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Archive for dezembro \27\UTC 2016

A Casa de Odebrecht nunca prezou a nação e a democracia

dezembro 27, 2016

lula-e-odebrecht

Da FOLHA

Por MARIO SERGIO CONTI

O Itamaraty fica num dos prédios mais bonitos do Brasil. Traçado, salões, escadas, pisos, mobiliário, quadros, esculturas, murais, jardins, painéis e lustres formam um conjunto ímpar, que harmoniza pensamento e natureza, funcionalidade e arte.

Percorrê-lo numa tarde silenciosa no final deste ano estridente, no entanto, provoca um travo de angústia. A sensação de malogro se mescla ao alumbramento: o prédio não é a síntese da potência nacional, e sim o seu epitáfio. O choque entre o Brasil sonhado e o presente é aterrador, e não há futuro à vista.

Desenhado por Niemeyer, o seu cálculo estrutural é do poeta Joaquim Cardozo. Ele deu vida ao saguão sem colunas mais amplo do mundo, o qual foge do monumental, amoldando-se à perspectiva humana.

Passa-se do exterior ao interior sem perceber. A transição é atenuada por nenúfares e vitórias-régias de Burle Marx. A escada em caracol brota do subsolo e, solta no ar, sobe para o jardim suspenso. A preocupação com o meio ambiente, pioneira, marca a construção.

No auditório, poltronas de jacarandá coexistem com círculos futuristas na parede, revestidos com plástico-bolha. A consonância entre natureza e trabalho prossegue no mural geométrico de Sérgio Camargo e no mobiliário em madeira de lei de Sergio Rodrigues.

A melhor arte se faz presente: esculturas de Brecheret e Mary Vieira, mural de Volpi, telas de Weissmann e Iberê Camargo, além de trabalhos de Rugendas e Debret. História e arrojo se complementam. O prédio nada tem de pitoresco (atributo inclusive de nossa melhor literatura).

Concebido nos anos 50, o Itamaraty foi inaugurado em 1970. Houve outras iniciativas nesse período de o Brasil se dotar de uma cultura, construir uma sociedade aberta. Seminário Marx e Poesia Concreta; Cinema Novo e Reformas de Base; Bossa Nova e Centros Populares de Cultura.

De maneira tateante, mas progressistas e abertas ao novo, essas iniciativas moldaram aspirações nacionais. E todas elas foram derrotadas pela Casa de Odebrecht. A família ilustre corrompeu a ditadura, a Nova República, o Brasil Novo, o neoliberalismo, o petismo, deu R$ 10 milhões a Temer. Criou um sistema de mando à sua imagem e semelhança.

Nos folhetos de propaganda, a Casa de Odebrecht se vangloria da origem germânica e oculta ancestrais africanos. Fala em sustentabilidade, ética e ecologia, e compra privilégios com vil metal. Nunca prezou a nação e a democracia, dedicando-se à pilhagem de um povo do qual tem nojo.

Exagero? Releia-se o e-mail que Isabela mandou ao marido, Marcelo Odebrecht, protestando contra a presença de uma sindicalista na sua casa: “Se sujar minha toalha de linho ou pedir marmitex, vou pirar. Saudações sindicais? Não mereço”.

Uma das dez famílias mais ricas do Brasil, a Casa de Odebrecht foi adulada desde sempre pelos seus pares. Por isso, desfruta de reconhecimento mesmo agora, quando o Departamento de Justiça americano diz que ela perpetrou o “maior caso de suborno da história”. O sujeito odeia Lula ou Temer, mas não Emílio Odebrecht.

Quando a encardida Casa de Odebrecht suplantou o prédio de Niemeyer? Que fim levaram as aspirações nacionais? Qual seria o lugar dos Odebrecht e similares num país justo? São indagações que perpassam o pensamento numa tarde no Itamaraty.

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O ninho da “nova oposição” do Corinthians

dezembro 26, 2016

Palmeiras - extrato de incompetência, malandragem e caos financeiro

Reuniões de “boca-livre”, discursos inflamados clamando por moralidade, ordens e determinações políticas… quase tudo o que movimenta a “nova oposição” do Corinthians, alcunha pela qual pretende ser chamada a união de dissidentes da gestão Andres Sanches com idiotas úteis do clube (as vítimas) e alguns malandros velhos (os coniventes), vem sendo discutido e decidido com enorme influência do conselheiro Edgard Soares, editor do mal-afamado site Futebol Interior, investigado por extorsão (entre outros crimes), pelo MP-SP.

