Corinthians, Armando Mendonça e a suspeição do promotor

A defesa de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, solicitou à Justiça o reconhecimento da suspeição do promotor Cassio Conserino, responsável por oferecer a denúncia que o tornou réu pelos crimes de furto qualificado, apropriação indébita e coação.
Em manifestação nos autos, Conserino recusou-se a declarar-se suspeito.
Ao analisar a petição apresentada por Armando — não se sabe se redigida por ele próprio, embora assinada por outros advogados — em conjunto com decisões recentes da Justiça, chega-se à conclusão de que o principal objetivo da iniciativa é projetá-lo perante a sociedade como vítima.
A jurisprudência, em casos antigos e recentes, jamais afastou juízes ou promotores pelo simples fato de torcerem por um clube de futebol.
Trata-se de uma argumentação pueril.
O único aspecto do pedido de Armando que poderia, em tese, suscitar alguma discussão sobre suspeição — ainda assim, com reduzida força jurídica — é o fato de o promotor ter participado de um evento da SAFIEL, movimento que, de fato, se opõe ao projeto defendido pelo vice-presidente e por seu grupo político, o Centrão, dentro do Corinthians.
Ainda assim, a pretensão dificilmente prosperará.
É nítido, pela atuação de Conserino, que seu trabalho não é direcionado a um segmento específico do Parque São Jorge, mas alcança todas as vertentes da política corintiana, sempre amparado em documentação constante dos autos.
Entretanto, em nome da credibilidade da Justiça, embora sua conduta não seja ilícita, o promotor faria bem em evitar esse tipo de exposição.
Ela abre margem para esse tipo de estratégia defensiva.
Armando Mendonça deveria renunciar à vice-presidência do Corinthians para concentrar-se na defesa de seu CPF, posição que ele próprio defendeu quando o então presidente Augusto Melo passou a enfrentar graves problemas na Justiça.
O Centrão, seu grupo político, se fosse minimamente decente e coerente — não é nem uma coisa nem outra —, deveria exigir exatamente esse comportamento.

