Líder entre líderes, Capita era capaz de cometer maldades se preciso fosse

torres

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

De Tostão para Gérson, de Gérson para Clodoaldo, de Clodoaldo para Rivellino, de Rivellino para Jairzinho, de Jairzinho para Pelé, de Pelé para Carlos Alberto e de Carlos Alberto para o gol.

Tostão é o primeiro a abraçá-lo.

Pronto! Estava pronta uma das mais repetidas vinhetas da história do futebol mundial: o quarto gol brasileiro na final da Copa do Mundo de 1970, no Estádio Azteca, na Cidade do México, Brasil 4, itália 1.

Em seguida o autor do gol imortal ergue pela última vez a Taça Jules Rimet, então definitivamente de posse do futebol tricampeão mundial.

O gesto bastaria para eternizar Carlos Alberto Torres como os capitães que o antecederam, Hilderaldo Luís Bellini e Mauro Ramos de Oliveira.

O gesto e o gol o canonizam, porque além das formalidades Carlos Alberto ultrapassou os limites da liturgia do futebol, ao transformar a lateral-direita numa avenida em que desfilava a passos largos, cabeça erguida e cruzamentos perfeitos.

O Capita não deixa órfãos apenas os torcedores do Fluminense, do Santos, do Botafogo e do Flamengo que defendeu com o brilho dos gênios do futebol, além do Cosmos de Nova Iorque.

Quem gosta do que há de mais refinado na arte de jogar futebol está de luto.

Ele não foi um grande treinador, nem um excepcional comentarista.

Porque teve tanta qualidade como jogador que sua excelência se transformou em defeito fora dos gramados: o defeito de quem exigia dos jogadores que comandou, ou comentou, as mesmas soluções que encontraria dentro de campo.

O Rei Pelé padece do mesmo mal.

Carlos Aberto foi ala antes que ser ala virou moda, talvez uma vingança inconsciente por ter de marcar pontas ariscos, tarefa que deveria ser destinada aos comuns e não aos foras de série.

Poucos jogadores se impuseram pela simples presença no campo de jogo como ele, líder entre líderes, capaz também de cometer maldades se preciso fosse.

E como foi preciso no jogo contra os então campeões mundiais ingleses naquela Copa de 1970.

O atacante Francis Lee atingiu o goleiro Félix logo no começo do duelo de titãs.

Carlos Alberto ficou inconformado, pediu para Pelé tomar providências, mas não aguentou esperar.

Na primeira oportunidade bateu firme no inglês, que a partir daí recolheu-se à sua insignificância na dramática, e espetacular, vitória brasileira por 1 a 0.

Carlos Alberto Torres também sabia bater.

Bater faltas, pênaltis, escanteios e em quem esquecia a bola para atingir um companheiro seu.

Carlos Alberto batia um bolão.

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