Mas o referido portal não é o único negócio do “jornalista” cercado de complicações.

O mais recente (local em que, semana passada, associados e conselheiros do clube refastelaram-se em comes e bebes gratuitos, fingindo não comprometimento moral com o financiador da benesse) é a produtora “BigBox”, que, dizem alguns, seria oriunda de dinheiro pouco comprovável.

Com o nome comprometido, Edgard Soares abriu, no dia 03/11/2010, em Santana de Parnaíba/SP, a empresa de decorações DCAZA, Comércio, Decoração e Artesanato Ltda, em nome dos prepostos Ariane de Almeida Simonelli e Nilson Simonelli.

Pode ser coincidência, mas o citado município é frequentemente utilizado por quem opera em São Paulo, mas comete crime de falsidade ideológica (dizendo estar noutro local), com intuíto de praticar o delito principal, a sonegação de impostos.

Menos de dois anos depois, em 23/02/2012, o nome da DCAZA foi alterado para H 2 8 Produções Cinematográficas Ltda, o endereço, enfim, transferido para o local real, em São Paulo, além do objeto social, necessário para comprovar serviços executados para campanhas políticas do PT.

Edgard, então, retirou “Nilson” da jogada, manteve a sócia anterior, “Ariane”, introduzindo seu filho, “Edgard Soares Junior” no contrato social.

Desde então (2012), apesar de, como comprova postagem de facebook da própria “BigBox”, a inauguração oficial da produtora ter se dado em festa datada de 04/12/2014, o negócio funciona em aparente ilegalidade, sem o devido alvará, que somente foi concedido quatro meses atrás, em agosto de 2016.

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Talvez seja este o motivo da “Operação Lava-Jato” estar investigando algumas operações da produtora com o PT, envolvendo, segundo fontes, emissões de Notas Fiscais suspeitas e a falta delas, em alguns casos.

Explicaria-se assim o fato de Edgard Junior, apesar de todos saberem trabalhar na produtora, dela ter sido retirado, no papel, em 31/07/2015, substituído por outra “Soares Moreira”, de nome Maira de Almeida.

É diante deste quadro, ajoelhando-se para Edgard Soares e seus negócios nebulosos, que “moralistas” e “novos honestos” dizem lutar contra a corrupção no Corinthians, mas, em verdade, quando não elencados na condição de “idiotas úteis”, querem apenas tomar de assalto as “facilidades” das quais foram jogados para escanteio por aqueles (da atual gestão) que antes apoiavam fervorosamente.

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Palmeiras acerta na escolha da assessoria de imprensa

dezembro 26, 2016

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Depois de um período sendo comandada pelo ex-assessor da MSI, Fernando Melo, a assessoria de imprensa do Palmeiras, que quase foi parar nas deploráveis mãos de Olivério Junior (ligado à CREFISA), será administrada por Luciano Signorini, um profissional de primeira linha.

Não por acaso, responsável por Tite, treinador da Seleção Brasileira.

O Palmeiras escapa de tempos turbulentos, em que assessores misturavam trabalho com política, e mergulha no profissionalismo.

Se o novo presidente Galiotte, nem bem começou o serviço, já está envolvido em graves polêmicas – como as irregularidades que beneficiaram a dona da CREFISA nas eleições palestrinas – mesmo que, dizem alguns, tenha trocado a assessoria anterior para cutucar Paulo Nobre (o antecessor), ainda que por linhas tortas, acertou no substituto, deixando de lado pressões que surgiam por opções muito ruins.

Corinthians: qual deles teria menos vergonha ?

dezembro 26, 2016
Andres Sanches e Paulo Garcia (Kalunga) na residência de Antonio Rachid

Andres Sanches e Paulo Garcia (Kalunga) na residência de Antonio Rachid

Andres Sanches falava mal de Paulo Garcia, que retrucava na mesma moeda, com ambos declarando-se opositores um do outro no Corinthians.

Era, tudo indica, jogo de cena.

Garcia financiou a campanha de Sanches à deputado federal e a de André Negão, para vereador, gastando valor próximo a R$ 1 milhão.

Rachid, que é funcionário da Kalunga, de Paulo Garcia, tratava Sanches como bandido (com reciproca idêntica), e a atual gestão, de Roberto Andrade, como incompetente.

Às vésperas do Natal, recebeu em Andres em sua residência (foto) e agora faz parte da gestão de Andrade.

