Com 64 seleções, haverá Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2030?

A ampliação da Copa do Mundo para 64 seleções representa mais um capítulo da transformação do principal torneio do futebol em um gigantesco negócio comercial.
O aumanto de 32 para 48 seleções já havia deixado evidente esse objetivo.
Mais vagas significam mais partidas, mais direitos de televisão, mais patrocinadores, mais receitas e, principalmente, mais federações contempladas — um ativo político valioso para Gianni Infantino, cuja permanência no poder sempre depende do apoio das associações nacionais.
O problema é que a qualidade técnica da Copa inevitavelmente paga a conta.
A fase inicial do Mundial recém-encerrado foi marcada por inúmeras partidas de baixo nível técnico, disputadas entre seleções sem condições reais de competir em alto rendimento.
Houve exceções, evidentemente, mas a sensação predominante foi a de que diversos confrontos existiram apenas para preencher a extensa programação do torneio.
Se com 48 participantes já se tornou difícil manter o padrão histórico da competição, a chegada a 64 seleções tende a ampliar ainda mais esse problema.
Há outro aspecto que beira o absurdo, especialmente na América do Sul.
Com o atual formato das Eliminatórias, seis seleções já se classificam diretamente, uma disputa a repescagem e apenas três ficam de fora.
Se o Mundial passar para 64 equipes, qual será o sentido de manter Eliminatórias sul-americanas?
Serão disputadas apenas por formalidade?
É difícil justificar um torneio classificatório quando a eliminação passa a ser exceção.

