram promovidos ou, no máximo, transferidos para Roma, numa aposentadoria compulsória, como essas que acontecem quando gente do Judiciário brasileiro faz merda.

Décadas e décadas de denúncias e de negação. Um papa depois do outro cuidou de salvar a reputação da instituição às custas de milhares de novas vítimas. Nem Francisco se salva dessa lama em que a Igreja Católica afunda a cada dia. Apesar de ter pedido tolerância zero, teve uma das atitudes que mostram a serviço de quem ele está ao pedir provas das vítimas chilenas, quando esteve no país no ano passado, e foi cobrado por causa dos escândalos envolvendo um padre e um bispo. Não foi o único caso em que se colocou ao lado dos agressores.

Ontem, o Vaticano emitiu um comunicado, assinado pelo papa em que ele reconhece que o abuso foi “por muito tempo ignorado, mantido em silêncio” e promete acabar com o acobertamento dos casos. Ufa, fico mais tranquila agora que a mais alta autoridade da Igreja disse que não vão mais ignorar o comportamento predatório de seus representantes.

Há duas questões importantes. Primeiro, a Igreja não tem como fiscalizar a conduta criminosa de seus sacerdotes espalhados pelo mundo. Segundo, a mudança de postura da instituição não foi um milagre causado pela repentina conscientização de que a igreja deveria ser um dos últimos lugares do mundo em que crianças fiquem à mercê de pedófilos. A Igreja não está preocupada em proteger gente inocente, apenas em evitar que o número dos fiéis continue a diminuir, o que já acontece naturalmente mesmo sem escândalos. Para o marketing do Vaticano, padre que come criancinha é um péssimo negócio.

É revoltante, não é mesmo? Mesmo assim, não temos notícias de manifestações nas portas das igrejas em lugar algum do mundo, de revolta por parte dos fiéis na praça de São Pedro, em Roma, durante uma daquelas missas-espetáculo, protagonizadas pelo papa, onde se fala sobre um mundo com mais amor e com menos violência.

Na ótica dos defensores da família e dos bons costumes, pedofilia parece ser algo inaceitável, passível de protesto e agressão, apenas quando retratada num quadro, como aconteceu na exposiçãoQueermuseu“, em Porto Alegre, fechada por causa da pressão pública, mas reaberta no último fim de semana, no Rio. Ou quando a performance de um artista dentro de um museu cheio de gente é acusada de abuso sexual e de pornografia infantil. Daí não pode. Não pode mesmo, mas quando a acusação tem fundamento, e é bom lembrar que o Ministério Público pediu arquivamento da investigação sobre possível crime no vídeo em que uma criança interage com um artista nu. Não era crime, não era pedofilia, não era pornografia. Talvez não tenha sido adequado, mas esse é outro problema.

Já os casos de abuso sexual dentro da Igreja não deixam dúvidas. São crimes. Cometidos justamente por aqueles em quem famílias depositaram tanta confiança a ponto de tornar crianças e adolescentes alvos muito vulneráveis de predadores vestidos de homens santos. São curiosas a indignação seletiva e a passividade dos fiéis, principalmente os mais velhos, que continuam tão crentes e devotos diante de milhares e milhares de casos de assédio cometidos bem ali debaixo das barbas do criador. Sério, cadê a indignação, a gritaria e os protestos contra essas atrocidades? Tão importante quanto, por onde anda Deus na hora em que um padre estupra uma criança de seis anos?

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Julgamento que pode levar Andres Sanches (PT) a indenizar duas de suas vítimas está em fase final

Eliane e Nilda

A vida jurídica do deputado federal Andres Sanches (PT), presidente do Corinthians, que não anda nada fácil na esfera criminal (responde a ações diversas no STF e na Justiça Federal, uma delas, desdobramento da Operação Lava-Jato), complicou-se, também, no âmbito cível.

Desde 2014, duas de suas vítimas, Eliane Souza Cunha e Nilda Maria da Cunha, ex-funcionária e prima, segundo o MPF, transformadas, sob coação, em “laranjas” do parlamentar para que este pudesse desfalcar, ilicitamente, os caixas de fornecedores, instituições bancárias e também da Receita Federal (que lhe cobra mais de R$ 15 milhões, somente neste golpe), tentam receber, na justiça, indenização por danos morais e demais perdas.

Sanches, por conta do Foro Privilegiado e doutras ações protelatórias, como indicação de testemunhas difíceis de serem contactadas, conseguiu atrasar o julgamento em, até o momento, quatro anos.

Porém, decisão do STF que retirou privilégio de deputados, acelerou, nos últimos meses, a questão.

