Do áudio de Vorcaro ao fiasco do debate

Por ROQUE CITADINI
Na noite de ontem, a campanha eleitoral viveu o terceiro evento relevante que marcará essa disputa: o fracasso do debate eleitoral que seria promovido pela TV Globo.
O primeiro evento marcante da campanha foi o áudio trazido pelo The Intercept, no qual o candidato da oposição, senador Flávio Bolsonaro, pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, declarado “meoirmão”, e promete apoio na sua luta por se livrar da Polícia Federal, que estava no encalço das fraudes que seu banco realizava.
O áudio mudou tudo e mostrou que o candidato da oposição era íntimo do banqueiro e estava enrolado em tudo o que Vorcaro fazia.
Com o áudio revelador, caiu a história que o bolsonarismo procurava criar: a de que o caso Master era de Lula e que os Bolsonaros nada tinham a ver com os rolos.
Após o áudio, revelaram-se reuniões, fotos e festas que cada vez mais mostravam que Vorcaro e os Bolsonaros atuavam numa dança conjunta.
Esse áudio mudou a eleição.
O momento relevante seguinte da campanha, o segundo, foi a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) na qual se organizou uma ofensiva para afastar o ministro Alexandre de Moraes, investigando eventuais indícios levantados pela mídia no caso Vorcaro.
O propósito era afastar o ministro, ligá-lo ao governo e a Lula, procurando com isso favorecer o candidato da oposição, que estava enrolado no caso Master, principalmente após o áudio do The Intercept.
A sessão foi um completo fracasso, e o jogo virou quando ficou claro que a ofensiva contra Moraes escondia que os principais envolvidos estavam escondidos.
A sessão foi um marco jurídico, mas também uma jogada eleitoral que fracassou.
O terceiro grande momento foi o debate fracassado de ontem.
A mídia vive profunda irritação com o governo, especialmente com a proibição das bets, que tanto atinge o caixa das empresas jornalísticas.
O debate era para ser um momento de ouro na campanha contra Lula, que, vendo a trama montada, corretamente disse que não iria.
A mídia elogiou a primeira intervenção do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quando este mandou incluir entre os participantes o candidato Zema, mesmo com a mirrada participação de um por cento nas pesquisas eleitorais.
Numa interpretação criativa, o ministro Kassio Nunes arrumou uma vaga para Zema, com o agrado da TV, pois juntou mais um soldado da direita contra Lula.
Neste caso, a conduta do TSE, que envolvia o debate, foi saudada pela mídia, pois atendia a seus interesses.
Mas o caldo complicou quando duas outras medidas judiciais entraram em campo.
A primeira desmontou o circo que Flávio Bolsonaro organizara: fazer perguntas para uma cadeira vazia, onde deveria estar o presidente Lula. Isso não era debate, mas um ataque ao presidente.
Nenhum veto à opinião do senador foi imposto.
Ele era livre para falar o que quisesse, sem que tivéssemos um quadro de TV sem o outro candidato presente.
Mas o pior viria quando a Justiça decidiu que um candidato (Rene Santos), que tem o triplo das indicações de Zema nas pesquisas, não ficasse fora do debate, e abriu sua vaga.
Nada mais justo.
Diante da presença do jovem candidato, o senador Flávio Bolsonaro fugiu.
Foi um desmaio prévio: essa fuga de enfrentar um candidato novato.
O fracasso do debate armado é o terceiro momento inesquecível desta campanha.
A mídia nunca foi tão ostensiva em tomar um lado, neste caso contra o governo e a favor do candidato da oposição.
O dia a dia da cobertura revive uma fase pior do que a campanha de 1989, onde tudo foi feito para Collor.
O PowerPoint feito sobre o caso do Banco Master é uma vergonhosa intervenção da mídia, seguida de diárias ações de pura fake news.
O fracasso do debate de ontem é uma derrota para a mídia na sua escalada contra o governo Lula e sua área política.

