SAF da Portuguesa comprova-se um engodo ‘bilionário’

A SAF da Portuguesa foi apresentada, no final de 2024, como um projeto superior a R$ 1 bilhão, cifra que, diante das possibilidades reais de retorno, já permitia desconfiar de que se tratava de um engodo.
Prometia R$ 263 milhões no futebol até 2029, cerca de R$ 500 milhões para o Canindé e a reorganização das dívidas do clube.
No campo, previa a Série C em 2026, a Série B em 2027 e a Série A em 2029.
A Portuguesa, porém, segue na Série D.
Agora, Alex Bourgeois confirmou a antecipação de R$ 6.776.817 da cota do Campeonato Paulista de 2027.
Segundo ele:
“Em vez de usar o dinheiro aqui agora, vamos antecipar e a gente bota o dinheiro depois.”
A explicação é frágil.
Se há dinheiro disponível, por que comprometer uma receita do ano seguinte para pagar despesas atuais?
E não é a primeira vez.
O balanço auditado de 2025 mostra que a SAF encerrou o exercício com prejuízo de R$ 29,6 milhões e R$ 18,8 milhões em empréstimos.
Parte dessas dívidas tinha como garantia justamente a cota do Paulistão de 2026.
Ou seja: em 2025, comprometeu-se receita de 2026.
Em 2026, antecipa-se receita de 2027.
Muito diferente do cenário de abundância financeira vendido quando da criação da SAF.
Bourgeois chegou a dizer, meses atrás, que “dinheiro não é problema”.
Seu histórico também recomenda cautela.
No São Paulo, teve duas passagens breves e turbulentas.
No Figueirense, participou de outro projeto cercado de grandes promessas, falou em aportes milionários e deixou o clube cerca de 70 dias depois, em meio a divergências sobre investimentos e gestão.
Na Portuguesa, as promessas continuam grandiosas.
Os resultados, até agora, nem tanto.
A SAF prometeu dinheiro novo, mas já recorreu a empréstimos e à antecipação de receitas futuras.
E a Portuguesa, lembremos, já entregou 80% de seu futebol.
Enquanto isso, o Canindé permanece caindo aos pedaços, ao que parece à espera da solução imobiliária que melhor atenda não aos interesses do clube, mas aos de seus espertos “gestores”.

