É desesperadora a situação do São Paulo

A oposição do São Paulo definiu a chapa com a qual pretende disputar a próxima eleição do clube: Marcelo Marcucci Portugal Gouvêa, o Marcelinho, será candidato à Presidência; Eduardo Alfano, à Vice-Presidência; e Fábio Mariz tentará assumir o comando do Conselho Deliberativo.

É difícil olhar para essa composição e enxergar a renovação de que o São Paulo necessita.

Mais complicado ainda é constatar que, diante do estado em que o clube se encontra, essa solução ainda parece menos danosa do que a permanência daqueles que hoje o administram.

Marcelinho Portugal Gouvêa é o melhor nome da chapa.

Ainda assim, está inserido no sistema.

Há mais de duas décadas circula pelos corredores do Morumbi, ocupou cargo no futebol durante a gestão Juvenal Juvêncio e integrou, por muitos anos, o ambiente político que produziu, direta ou indiretamente, boa parte das estruturas que hoje precisam ser modificadas.

Eduardo Alfano também está longe de representar ruptura.

Já trabalhou durante as administrações de Juvenal Juvêncio e Carlos Miguel Aidar e, mais recentemente, ocupou espaço institucional durante a gestão Julio Casares.

Os dois últimos foram acusados de desviar dinheiro do São Paulo.

Agora, Alfano surge como vice da oposição.

A escolha de Fábio Mariz para presidir o Conselho Deliberativo também é questionável.

O cartola esteve envolvido na controvérsia sobre a obtenção e a divulgação do áudio do camarote que ajudou a desencadear investigações sobre os bastidores do São Paulo.

A Comissão de Ética do clube chegou a recomendar a suspensão do conselheiro por 360 dias.

Posteriormente, o Conselho Deliberativo rejeitou a punição e o absolveu.

No grupo que participa da construção dessa chapa está ainda Vinicius Pinotti.

Outro personagem antigo da política tricolor.

Pinotti também foi alvo de pedido de suspensão pela Comissão de Ética em razão do episódio do áudio e, da mesma maneira, terminou absolvido pelo Conselho.

Há ainda episódios anteriores que merecem ser lembrados.

Durante o período em que mantinha forte influência no São Paulo, Pinotti realizou pagamentos privados que totalizaram R$ 136,5 mil a Alan Cimerman, então gerente de marketing do clube.

Quando o episódio veio a público, o empresário afirmou que os valores representavam ajuda pessoal.

O advogado de Cimerman apresentou versão diferente, dizendo que se tratava de pagamentos por serviços de marketing e relações públicas.

Pinotti também chegou a ser um dos grandes credores do São Paulo depois de emprestar milhões de euros para a contratação de Centurión e, posteriormente, ocupar posições de comando no clube.

Há ainda um personagem adicional: Olten Ayres de Abreu Júnior, atual presidente do Conselho Deliberativo.

O grupo comandado pelo cartola aderiu à composição.

Não se conhece publicamente, até agora, qual foi a contrapartida política dessa adesão.

O questionamento torna-se ainda mais pertinente diante dos movimentos recentes do presidente do Conselho.

Dias antes, Olten havia firmado outro acordo, desta vez com o atual presidente, Harry Massis Júnior, para viabilizar a votação do contrato da Ticketmaster.

No mesmo contexto, o mandatário retirou uma representação que havia apresentado contra um conselheiro na Comissão de Ética.

Olten, portanto, consegue participar de entendimentos com a situação e, quase simultaneamente, integrar a articulação destinada a derrotá-la.

A eleição deveria oferecer ao associado a possibilidade de escolher entre projetos distintos.

A composição apresentada pela oposição está longe de simbolizar isso.

É uma chapa formada majoritariamente por personagens conhecidos, muitos deles participantes, em diferentes momentos, das estruturas políticas que ajudaram a produzir o São Paulo atual.

O problema é que, do outro lado, está a continuidade de uma administração que ajudou a conduzir o clube ao cenário de terra arrasada que hoje se observa.

A situação do São Paulo é desesperadora.

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