Ex-diretor avalizou R$ 3,8 milhões do sistema Vorcaro ao Corinthians

A Justiça de São Paulo suspendeu, por ora, a execução movida pelo Banco BlueBank S.A. — atualmente Banco LetsBank S.A., em liquidação extrajudicial — contra o ex-diretor de Finanças do Corinthians, Pedro Silveira.

A cobrança, no valor de R$ 3.854.067,59, decorre de uma Cédula de Crédito Bancário firmada em favor do Corinthians.

Pedro Silveira figura na operação como avalista do empréstimo concedido ao clube, tornando-se corresponsável pelo pagamento da dívida caso o devedor principal não a honrasse.

O caso chama atenção também pela situação da instituição financeira.

O antigo BlueBank, posteriormente rebatizado como LetsBank, integra o conglomerado que orbitava o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

O grupo tornou-se alvo de investigações por suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, enquanto o Banco Central barrou a tentativa de transferência do controle do BlueBank por falta de comprovação da origem dos recursos empregados na operação.

Posteriormente, a instituição entrou em liquidação extrajudicial.

A origem dos recursos do banco está inserida no contexto das investigações que cercam o esquema atribuído ao grupo de Vorcaro.

Há outro questionamento relevante.

E suspeito.

Embora o financiamento tenha sido contratado junto ao BlueBank, o nome da instituição não aparece nas notas explicativas dos balanços de 2024 e 2025 do Corinthians, que detalham empréstimos obtidos junto ao Banco Daycoval, Banco BMG e XP Investimentos.

A única rubrica capaz de comportar esse passivo é o item genérico “Outros bancos”, sem qualquer identificação dos credores.

Na prática, a dívida deixou de integrar a relação individualizada de financiamentos divulgada pelo clube, dificultando a fiscalização por conselheiros, associados e credores.

Embora o balanço não permita afirmar categoricamente que o empréstimo esteja contabilizado nessa rubrica, esta é a hipótese mais provável, já que inexiste qualquer menção ao BlueBank/LetsBank nas demonstrações financeiras.

Nos autos, Pedro Silveira afirmou que a dívida foi integralmente quitada pelo Corinthians, devedor principal, em 20 de janeiro de 2026, motivo pelo qual solicitou a extinção da execução.

Na gestão Osmar Stabile.

Ao analisar o caso, o juiz concluiu que os documentos apresentados — entre eles comprovantes de pagamento e comunicações eletrônicas — são suficientes para indicar, em tese, que a obrigação foi efetivamente quitada.

Entretanto, em razão da liquidação extrajudicial do LetsBank, o magistrado destacou não haver, neste momento, condições de confirmar oficialmente se o valor foi recebido pela instituição, se foi corretamente imputado ao contrato e se existe eventual saldo remanescente.

Diante desse cenário, a Justiça determinou a suspensão dos atos de execução relacionados ao crédito principal até que a instituição financeira esclareça os efeitos do pagamento.

O LetsBank terá prazo de 15 dias para apresentar memória atualizada do débito, informando se o valor foi efetivamente recebido e se ainda subsiste saldo pendente.

Informações indicam que Pedro Silveira estaria em busca de parceiros para viabilizar uma proposta de SAF ao Corinthians, sob a condição de que, caso o negócio seja concretizado, ele próprio assuma o cargo de CEO do clube.

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