Decisão da juiza Glaucia Lacerda Mansutti, da 45ª Vara Cível de São Paulo, datada da última quinta-feira (16), encerrou todas as oitivas testemunhais e concedeu prazo máximo de dez dias para que todas as partes, golpistas (Sanches e familiares) e vítimas alaranjadas, apresentem suas alegações finais.

Após, a sentença deverá ser proferida, provavelmente, até o final de outubro.

Eliane e Nilda pedem R$ 3,4 milhões do presidente do Corinthians, que, corrigidos, atingem R$ 4,3 milhões.

Bolsonaro é o caminho mais fácil para o PT voltar ao poder

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Logo após o escândalo do Mensalão, protagonizado por dirigentes graúdos do PT, a votação apertada que deu vitória à Dilma Rousseff, representante do partido nas eleições presidenciais contra a terrível alternativa que era Aécio Neves (PSDB), deu mostras das dificuldades que estavam por vir.

Nos anos seguintes, a situação ficou ainda pior.

Com toda a cúpula presa por corrupção, seguiu-se o processo exitoso de impeachment da presidente e a posterior prisão, justa, do líder máximo, Luis Inácio Lula da Silva.

Era consenso geral: o PT respirava por aparelhos.

Bastaria os adversários estruturarem-se com boas plataformas políticas e candidatos relevantes para que a última pá de cal fosse adicionada, inviabilizando qualquer possibilidade, que já era improvável, dos petistas retomarem o poder.

Em meio ao caos, as mídias sociais, frequentadas por radicalistas sem traquejo para política, apaixonaram-se pelo discurso dum capitão do exército, muito parecido com o deles, que, ainda inalcançado pela real possibilidade de concorrer à presidência, discursava sobre o que não entendia, prometia o impossível, escondia a irrelevância e, de bônus, comportava-se como recém saído da pré-história.

Jair Bolsonaro, porém, para manter a “claque”, tornou-se refém daqueles que o tratam como “mito”, obrigado a agradá-los com micagens públicas e frases feitas que sugerem coragem “contra os corruptos”, mesmo que, em verdade, tenho estado ao lado de todos, durante trinta longos anos, sem nunca ter ensaiado combatê-los.

Pelo contrário, além da pouca produtividade, também aceitava e proporcionava privilégios, como os recebimentos de “auxílio moradia” mesmo possuindo residência em Brasília, os diversos episódios de acolhimento a funcionários fantasmas (a famosa “Wal do Açai”, sua ex-esposa, etc.).

Nesse contexto, fica cada vez mais claro que a candidatura de Bolsonaro pouco tem a evoluir, porque tornou-se opção de um nicho de eleitores limitado ao percentual já atingido nas pesquisas, que, com o avanço da campanha, diante do fraco desempenho, tanto nos debates quanto nas entrevistas, tende a migrar, em parte, para alternativas mais sérias.

Ainda assim, em quadro otimista, com o capitão chegando ao segundo turno, de quem ele conseguiria angariar a simpatia necessária para vencer as eleições ?

Alguém imagina eleitores de Alckmin, Haddad, Marina Silva, Alvaro Dias, Ciro Gomes ou Meirelles votando em Bolsonaro ?

Talvez apenas o 1%, se tanto, do ignóbil cabo Daciolo migre ao candidato.

Do lado oposto, ainda no contexto de que Bolsonaro estaria no segundo turno, seu provável adversário seria Fernando Haddad (PT), habilidoso em debates e já alavancado pelo conhecido discurso messiânico do condenado Lula.

Este quadro é o sonho de ressurreição do PT, talvez o único passível de possibilitar-lhe a improvável vitória.

Haddad, pelo que indicam as avaliações recém divulgadas, perderia para Alckmin, Marina e até para Ciro Gomes, mas, diante de Bolsonaro e sua enorme rejeição fora do citado nicho eleitoral, além da improvável migração de apoio dos adversários, teria, sim, possibilidade de vitória.

Impeachment de José Carlos Peres, presidente do Santos, deverá ser votado no próximo dia 30

Odir Cunha e José Carlos Peres

Em reunião a ser realizada no próximo dia 30, o Conselho Deliberativo do Santos deverá votar o impeachment do presidente José Carlos Peres.

Alexandre Santos Silva, autor de um dos pedidos (são três), confirmou a informação a seus pares.

Havia dúvida se o presidente do órgão, Marcelo Teixeira, trabalharia para obstar o procedimento.

Em aprovado, quinze dias após (prazo a ser confirmado, por conta de questões burocráticas) os associados do Peixe, em Assembléia Geral, terão que ratificar ou refutar a decisão.

É pouco provável que Peres termine o ano na gestão alvinegra.

