FIESP joga de bandida contra o Brasil

Por ROQUE CITADINI

A nota da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) sobre o tarifaço do governo norte-americano é vergonhosa – ou melhor, indecente –, mas nada surpreendente.

Ao abandonar o Brasil e os interesses da nossa indústria, a entidade assume a bandeira do bolsonarismo e atribui a culpa ao governo brasileiro por sua postura na defesa dos interesses nacionais.

Há muito tempo, essa federação – e suas irmãs estaduais e a federal – não representa os interesses da indústria nacional.

São dirigidas por burocratas do sindicalismo patronal, nos quais quase nenhum dos seus integrantes possui, de fato, indústria.

O caso de São Paulo é constrangedor: foi uma entidade importante no passado, mas hoje serve a interesses pessoais e políticos que estão longe dos reais interesses da indústria e do país.

Quando houve a reforma trabalhista, há alguns anos, retirou-se o antigo imposto sindical – antiga contribuição – que garantia recursos aos sindicatos dos trabalhadores.

Infelizmente, manteve-se a contribuição para o sistema patronal.

É essa contribuição (uma montanha de recursos) que é distribuída aos patrões para manterem as entidades nos Estados e na União.

Com poderoso lobby no Congresso, continuam sendo irrigados por dinheiro recolhido pelo governo e repassado a esses cartórios patronais, hoje ocupados por uma elite oligarca de “dirigentes” sindicalistas.

Perdeu-se o momento de mudança quando houve o corte da receita dos trabalhadores.

A posição vergonhosa da FIESP deveria, portanto, estimular o fim do dinheiro público que mantém esses dinossauros sindicais.


*Publicado originalmente nas redes sociais de Roque Citadini

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