As dúvidas que correm à boca pequena no Parque São Jorge:

  • quem deles falava a verdade quando tratavam-se como ladrões ?
  • Quem teria menos vergonha ?
  • Por que os dirigentes do Corinthians, ligados ao Movimento “Fora Dualib”, permanecem no cargo após tratarem Rachid como ladrão e ver Andres Sanches, que diziam “diferente”, dividir a mesa pré-natalina com o atual assessor de Roberto Andrade ?
  • Estaria o Dr. Sergio Alvarenga, lider do grupo “Corinthianos Obsessivos”, defensor supremo de Sanches e atacador implacável de Rachid, constrangido ?

A Fifa será vista no Brasil como mafiosa até punir o chefão da CBF

dezembro 26, 2016

marin del nero

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Gianni Infantino já esteve duas vezes no Brasil depois que assumiu a presidência da Fifa.

Na primeira, em visita que ele mesmo chamou de protocolar à CBF, gentilmente se recusou a almoçar na entidade com o Marco Polo que não viaja.

Como se dissesse: “Já que você não viaja eu não almoço”.

Voltou recentemente para homenagear as vítimas da tragédia da Chapecoense e novamente guardou formal distanciamento, ajudado pelas circunstâncias que exigiam comedimento.

Mas suas cautelas profiláticas significam pouco, quase nada diante do quadro geral no futebol nacional e do imobilismo da entidade que dirige.

Não foram poucas as vezes em que cartolas da Fifa vazaram a informação sobre o fim da impunidade de Del Nero neste dezembro.

A cinco dias de acabar o ano, nada indica o anúncio da destituição do chefão da Casa Bandida do Futebol.

Pense no absurdo da situação vivida por ele: dirigente máximo do organismo responsável pelo futebol cinco vezes campeão mundial não pode sair do país porque indiciado pela Justiça dos Estados Unidos e com o nome nos computadores da Interpol para ser detido assim que atravesse quaisquer fronteiras, provavelmente com exceção das da Coreia do Norte e, talvez, de Cuba, países desimportantes para o futebol e sem atrações turísticas que agradem ao mandatário da CBF.

A continuar no posto, o Marco Polo que não viaja não poderá ir à Rússia na Copa de 2018 porque até nisso deu azar com a eleição de Donald Trump, chapa de Vladimir Putin.

Imagine a seleção brasileira de Tite hexacampeã mundial e Del Nero asilado no Guarujá.

O suíço-italiano Infantino não tem dado a devida atenção para o descrédito da Fifa que diz querer limpar diante de situação tão kafkiana.

“Farinhas do mesmo saco”, decreta o torcedor do time pentacampeão mundial, não por dar bola aos cartolas, mas por querer acreditar num mínimo de decência no (i)mundo do futebol.

O papa Francisco disse que “o dinheiro é o esterco do diabo”, mas, embora torcedor do portenho San Lorenzo de Almagro, é possível que desconheça que no caso do esporte o capeta viva em constante desarranjo intestinal.

Basta constatar que Infantino não está sozinho em seu imobilismo cúmplice, pois o presidente do Comitê Olímpico Internacional, o alemão Thomas Bach, faz o caminho inverso de Del Nero e não vem ao Brasil, como não veio à Paraolimpíada, por temer ter de se explicar para as autoridades do país sobre as nebulosas transações da Rio-16.

Estranho observar que essas mesmas autoridades sejam tão complacentes com Del Nero e com Carlos Nuzman, o responsável pela Rio-16, apesar das irregularidades já diagnosticadas pelo Tribunal de Contas da União e pela Operação Lava Jato tanto na Copa do Mundo quanto na Olimpíada.

A Fifa tem expulsado de seus quadros uma porção de cartolas secundários denunciados pela Justiça de Tio Sam, todos peixes pequenos.

Até agora evitou punir um tubarão proibido de usar o passaporte como o presidente da CBF.

Quanto mais tempo passar, mais falta de credibilidade acumulará no país de Havelange/Teixeira/Marin/Del Nero.

Até quando, dona Fifa?

A mente corrupta

dezembro 26, 2016

lula-chorando

EDITORIAL DA FOLHA

Não há brasileiro que não sinta justificada indignação diante dos escândalos que envolvem políticos, empresários e verbas públicas.

Ainda que em alguns casos seja indisfarçável uma vocação decidida para a malfeitoria, surgem com frequência exemplos de condutas deploráveis praticadas por homens públicos e privados que sempre foram considerados “normais”.

Obviamente cônscios de terem agido ao arrepio da lei, parecem ao mesmo tempo espantar-se com as ações judiciais de que são objeto.

