Expulso o ex-presidente do Corinthians que não enganou ninguém

O Conselho Deliberativo do Corinthians, como era esperado, expulsou o ex-presidente Augusto Melo do quadro de associados do clube.
Foram 147 votos favoráveis à exclusão, contra apenas cinco contrários, além de quatro abstenções.
Em 2025, Melo foi deposto da presidência e tornou-se réu por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado no âmbito do famoso “caso Vai de Bet”.
Apesar de tudo isso, sua expulsão ocorreu pelo menos relevante de seus delitos: a tentativa, patética, de retomar o poder munido de um documento com a mesma validade — e qualidade — do papel higiênico descartado após o uso nos banheiros do clube.
A burrice já havia sido demonstrada no primeiro dia de gestão, quando escolheu um funcionário de campanha para desviar dinheiro do Corinthians.
Foi tarde.
Na verdade, sequer deveria ter chegado ao cargo.
A eleição de uma figura tão desqualificada para a presidência alvinegra, agravada pela mitomania e pela incompetência que a cercam, contou com o apoio nada inocente de grande parte das pessoas que agora, espertamente, votaram por sua saída.
Ninguém foi enganado, como alegam conselheiros, alguns jornalistas, influencers e até torcedores organizados.
Houve a escolha consciente — cada qual por suas razões, nem todas nobres — de alguém com passado ligado a falcatruas no futebol (Barbarense, base do Timão, etc.), à condenação por sonegação fiscal e a relacionamentos com personagens vinculados ao crime organizado.
Nada disso estava escondido.
Tudo havia sido revelado previamente, com riqueza de detalhes e documentos, pelo Blog do Paulinho.
Nem mesmo a tese de que o voto em Augusto Melo serviu apenas para derrotar o grupo “Renovação e Transparência” se sustenta, porque existiam outras opções disponíveis em Parque São Jorge.
Hoje, o clube é administrado por uma espécie de consórcio formado pelos vice-presidentes eleitos na chapa de Augusto Melo, pelos grupos que o apoiaram e até pela tão criticada “Renovação e Transparência”, presente em diversos cargos da estrutura diretiva da agremiação.
A figura menor de Augusto Melo serviu aos interesses nefastos daqueles que comandam o Corinthians há décadas, a um custo elevadíssimo para a credibilidade e para as finanças do clube, culminando no cenário de desesperança que marca os dias atuais.
Augusto Melo, Jogadores e os Crimes que o Cercam
Reveja abaixo — ou conheça, para aqueles que não acompanharam os fatos à época — as duas partes da reportagem “Augusto Melo, Jogadores e os Crimes que o Cercam”, publicada no canal do YouTube do Blog do Paulinho.
O material comprova que, muito antes das eleições alvinegras, do caso Vai de Bet e de qualquer movimentação policial, já estavam expostos os alicerces que sustentavam a ascensão daqueles que posteriormente assumiriam a presidência do Corinthians, esvaziando qualquer discurso de “engano” por parte de quem atuava nos bastidores de Parque São Jorge.
