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A agonia do cartola

Da “FOLHA”

Por JUCA KFOURI

“Ninguém melhor do que ele para saber que sua vida no Brasil seria um inferno insuportável”

RICARDO TEIXEIRA não resistirá.

Até seus mais leais auxiliares admitem que não há hipótese de ele chegar à Copa do Mundo de 2014 como comandante da CBF e do COL. Mas o desembarque está muito mais próximo do que isso.

Ele sabe que o sonho da Fifa morreu no relatório da Justiça suíça sobre a ISL. Sabe que não poderia desfrutar da glória que Michel Platini e Franz Beckenbauer gozaram nas Copas da França e da Alemanha porque o simples anúncio de sua presença seja na abertura da Copa, seja no meio ou no fim, faria qualquer um dos estádios virem abaixo em vaias e coros ofensivos.

Aparecer no telão, então, nem pensar.

De resto, como não curte futebol nos gramados, sobraria a vida medíocre de tentar tourear, nos bastidores, os cartolas das federações estaduais hoje descontentes por receberem de mesada muito menos do que se revelou ganharem os protegidos de Teixeira na CBF, paulatinamente demitidos.

E existe o risco do confisco de seus bens na Justiça brasileira.

Se não bastasse, há o problema familiar. A família que formou de sangue Havelange passou pelo pão que o diabo amassou desde que ele chegou à CBF até o fim do casamento.

A família mais recente não quer o mesmo destino e, convenhamos, como Teixeira parece não conhecer limites, expor a filha criança como receptora de R$ 3,8 mi depositadas na conta dela por Sandro Rosell, em junho do ano passado, numa agência Bradesco da Barra da Tijuca, no Rio, não é atitude de quem queira poupá-la.

Rosell que, lembremos, é dono da Ailanto do superfaturamento do amistoso no Distrito Federal e apontado como elo essencial nas relações com o aparentemente inesgotável dinheiro do Qatar.

Isto é, a permanência no Brasil, só significaria uma tensão permanente, uma expectativa diária de novas denúncias -poucas na TV, é fato, mas muitas, sempre, em outros veículos.

Ainda mais agora com tanta gente descontente dentro da CBF -para não falar dos que jamais estiveram contentes com ele, dentro do governo federal, outra razão decisiva para o desembarque.

Sim, todos sabemos que Brasil é Brasil e que, no reino animal, dizem que os gatos têm sete vidas.

Mas são os gatos, repita-se.

Porque enquanto estiver por aqui Teixeira apenas sangrará, expondo suas chagas publicamente e não há Ronaldo Fenômeno (que triste papel!) que dê jeito. Ninguém aguenta.

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