Romeu Tuma Junior faz lambança em recurso e toma nova surra de Juca Kfouri na Justiça

Ibis, simpático pássaro, símbolo de equipe de futebol reconhecida, mundialmente, pela ausência de vitórias

Recentemente, o ex-delegado Romeu Tuma Junior, candidato a deputado federal pelo PRB, de Edir Macedo, tomou duas sovas judiciais de Juca Kfouri, a quem processou nas esferas cível e criminal, após ser tratado como “mitômano” num dos textos do jornalista.

O leitor poderá conferir a íntegra das sentenças, nos links a seguir:

Justiça absolve Juca Kfouri que tratou Romeu Tuma Junior como “mitômano” em seu blog

Romeu Tuma Junior leva nova surra de Juca Kfouri na Justiça

 

Descontente, Tuma decidiu apelar ao TJ-SP, na ação criminal, mas seu escritório, tratado por alguns como “Íbis da advocacia”, devido ao grande percentual de derrotas, novamente fez lambança, e o recurso sequer foi aceito pelo relator, o desembargador Xisto Albarelli Rangel Neto:

“Indefiro o requerimento de adiamento do julgamento. Faço-o por duas razões:

(1) não foi justificado;

(2) por deserto, pretendemos nem conhecer do recurso”

Vale à pena assistir ao vídeo dos melhores momentos do julgamento (1ª instância), em que observa-se um Tuma Junior delirante, atacando Juca Kfouri com teorias conspiratórias, e a reação irônica do jornalista diante do que assistia de camarote:

EM TEMPO: atentos, leitores do Blog do Paulinho querem, após a terceira vitória, que Juca Kfouri peça “música no Fantástico”

No mesmo dia, conselheiro do Palmeiras entra na justiça, pede exposição de documentos, perde e desiste da ação

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Na última sexta-feira (17), o promotor de justiça Roberto Fleury de Souza Bertagni, ouvidor do MP-SP e conselheiro do Palmeiras, ingressou com pedido de liminar contra o clube e seu presidente do Conselho Deliberativo, Seraphim Del Grande, para exibição de documentos.

A intenção era evitar que o Conselho deliberasse, sem que constasse no Edital de Convocação, sobre as contas da agremiação, rejeitadas pelo COF.

O juiz Helmer Augusto Toqueton Amaral, porém, da 8ª Vara Cível de São Paulo, negou a solicitação:

“Em sede de cognição sumária e transitória da lide, indefiro a tutela de urgência pleiteada. Em relação ao pedido de exibição dos documentos, tratando-se de contratos garantidos por clausula de confidencialidade, necessária a instauração do contraditório”

“Quanto à Assembleia, eventual falta de acesso à documentação pode ser pontual, não envolvendo todos os Conselheiros, e não impede a manifestação de inconformismo, seja por abstenção, seja por reprovação, com consignação das razões em ata”

“Deve o requerente apresentar o pedido principal no prazo de cinco dias sob pena de indeferimento”

O promotor, no mesmo dia, desistiu do processo, que deverá ser extinto antes mesmo de iniciado.


Em tempo: outros conselheiros alviverdes, João Carlos Minello e Edevaldo Beluccci, também entraram com o mesmo pedido judicial (na 4ª Vara Cível), com resultado idêntico, tendo ainda negada a solicitação de “segredo de justiça”.

FIFA pune Atlético de Madrid por promiscuidade com agentes de futebol, além de clubes árabes por atrasos de salários

Na última sexta-feira, o Comitê Disciplinar da FIFA decidiu punir o Atlético de Madrid por realizar negócios em promiscuidade com agentes de jogadores, inclusive colaborando para fraude na documentação (ITMS):

Diz trecho da sentença:

“(…) o Comitê Disciplinar da FIFA sancionou o clube Atlético de Madri, na Espanha, com uma multa de 52.500 francos suíços ( R$ 210 mil) e uma advertência por violar Art. nº 18 do Regulamento sobre o Status e Transferência de Jogadores ( edição de 2014 ), bem como o Anexo 3 deste regulamento”

“Verificou-se que o clube era responsável por celebrar contratos que permitiam a terceiros influenciarem na independência do clube em questões de emprego e transferência de jogadores, além de inserir informações incorretas no Sistema Internacional de Correspondência de Transferências (ITMS)”

A punição somente foi possível porque o clube espanhol foi denunciado, formalmente, na entidade.

Foram apenados também, quatro clubes por atraso no pagamento de salários de seus jogadores:

  • Qatar Sports (Catar)

R$ 120 mil e 90 dias para acertar todas a pendências.

Em caso de descumprimento, perda automática de seis pontos no campeonato local e quatro anos sem poder vender ou contratar jogadores

  • Shabab Al Ahli Dubai Club (Emirados Árabes)

R$ 120 mil e 90 dias para acertar as pendências.

