Brasília estaria avançando sobre o caixa da CBF?

De um ano para outro, a CBF saiu de uma sequência de superávits para um déficit de R$ 182,5 milhões.
Como explicar?
O caixa da entidade despencou de R$ 2,433 bilhões para R$ 1,997 bilhão, uma redução de R$ 436,4 milhões, enquanto as despesas administrativas saltaram de R$ 145,8 milhões para R$ 369,1 milhões — alta de 153%, equivalente a R$ 223,3 milhões a mais.
Coincidência ou não, a deterioração das contas ocorre sob a gestão de um presidente apontado como fantoche de um famoso ministro do STF que patrocinou sua ascensão ao comando da Casa Bandida.
A receita líquida caiu de R$ 1,220 bilhão para R$ 1,109 bilhão (-9%), mas os custos do futebol subiram para R$ 1,177 bilhão, ultrapassando em R$ 67,3 milhões toda a receita operacional da entidade.
Antes mesmo das despesas administrativas, a atividade-fim da CBF já operava no vermelho.
Nessa administração, os gastos explodiram.
As despesas gerais cresceram de R$ 62,2 milhões para R$ 191,1 milhões (+207%), enquanto os pagamentos a consultorias, escritórios de advocacia, empresas terceirizadas e outros prestadores de serviços passaram de R$ 77,4 milhões para R$ 121,1 milhões.
O balanço, porém, não identifica quem recebeu a maior parte desse dinheiro.
Só não foi ainda maior o prejuízo porque a CBF obteve R$ 295,7 milhões em receitas financeiras.
Sem o rendimento das aplicações, o rombo operacional teria se aproximado de R$ 478 milhões.
As contingências judiciais também aumentaram, passando de R$ 576,5 milhões para R$ 671,6 milhões, enquanto o patrimônio líquido encolheu de R$ 1,442 bilhão para R$ 1,260 bilhão.
Como uma entidade que arrecadou mais de R$ 1,1 bilhão conseguiu transformar uma situação financeira confortável em um déficit de quase R$ 200 milhões?
Quem foram os grandes beneficiários da explosão das despesas administrativas?
Por que a CBF se recusa a detalhar esses contratos?
São dúvidas que os verdadeiros donos da entidade — os clubes — deveriam querer esclarecer.
Em alguns casos, por medo; em outros, por conveniências nada republicanas, preferem deixar para lá.
A impressão deixada pelo balanço é a de que o dinheiro do futebol brasileiro começou a desaparecer.
Resta saber qual foi a efetiva participação de Brasília nesse inédito processo de dilapidação.

