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Comparação entre gols de Pelé e Messi esbarra na noção de tempo

Da FOLHA

Por PVC

Lista do argentino provavelmente é a mais justa, o que não exclui as anteriores

Messi está a 12 gols de chegar aos 700, antes de enfrentar o Espanyol no sábado (6). São 618 pelo Barcelona e 70 pela seleção argentina. O número do Barça faz com que os jornais espanhóis iniciem a contagem regressiva para alcançar… Pelé.

Pelas estatísticas da Europa, apenas com gols por competições oficiais, Pelé marcou 643 vezes pelo Santos.

Messi está, portanto, a 25 de igualar o Rei como o maior artilheiro por um clube na história do futebol.

Acontece que, pelos números santistas, sempre aceitos no futebol brasileiro, Pelé marcou 1.091 vezes com a camisa do Santos, de um total de 1.282 na carreira.

A lista com 643 gols pelo Santos não é injusta, é atual, mas compara coisas incomparáveis. Os calendários eram diferentes, as realidades, distintas. O Santos baseava suas contas não em contratos de marketing, nem de exibição por emissoras de televisão.

Os amistosos eram fonte de receita, e as excursões fizeram com que Pelé jogasse 103 partidas em 1959, ano em que alcançou seu recorde de gols: 126 em 12 meses. A contabilidade da temporada inclui 35 partidas contra adversários internacionais, das seleções da Costa Rica e Bulgária a clubes como Internazionale e Barcelona.

Era um tempo tão diferente a ponto de ser difícil dizer se era mais difícil enfrentar o Barcelona, num amistoso, ou o Botafogo, em Ribeirão Preto, pelo Campeonato Paulista.

Informação completa nunca é dispensável. Daí ser justo dizer que Messi pode igualar Pelé, nos próximos dois meses, em número de gols por um clube em partidas oficiais de competição.

Mas afirmar que se tornará o maior goleador da história por um time, como dizem os diários catalães, esbarra na noção do tempo e dos costumes.

Na noite de 31 de dezembro, a ESPN reprisou o espetacular programa sobre o milésimo gol de Pelé, marcado no Maracanã, contra o Vasco, em 19 de novembro de 1969. Pelo olhar de hoje, Pelé nunca teria comemorado mil gols naquela noite de quarta-feira, porque o Rei fechou aquele ano com 648 gols marcados em sua carreira em jogos oficiais.

O primeiro aconteceu em 7 de setembro de 1956, num amistoso contra o Corinthians de Santo André, e eternizou o goleiro Zaluar como a vítima. Zaluar não seria conhecido se falássemos apenas de gols por campeonatos.

Pelé tem em sua lista de 1.282 gols, 19 pela seleção do Exército, mas todos a partir do momento em que se tornou profissional. Romário marcou 1.002 gols, mas sua contabilidade começa nos infantis do Olaria.

Todos os outros que se afirmou, em algum momento, terem mil gols ou mais, casos do brasileiro Friedenreich, do húngaro Puskas ou do austríaco Bican, não têm listagens com data, local e jogo em que marcaram.

Messi tem a sua relação, provavelmente a mais justa de todas. O que não exclui considerar as anteriores, feitas quando as pessoas levavam em consideração coisas diferentes.

É inegável que Messi tem algo que nenhum dos desafiantes de Pelé teve, depois de o Rei sair dos campos: é artilheiro. Maradona não fazia tantos gols, Zidane muito menos, Di Stéfano fez 504, e Ronaldo Fenômeno anotou 414.

Sobram Cristiano Ronaldo, 712 gols em partidas oficiais, 55 a menos do que o Rei, e Messi, que o desafia mais de perto como maior artilheiro por um clube —em jogos oficiais.

O ano novo trará discussão nova e merece conclusão velha.

Por mais que Messi e Cristiano Ronaldo se aproximem de Pelé em gols por partidas oficiais, os jogos de Pelé foram contabilizados em outro tempo e com outro olhar. Eram gols de outro mundo.

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