Imaginam-se as perguntas que vêm às suas mentes. Não seguiam as regras do jogo? Não são sempre assim as concorrências no Brasil? Não é com dinheiro de propina que todos financiam suas campanhas? O que querem os juízes e promotores? Que o país deixe de funcionar?

Essa sensação de “normalidade” –dentro da qual não se enquadram os casos mais flagrantes de esbórnia com dinheiro público– sem dúvida impregnou e impregna largas fatias do estamento político e empresarial.

Se de certo ponto de vista o sistema em vigor no país torna corriqueiro o crime, usual a propina e protocolar o caixa dois, como lidar com a responsabilidade ética de cada indivíduo nessa interpretação?

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, colunista desta Folha, escreveu na última terça-feira (17) sobre os mecanismos íntimos, azeitados pelo hábito e pelo autoengano, que contribuem para o surgimento dos grandes corruptos.

Ao que indicam recentes pesquisas científicas, não apenas a impunidade os estimula. O próprio cérebro tende a diminuir, com o tempo, as tensões e reproches que o desvio ético normalmente suscita.

O centro responsável pelas emoções da angústia e do medo parece habituar-se a cada passo dado, sem punição, no caminho da delinquência. O indivíduo repete o comportamento e até se arrisca mais.

Para quem possui padrões razoáveis de decência, soa incrível a naturalidade com que somas astronômicas têm sido embolsadas no escândalo da Petrobras.

Ao lado de políticos ativamente envolvidos nas maquinações, não é impossível que se encontrem aqueles que simplesmente se deixaram persuadir pelos profissionais desse ramo.

Não se trata de desculpar tais comportamentos, bem entendido. Ao contrário, sua compreensão é razão ainda maior para combater a impunidade –não por moralismo, mas em favor do bem comum.

Feliz Natal !

dezembro 24, 2016

bloguinho natal 2015

O Blog do Paulinho deseja a todos um Feliz Natal, com muito amor, paz e saúde.

Que esta data estimule pessoas de bem a agirem como tal e os que percorrem caminhos equivocados a repensarem suas atitudes.

Nunca é tarde para mudar.

Honrar a família, dar valor aos bons amigos e respeitar o direito do próximo são alguns dos caminhos a serem seguidos para que se alcance a felicidade, nem sempre com mais facilidade, mas, certamente, com dignidade.

Em tempo: na foto meu “bloguinho”

Coluna do Fiori

dezembro 24, 2016

fiori - dicunto

FUTEBOL: POLÍTICA, ARBITRAGEM E VERDADE

Fiori é ex-árbitro da Federação Paulista de Futebol, investigador de Polícia e autor do Livro “A República do Apito” onde relata a verdade sobre os bastidores do futebol paulista e nacional.

http://www.navegareditora.com.brEmail:caminhodasideias@superig.com.br

apito limpo

“Quanto mais a sociedade se distancia da verdade, mais ela odeia aqueles que a revelam”

George Orwell – foi um escritor, jornalista e ensaísta político inglês, nascido na Índia Britânica

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FIFA – Mundial de Clubes-2016

Árbitro de Vídeo: kkkkkkkkkkkkkkkkk

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Aberração e subserviência da maioria dos árbitros em meu entender ficaram explicitadas na final do Mundial de Clubes patrocinado pela FIFA, disputado no Japão no domingo 19/12/2016, entre as equipes do Real Madrid x Kashima Antlers, com placar final: 4 x 2 a favor da equipe espanhola

Ocorrência

Próximo do término da segunda etapa, com o placar de 2×2, um dos defensores da equipe japonesa dominou a redonda e desfechou aberto e perigoso contra-ataque, não deu outra! Na cara dura, foi faltosamente parado por seu oponente Sérgio Ramos; de pronto, o assoprador marcou a falta, levou mão direita até o bolso esquerdo de sua camisa para tirar o cartão amarelo e adverti-lo

Poltrão

Via TV, além da pressão dos defensores do Real Madrid, observei mudança no semblante do assoprador de latinha, possivelmente, após ter ouvido o denominado árbitro de vídeo, alertando que Sérgio Ramos teria que ser expulso por já possuir cartão amarelo, vez que, repentina e covardemente, voltou atrás, determinou o reinicio da refrega e, nada de cartão para o defensor da equipe espanhola

