O assalto ao bolso de torcedores na Copa do Mundo

A evolução dos preços dos ingressos para as finais da Copa do Mundo revela o quanto o futebol tem se afastado de suas origens populares.
Em 1998, na França, era possível assistir à decisão por cerca de R$ 51.
Em 2014, no Brasil, o valor chegou a R$ 1.051.
No Catar, em 2022, saltou para R$ 3.428.
Agora, na Copa de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, o custo ultrapassa R$ 22 mil.
Não se trata apenas de inflação ou valorização do produto.
É a transformação da Copa em um espetáculo voltado prioritariamente para consumidores de alta renda, empresas e convidados corporativos.
O torcedor comum, que construiu a grandeza do futebol com sua paixão e presença nas arquibancadas, passou a ser tratado como mero espectador remoto.
A FIFA bate recordes de arrecadação, mas o futebol perde identidade.
Quando o preço de um ingresso para a final equivale a vários meses de trabalho de milhões de pessoas, a Copa do Mundo deixa de ser a festa do povo para se tornar um evento de luxo.