Em caso de descumprimento, perda automática de seis pontos no campeonato local e dois anos sem poder vender ou contratar jogadores

  • Al-Shamal Sports Club (Catar)

R$ 60 mil e 30 dias para acertar todas as pendências.

Em caso de descumprimento, perda automática de seis pontos no campeonato local e um ano sem poder vender ou contratar jogadores

  • Saba Qom Football Club (Irã)

R$ 40 mil e 30 dias para acertar as pendências.

Em caso de descumprimento, perda automática de seis pontos no campeonato local e um ano sem poder vender ou contratar jogadores

A maior parte dos clubes brasileiros age com as praticas comerciais do Atlético de Madrid, também atrasando salários, como os árabes, e, apesar de existir legislação, tanto nas federações quanto na CBF para corrigi-los – com sanções ainda mais graves do que as aplicadas pela FIFA, nada acontece, porque todos (infratores, vítimas, legisladores e tribunais) omitem-se à respeito.

A Tite o que é de Tite

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Do ESTADÃO

Por MAURO CEZAR PEREIRA

Tite faz parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Foi por ela cooptado em junho de 2016 quando aceitou não apenas o cargo de técnico da seleção brasileira, como se dispôs a ser apresentado pelo então presidente da entidade. Ganhou até homenagem de Marco Polo del Nero, cujo nome já integrava lista do FBI. O cartola não deixava o território brasileiro, sob o risco de ser detido, como aconteceu com seu antecessor e vice, José Maria Marin.

Em 2018, Del Nero seria banido do futebol pela Fifa. Ele foi considerado culpado em episódios diversos. Tite sempre driblou o assunto em entrevistas coletivas. Só não se esforçou para desvencilhar-se do beijo que o ex-cartola sapecou em sua face ao entregar uma camisa da seleção com o nome da mãe do treinador, quando aceitou ser apresentado como novo comandante do time “cebeefiano” em cerimônia estrelada pelo dirigente.

Dissesse à época que não, seria prontamente atendido. Não nos esqueçamos do contexto da contratação. A equipe canarinho era sexta colocada nas Eliminatórias Sul-Americanas. Com Dunga, corria risco de não se qualificar para a Copa do Mundo. Temendo não ter seu time na Rússia, a CBF estava de joelhos diante de Tite dois anos antes do Mundial, quando lhe pediu socorro. Uma apresentação sem Del Nero, regalos e ósculos seria simbólica.

Se Tite compôs, como desconectá-lo do organismo ao qual se associou? Ele não tem qualquer participação nas ações que levaram o ex-presidente a ser cuspido pela Fifa, mas é parte da engrenagem que move a CBF. Ao desfalcar times brasileiros por amistosos inexpressivos mais de quatro anos antes da próxima Copa, o técnico foi egoísta. Nem parecia o corintiano que se queixava da lista de convocados 18 dias antes de se transformar em convocador.

Separar Tite da CBF é missão impossível que recheia discursos conformados ou controlados pelo status quo que movimenta a política futebolística nacional. Por que se o calendário é o problema maior, a instituição que o técnico representa é a culpada. Seguimos reféns de uma programação que aperta os times em mais de 80 jogos por ano por causa de estaduais longos, jamais reduzidos para não desagradar as 27 federações que os promovem.

E, não esqueçamos, são essas entidades que elegem o presidente da CBF. Desde 2017 com peso três, enquanto os clubes da Série A têm votos com peso dois e os da B, um. Fácil entender porque não se enxuga tais certames. Apesar da derrota em terras russas, Tite ainda tem peso e lhe sobram ofertas de trabalho. Independência! Seria bacana vê-lo chamar 23 atletas que atuam no exterior para os amistosos sem sal contra El Salvador e Estados Unidos, em setembro.

O técnico perdeu a chance de mostrar coerência com seu discurso dos tempos em que trabalhava em clube e até assinou manifesto pela renúncia de Marco Polo Del Nero, em dezembro de 2015. Apenas meio ano antes de por ele ser contratado. Estaríamos aplaudindo Tite se desse uma contribuição ao futebol jogado no Brasil. Bastaria não mutilar times envolvidos em competições mais relevantes do que esse par de jogos insossos. Opções não lhe faltavam.

Ele não é técnico da Argentina, Usbequistão ou Irlanda do Norte, convoca para a seleção brasileira, trabalha para a CBF e se não é quem monta o calendário, responde e aceita carinhosas homenagens de quem dele se aproveita. Por favor, sem passadas de pano, tentativas de proteger o treinador como se fosse um ser à parte, mesmo trabalhando dentro da suntuosa sede que a confederação mantém na Barra da Tijuca.

A Tite o que é de Tite.

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