Solução

Durante anos cansei de ouvir que a implantação do sistema de vídeo nas contendas futebolísticas deveria ser a solução quando houvesse dúvidas sobre determinados lances, dentre estes: se a bola passou ou não a linha da meta, se pênalti ou não, saída ou não da bola pela linha de fundo e uma gama de situações, sempre duvidei e continuo a duvidar vez que: não havendo caráter e independência nas decisões dos representantes das leis do jogo, certamente, a nojeira terá continuidade

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Política

A tara do adesismo na política brasileira

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Ela compromete – e pelo visto continuará comprometendo – a qualidade da democracia

Sendo a política predominantemente concebida no Brasil como “o que ocorre em torno do Estado”, não há vacina poderosa o suficiente para imunizar os políticos da forte atração centrípeta do Estado e que se manifesta sob a forma de um adesismo generalizado a quem o ocupa que tende à unanimidade. Essa é uma das “taras” mais peculiares da cultura política brasileira que caracteriza o comportamento das elites políticas com relação aos governos, sejam eles quais forem.

Só não tem base política no Legislativo aquele governante que não a quiser. Na realidade, qualquer novo governo no Brasil, se não fechar as portas do poder, será invadido. Não há barreira programático/ideológica, partidária ou ética que seja capaz de conter o vício tentador da adesão ao poder, aos cargos, mordomias e o acesso às facilidades para a corrupção.

A expressão mais acabada dessa característica da cultura política brasileira se manifesta nas ondas de unanimidade nacional que varrem os cenários políticos, uma vez definido o vencedor. Foi assim com os governos da Arena durante o regime militar; com a campanha das Diretas Já, transferindo-se logo após para o processo de constituição da Aliança Democrática e ao governo Tancredo/Sarney; com o Plano Cruzado, episódio emblemático do adesismo, quando o PMDB elegeu todos os governadores estaduais, com apenas uma exceção!

O mesmo processo repetiu-se com o impeachment de Collor e, logo em seguida, na formação do governo Itamar. Fernando Henrique, com o Plano Real, obteve vitória em primeiro turno e, navegando mais uma onda de quase unanimidade, não teve problemas para conquistar maioria no Congresso, sempre que se empenhou.

A comprovar que a tara do adesismo não conhecia limites partidários, o governo Lula, não obstante o escândalo do mensalão, levou o adesismo ao paroxismo, chegando à quase unanimidade decorrente da corrupção, como ficou visível e conhecido por meio da Operação Lava Jato.

O adesismo do governo Lula, bem lubrificado pela sua popularidade e pelo seu peculiar carisma, não se limitou à sua pessoa. Passou para Dilma, a sucessora que elegera e que, embora destituída de todos os atributos de imagem que Lula possuía, não teve problemas em contar com ampla maioria no Legislativo.

Por fim, com o impeachment de Dilma, o adesismo, como uma “ameba gigante”, não teve maior dificuldade de se reagrupar, com inegável disposição no governo Temer.

Como se vê, o adesismo não é uma peculiaridade de um determinado grupo de partidos, pertencentes ao setor de centro-direita do espectro político; tampouco não dependia da prática democrática, já que soube se acomodar sem dificuldade na Arena do período autoritário; conseguiu também se alojar na nova República do governo Sarney; sobreviveu à ampla modificação do sistema político, com a Constituição de 1988; depois ajustou-se ao Plano Real, à rigorosa Lei de Responsabilidade Fiscal e ao governo FHC; chegando ao “paraíso” no governo Lula e Dilma, com o estímulo extra do pagamento mensal por serviços prestados e, para espanto do mundo, com o petrolão ainda em investigação, um escândalo numa escala de país altamente desenvolvido e multinacional.

O fato é que o adesismo não pertence ao mundo da conjuntura, já que foi capaz de saltar sobre todos os obstáculos e mudanças que se sucederam na política brasileira desde Getúlio, passando pelo regime de 64, pela Nova República, pela Constituinte, pelo governo Itamar, pelo governo FHC, por Lula e Dilma, até chegar aos nossos dias com Temer.

Curiosamente, só o breve governo Collor não se beneficiou deste adesismo, até onde se sabe em grande medida por que não o quis, e, segundo muitos, foi essa recusa a razão principal para o impeachment.

Ao contrário dos países de cultura política de democracias estáveis, no Brasil, ser da oposição é ser amaldiçoado; o trágico é “perder a boquinha” no governo. Nossa cultura política está muito mais para um processo tendente à unanimidade do que para o conflito.

