Presidente do CORI agiu decisivamente para facilitar aprovação de contas do Corinthians

Mesmo com a participação flagrantemente ilegal de Haroldo Dantas na presidência do Conselho Fiscal — ao mesmo tempo em que estava afastado cautelarmente do cargo por determinação do CORI — na análise dos documentos que culminaram na aprovação das contas do Corinthians, o Ministério Público de São Paulo, que investigava o caso, viu-se obrigado a requerer o arquivamento do procedimento.

Por quê?

Pouco antes da assinatura do parecer, o desembargador Miguel Marques e Silva, presidente do CORI, autorizou a participação de Dantas, alegando, em contrariedade à própria determinação do órgão que preside, que o afastamento cautelar não teria validade estatutária.

Um escândalo!

Se as resoluções do CORI são tomadas sem amparo legal — ao menos é o que se pode deduzir desse episódio —, para que servem, então, as deliberações do órgão?

Trata-se de um caso estranho, que pode ser interpretado como uma possível manobra política não apenas em favor do atual grupo gestor, a União dos Vitalícios, do qual Miguel e o presidente da Diretoria são integrantes, mas também, eventualmente, para livrar os investigados membros do Conselho Fiscal das garras da lei.

Essa atuação do desembargador foi exposta pelos investigados em depoimento ao Ministério Público e, ao que tudo indica, considerada verossímil, razão pela qual o arquivamento do caso acabou sendo sacramentado.


EM TEMPO: Durante a semana, o Blog do Paulinho prestou depoimento ao DRADE que, apesar de estar territorialmente distante do Parque São Jorge e cercado de atribuições muito mais relevantes, viu-se mobilizado para instaurar inquérito destinado a apurar críticas deste espaço a Miguel Marques e Silva, em mais um evidente episódio de utilização da máquina pública como mecanismo de intimidação da atividade jornalística.

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