MP-SP utiliza ata do Conselho do Corinthians pare embasar investigação das contas do estádio

O Ministério Público de São Paulo decidiu aprofundar a análise dos valores cobrados pela Caixa Econômica Federal no financiamento da Neo Química Arena.

Em despacho assinado nesta sexta-feira (4), o promotor Cássio Roberto Conserino afirmou que os cálculos apresentados ao MP serão submetidos ao CAEX-Crim, órgão técnico da instituição, para verificar se possuem consistência matemática.

A apuração pretende revisar valores, índices, taxas e multas aplicados ao contrato, além de confirmar se a cobrança de R$ 536 milhões apresentada pela Caixa em agosto de 2019 estava acompanhada de memória detalhada e era efetivamente correta.

Para justificar a medida, o promotor, além de utilizar-se da perícia realizada Anisio Costa Castelo Branco, citou trechos da reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians realizada em junho de 2022, na qual dirigentes e conselheiros demonstraram divergências sobre o tamanho da dívida e as condições do acordo firmado com o banco.

Na ocasião, o então diretor financeiro Roberto Gavioli informou que os R$ 536 milhões cobrados em 2019 haviam sido atualizados para R$ 611 milhões.

Também afirmou que os cálculos do Corinthians apontavam dívida de aproximadamente R$ 450 milhões, mas que o clube aceitou o acordo diante do risco de o débito ultrapassar R$ 700 milhões.

O despacho também recupera declaração feita por Andrés Sanchez em 2019, quando o ex-presidente sustentou que o Corinthians deveria pagar apenas R$ 240 milhões.

Três anos depois, durante a reunião, um conselheiro questionou a diferença de 255% entre esse montante e os R$ 611 milhões assumidos no acordo.

Segundo Conserino, os diálogos indicam que o Corinthians reconheceu tacitamente o valor exigido pela Caixa, apesar das dúvidas internas sobre os cálculos.

O promotor ressaltou, contudo, que ainda não existe prejulgamento sobre a correção da cobrança.

O resultado da perícia poderá ser utilizado tanto nos processos criminais em que o Corinthians aparece como vítima quanto no inquérito civil que analisa a viabilidade de uma intervenção judicial no clube.

Para o MP, a revisão poderá revelar eventual existência de “gestão temerária institucionalizada”.

Antes de encaminhar o parecer ao CAEX-Crim, a Promotoria determinou que o Corinthians seja oficiado para informar, no prazo de dez dias, qual postura adotará diante dos fatos.

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