Ex-esposa de Casares tenta atrasar inquérito que apura crimes no São Paulo

No âmbito do inquérito policial que apura associação criminosa voltada à apropriação e comercialização irregular de ingressos e camarotes do São Paulo, a Justiça rejeitou tentativa de Mara Casares, ex-esposa de Júlio Casares – ex-presidente do clube – de ampliar o objeto das investigações, o que serviria, em tese, para atrasar os procedimentos.
Relatório da Polícia Civil apontou atuação conjunta de Rita de Cássia Adriana Prado, Mara Suely Soares de Melo Casares, Douglas Schwartzmann e Márcio Carlomagno Araújo, que integrariam uma estrutura destinada à exploração clandestina de ingressos e camarotes do clube.
Um dos principais elementos considerados pelos investigadores é uma caderneta apreendida na residência de Rita, apontada como registro de movimentações financeiras, divisão de receitas e participação dos investigados no suposto esquema.
Diante disso, Mara Casares requereu acesso ao material e a realização de exame grafotécnico para verificar se as anotações teriam sido produzidas por Rita.
A Justiça autorizou apenas o acesso ao documento, mediante agendamento prévio com a autoridade policial.
O procedimento deverá ocorrer com a retirada do material do lacre sob gravação audiovisual, acompanhamento policial, possibilidade de registro fotográfico pela defesa e posterior relacração do objeto.
Por outro lado, foi negado o pedido de exame grafotécnico.
O magistrado destacou que Rita de Cássia exerceu o direito constitucional ao silêncio e à não autoincriminação, circunstância que impede, ao menos neste momento, a realização do procedimento.
O juiz também considerou desnecessária, nesta fase da investigação, a realização de exame destinado a identificar a eventual existência de múltiplos autores das anotações.
A Justiça rejeitou ainda outro pedido formulado por Mara Casares, que pretendia obrigar o São Paulo a fornecer informações detalhadas sobre a política de distribuição de ingressos destinados a diretores, conselheiros e coordenadores entre 2023 e 2026.
Segundo a decisão, a investigação não busca apurar a distribuição institucional de cortesias pelo clube, mas sim a suposta apropriação e comercialização indevida desses benefícios por pessoas específicas sobre as quais já recaem indícios de envolvimento.
O magistrado ressaltou que ampliar o escopo do inquérito para todos os beneficiários de ingressos distribuídos pelo São Paulo significaria desvirtuar o objeto da investigação e dispersar os esforços policiais para fatos e pessoas que, até o momento, não apresentam ligação concreta com os ilícitos apurados.
A Polícia Civil também registrou o não comparecimento do investigado Márcio Carlomagno Araújo ao depoimento agendado para 09 de junho.
Carlomagno é apontado pelos investigadores como um dos personagens centrais da apuração.
Ex-superintendente do São Paulo e aliado político do presidente Júlio Casares, ele foi citado nos relatórios policiais como integrante do grupo que teria participado do suposto esquema no Morumbi.

