Duílio ‘do Bingo’ abandona o Corinthians mentindo, mas com os bolsos cheios

Após anos de contribuição às corruptas gestões da “Renovação e Transparência” no Corinthians, seja no cargo de diretor de futebol — período em que enriqueceu após anos de dificuldades financeiras decorrentes do ramo da jogatina —, seja no de presidente, protagonizando acordos espúrios, como os firmados com a TAUNSA e as confissões de dívidas milionárias já prescritas em favor de agentes parceiros, Duílio “do Bingo” Monteiro Alves renunciou ao título de associado alvinegro.
Não por virtude, mas por covardia.
Acossado pelos trâmites internos do clube, além do processo em que figura como réu por desvio de dinheiro, Duílio caminhava para ser expulso da agremiação.
Em vez de sair de fininho, o ex-presidente teve a cara de pau de escrever uma melancólica carta de despedida, na qual mentiras, distorções e comparações indevidas serviram de base para o texto.
Destacamos:
“Fui presenteado com o título de sócio remido pelo meu avô, Orlando Monteiro Alves, ainda na maternidade, no dia do meu nascimento, e respirei os ares da Democracia Corinthiana graças ao meu pai, Adilson Monteiro Alves.”
A colocação, na mesma frase, do honesto Orlando ao lado de Duílio e Adilson — pai e filho, além de sócios em diversas falcatruas — constitui uma desonra à história do patriarca da família.
“Em vez de debater regras, responsabilidades e mecanismos de controle, preferiram criminalizar práticas próprias da vida de uma empresa que fatura R$ 1 bilhão, como renegociação de dívidas e o uso de cartão corporativo, no meu caso, com o valor total utilizado nos três anos de gestão em média inferior a R$ 35,00 por dia e com uso estritamente institucional; ou seja, transformaram atos administrativos ordinários em narrativas criminais, sem o devido contexto técnico e contábil.”
A utilização indevida de cartão corporativo, ainda que fosse de R$ 0,01 por dia, não pode ser comparada à arrecadação do Corinthians, como se esta representasse um “passe livre” para pequenos desvios.
Evidentemente, entre diversas compras mal explicadas — atualmente analisadas pela Justiça —, a de remédio para levantar defunto da cova não se enquadra em “uso estritamente institucional”.
A não ser que sexo seja uma das funções presidenciais.
“Em vez de unir o clube, algo que tentei fazer, não apenas com palavras, mas de forma efetiva, nomeando inclusive opositores como diretores.”
Não é verdade.
Na prática, assim como ocorreu — e, a bem da verdade, ainda ocorre — com outros presidentes, tanto os que o antecederam quanto os que o sucederam, incluindo o “laranja” que ocupa neste momento a presidência, Duílio distribuiu cargos, empregos e vantagens com o objetivo único de não ser incomodado no exercício do poder.
Conseguiu.
Tanto que suas terríveis contas, amparadas por diversas ilegalidades — entre elas a inserção da REAG, investigada por lavagem de dinheiro do PCC, na administração da Arena —, foram aprovadas.
Até esse assunto Duílio teve a pachorra de abordar:
“Em 2023, eu saí da presidência do Corinthians pela porta da frente, com todas as contas aprovadas, inclusive no último ano, com o balanço fechado e apresentado por opositores ferrenhos.”
Neste caso, junto com ele, os conselheiros que aprovaram o balanço deveriam ser chutados do Parque São Jorge.
Por fim:
“Não me arrependo de nada. E me defenderei na Justiça.”
Realmente, do ponto de vista pessoal e levando-se em consideração seu histórico de vida, não há do que o cartola se arrepender.
Após abandonar dezenas de funcionários sem lhes pagar o que era devido em seus bingos — oficiais e clandestinos —, além de deixar inúmeros credores a ver navios, Duílio chegou à diretoria de futebol do Corinthians quebrado, com o claro objetivo de recuperar sua situação financeira, tornando-se a esperança de salvação de sua complicada estrutura familiar.
Já alcançou a presidência rico e, agora, renuncia ao clube com dinheiro graúdo guardado nos Estados Unidos — boa parte por meio da empresa Providence, a mesma utilizada para negociação de Alexandre Pato.

Relembre (com documentos):
Detalhes (com documentos) da criminosa transferência de Alexandre Pato para o Corinthians –
No Brasil, com bens e contas bloqueados, está civilmente morto.
Sequer a questão criminal parece afligi-lo.
Quando a situação apertar, deverá recorrer a algum acordo com o Ministério Público de São Paulo — mecanismo previsto em lei — para se livrar de eventual condenação.
E, caso não adira, ainda assim dificilmente receberá uma pena que o conduza à prisão.
Em menos de uma semana, o Corinthians se livrará de três presidente que tiveram seus malfeitos revelados, primeiramente, pelo Blog do Paulinho: Andres Sanchez (expulso), Duílio ‘do Bingo’ (renunciou) e Augusto Melo (a ser expulso na próxima segunda-feira).