Em consequência, não temos oposição como uma estrutura política independente, que se mantém como alternativa ao governo. Somente um raciocínio político desligado da realidade, portanto, pode conceber como “solução” política para o País, por exemplo, o parlamentarismo, regime político que depende de modo absoluto da existência de uma oposição para sua dinâmica de funcionamento.

O eufemismo mais recente para revestir de dignidade o oportunismo adesista é o conceito de governabilidade: a pretensa necessidade de formar maioria parlamentar permanente para governar. Depois que esta “justificativa nobre” foi encontrada, o processo atingiu as raias do indecoroso, atenuado por um conceito com pretensões acadêmicas – presidencialismo de coalizão – que logo passou a ser utilizado de forma deturpada pela linguagem política como uma justificativa elegante para o adesismo.

O adesismo é, pois, um traço estrutural do sistema político. Diante de sua força, chega a ser irônica a tentativa de modernizar nosso sistema político por mais uma soi disant reforma da legislação política.

Tais reformas não passam de aperitivo para a fome incontrolável da tara adesista, a mesma que não hesitou em engolir todos os artigos, parágrafos e incisos da nova Constituição.

Como traço estrutural, o adesismo ainda vai viver conosco por um bom tempo, corroendo e corrompendo nossas práticas políticas, no estado de instabilidade política crônica em que vivemos e que ainda vamos ter de viver por muito tempo, como detalhadamente analisei no meu livro Brasil: a cultura política de uma democracia mal resolvida.

Esta “tara adesista” de boa parte da classe política e empresarial, tão característica de nossa cultura e prática política, compromete – e pelo visto continuará comprometendo – severamente a independência dos poderes, a eficiência do governo e, em consequência, a qualidade de nossa democracia.

Publicado no Estadão do dia 23/12/2016 – Autor: Francisco Ferraz – Professor de ciência política, ex-reitor da UFRGS, pós-graduado pela Universidade de Princeton, é criador e diretor de Política para Políticos

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Finalizando

UM NOVO COMEÇO

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Olá, desejo a todos vocês um ótimo Natal e um Ano Novo com muita saúde, prosperidade. Que o ano que vai chegar seja muito melhor do que esse que está indo embora

Grande abraço a todos. Boas Festas!

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Chega de Corruptos e Corruptores

Se liga São Paulo

Acorda Brasil

SP24/12/2016

Dívidas ? Impeachment ? Roberto Andrade só que saber dos EUA…

dezembro 23, 2016
roberto-andrade

Roberto “da Nova” Andrade, presidente do Corinthians, no aeroporto de Cumbica, embarcando para os EUA

Corinthians estaria mentindo ao dizer que negociou com Reinaldo Rueda

dezembro 23, 2016

rueda

“Tenho visto bastante coisa na imprensa e recebido diversas ligações questionando o assunto, porém não tem nada de concreto deste caso. Indicamos o treinador para a Diretoria e após isto não recebi nenhuma ligação do Corinthians para conversar sobre ele. Acredito que não houve interesse em contar com ele.”

(MARCOS LEITE, agente de REINALDO RUEDA)


O Corinthians, em demonstração clara de falta de rumo, reconduziu ao cargo de treinador o ex-auxiliar técnico Fábio Carille, afastado, nove jogos atrás, para a contratação de Oswaldo de Oliveira.

Trata-se de uma imposição do ex-presidente Andres Sanches devido à rejeição absoluta do nome de V(W)anderlei (y) Luxemburgo, a quem tentava emplacar.

Carille tem hábitos que agradam (e ajudam) o deputado, que explicamos, em setembro, em postagem que pode ser conferida no link abaixo:

https://blogdopaulinho.com.br/2016/09/19/o-novo-treinador-do-corinthians/

Pior do que incompetência e subserviência são os factoides jogados à mídia (com ajuda da própria) com único intuíto de enganar os torcedores.

Antes da recondução de Carille, o Corinthians anunciou aos quatro cantos estar quase contratando o treinador do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda, campeão da Copa Libertadores da América 2016.

Tratava-se, em verdade, de uma lorota.

Disse o empresário de Rueda, Marcos Leite, ao blog:

“Tenho visto bastante coisa na imprensa e recebido diversas ligações questionando o assunto, porém não tem nada de concreto deste caso. Indicamos o treinador para a Diretoria e após isto não recebi nenhuma ligação do Corinthians para conversar sobre ele. Acredito que não houve interesse em contar com ele.”

Intramuros, no Parque São Jorge, comenta-se que a terceira licença de Roberto Andrade (esta última, em periodo de contratações) seria manobra para conseguir apoio do grupo de Andres Sanches (estavam estremecidos), que precisa ter “Liberdade” para atuar no departamento de futebol, e que o atual diretor, Flavio Adauto, vem sendo apelidado “Capitão Lorota”, devido a desmentidos como o que publicamos acima, oriundo do staff do treinador colombiano.

ABAIXO VÍDEO (E TRANSCRIÇÃO) EM QUE O DIRETOR DE FUTEBOL DO CORINTHIANS, FLÁVIO ADAUTO, SUPOSTAMENTE ESTARIA MENTINDO SOBRE NEGOCIAÇÕES COM O TREINADOR REINALDO RUEDA

“(…) o único nome oficialmente buscado foi o do (pausa para pensar) Rueda… o único, do Reinaldo Rueda… e que nós tivemos a resposta de que vai passar por uma cirurgia, de que tem problemas e não poderia vir”

Dona da Crefisa prometeu categoria de base a Paulo Serdan em troca de apoio da Mancha Verde

dezembro 23, 2016

crefisa e paulo nobre

A dona da Crefisa, que teve o sonho de se candidatar ao Conselho do Palmeiras impugnado por ato administrativo do ex-presidente Paulo Nobre, que teria diagnosticado ação fraudulenta para torna-la associada do clube em período retroativo, tem como objetivo chegar à presidência alviverde.

Porém, além dos escândalos recentes investigados pelo MPF e pela PF, envolvendo não apenas seu nome, mas também do marido e das empresas que possui (Crefisa e FAM), parece estar atrás doutros, segundo informações de bastidores.

A empresária, em troca do abjeto apoio da facção Mancha Verde, teria prometido ao “Deus” da entidade, Paulo Serdan, que, se eleita, a ele concederia a diretoria das categorias de base do Palmeiras.

Apesar de não se parecer com a atriz Julia Roberts, a dona da CREFISA é tratada por Paulo Nobre pela alcunha “Uma Linda Mulher”, talvez pela fama de utilizar-se de métodos pouco convencionais para conseguir seus objetivos.

Assessor e preposto de Andres Sanches brigam com Neto pelo facebook

dezembro 23, 2016

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Em conversa pelo facebook, Manoel Ramos Evangelista, o Mané da Carne, conselheiro do Corinthians e assessor parlamentar do deputado federal Andres Sanches, e André Campoy, preposto do ex-presidente alvinegro em transações de jogadores, bateram pesado no comentarista Neto, da BAND, com quem, até outro dia, dividiam espaço no mesmo grupo político.

Campoy sugeriu que o rompimento do ex-jogador com Andres Sanches tem motivações nada nobres:

“Manoel, esse Neto nós conhecemos bem… não vale nada. É um cara sujo, cospe no prato que comeu…”

Menos cauteloso, Mané partiu para o ataque:

“Neto… você e esse tal de Veloso trabalham contra o Corinthians.”

“Você é o maior canalha que assisti na TV”.

“Na vida particular você é cagão, vagabundo”

“E pior que é conselheiro (do Corinthians) e não vai em reunião, seu pipoqueiro bunda mole”

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O leitor precisa ficar atento ao Blog do Ohata, no UOL

dezembro 23, 2016

ohata

O leitor do Blog do Paulinho sabe que uma das razões deste espaço ser amado e odiado por jornalistas, mas lido por todas as redações, é não praticar o corporativismo.

Muitos “colegas” foram criticados.

Nos bastidores, agradamos aos que se portam com correção e anseiam pela higienização da profissão.

Evidentemente, entre os que desviam a conduta, a recepção não é nada calorosa.

Hoje, após algum tempo de observação, pedimos atenção ao Blog do Ohata, situado no UOL.

Digamos que os hábitos de Odebrecht, Futebol Interior e Crefisa, a quem prestou assessoria informal nos últimos dias, adequam-se aos procedimentos do referido jornalista.

Só a diminuição do tamanho do Estado pode conter a corrupção

dezembro 23, 2016

pt petrobras

Da FOLHA

Por REINALDO AZEVEDO

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA apontam que a Odebrecht pagou a fábula de mais de US$ 1 bilhão em propina: US$ 599 milhões foram distribuídos a patriotas brasileiros, e US$ 439 milhões, a estrangeiros.

Estrangeiros? Sim, autoridades de Angola, Moçambique, Venezuela, Equador, Argentina, Colômbia, República Dominicana, Guatemala, México, Panamá e Peru se deixaram corromper. No grupo, há ditaduras de esquerda, quase ditaduras, quase democracias, regimes propriamente democráticos, fazendolas comandadas por milícias etc. Sem preconceitos!

Só se compra quem está à venda. Só se vende quando há compradores. “Ah, já sei, isso é que se chama lei do mercado, né?” Errado, gafanhoto! Essa é a lei universal e atemporal da canalhice. Afinal, Angola, Moçambique, Venezuela e Equador, por exemplo, até em razão de seus respectivos regimes políticos, são exemplos não exatamente do funcionamento das leis da oferta e da procura, mas de seu colapso.

A Odebrecht e as demais empreiteiras envolvidas no petrolão, como resta claro a esta altura, pagaram caro, obtendo lucros fabulosos, para que as regras de mercado não funcionassem.

O que todos esses países têm em comum com o Brasil, ainda que em graus variados, mas sempre acima da média dos países de institucionalidade avançada? A resposta é simples: Estado na economia. Em todos eles, é a arbitragem do governo –ou seu arbítrio– que define as regras do jogo. E a corrupção é diretamente proporcional à capacidade que tem esse Estado de definir vencedores e perdedores.

Não tenho aqui as contas, mas asseguro, por princípio e lógica, que, considerado o tamanho de sua economia, Angola lideraria o ranking da corrupção entre esses 12. Afinal, é o que fornece as melhores condições estruturais para o exercício da cleptocracia porque o mais autoritário.

O Brasil tem-se deixado enredar num debate nem sempre esclarecido sobre o que fazer para combater a corrupção. Com alguma frequência, o moralismo rombudo e oportunista tem ocupado a cena, com suas respostas estridentes e sua vocação para disciplinar os costumes com cordas e guilhotinas. Movimentos assim costumam resultar em cabeças cortadas, pescoços quebrados e emergência de novos viciados em velhos vícios. Sabemos que, na revolução de bichos, os porcos aprendem depressa a andar sobre duas patas…

Não há endurecimento possível da legislação penal ou reforma do Judiciário capazes de responder a contento ao quadro de descalabro que há no Brasil –e, certamente, nos demais países da Lista da Vergonha. Ainda que se proceda a julgamentos sumários, em praça pública, para que os faltosos sintam a força do exemplo, continuaremos a produzir corruptos e corruptores, só que com um pouco mais de barbárie.

Precisamos, em suma, é de mais democracia se queremos menos corrupção. E a tanto só chegaremos com a diminuição da presença do Estado na economia. No dia em que não houver estatais para vender dificuldades, haverá menos gente para pagar por facilidades.

Infelizmente, apesar dos descalabros que vieram à luz, o Estado, o verdadeiro algoz da sociedade, tem saído incólume. Alguns imbecis têm preferido oferecer como remédio o ataque às garantias democráticas. Ou por outra: querem é ainda mais arbítrio do aparelho estatal, o pai de todas as corrupções, a tempo privatizado por empreiteiras e afins.

Em meio ao caos, Presidente do Corinthians viaja e deixa o clube nas mãos de ex-bicheiro

dezembro 22, 2016

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Sem dinheiro para pagar as contas, além da necessidade, urgente, de contratar novo treinador e compor elenco para as disputas de campeonato em 2017, o presidente do Corinthians, Roberto “da Nova” Andrade, em aparente despreocupação, largou o clube na mão e viajará, logo mais, aos EUA, local de onde voltará, segundo previsão, daqui há 15 dias.

No período, responderá pelo cargo no alvinegro o vice-presidente André Negão, ex-bicheiro, detido, recentemente, pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal sob acusação de receber R$ 500 mil em propina da Odebrecht (desviados das obras do estádio em Itaquera).

Em tese, mesmo em exercício, o chefe de gabinete de Andres Sanches terá poder suficiente para dar aval a todas as contratações, vendas de atletas e demais assuntos do futebol.

Há quem diga, apesar da versão oficial de “férias”, que a ausência de Roberto seria exatamente para isso: facilitar a vida de Andres Sanches neste período, em troca de apoio para não cair no impeachment.

Nos últimos dias, relatos de empresários dão conta de que Mauro “Van Basten”, homem do deputado nas transações, teve suas ações, digamos, limitadas em negociações do clube, mas que o “limitador”, o diretor Flávio Adauto, estaria utilizando-se dos mesmo métodos, até com mais voracidade, ocasionando desconforto nas tratativas.

Abaixo, em vídeo recheado de ironia, André Negão (já sabendo que ocupará a presidência por 15 dias) deseja “Feliz Natal” aos corinthianos:


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