Dos candidatos das ‘organizadas’ corinthianas, somente a de extrema direita venceu

As eleições de 2026 demonstraram que transformar torcida organizada em curral eleitoral está longe de ser garantia de sucesso.
Com aval dos Gaviões da Fiel concorreram: Rodrigo Digão e Emerson Osasco para deputado estadual; Alex Minduin, Thiago Surfista e Ernesto Teixeira para federal.
Quatro perderam.
Somente Thiago Surfista, surfando a onda da extrema direita, conseguiu se eleger.
Um tapa na cara dos ideais originários da torcida e do histórico democrático do Corinthians, clube a que ela diz representar.
Emerson Osasco, do PCdoB, recebeu 7.069 votos.
Até três dias antes da eleição, sua campanha havia declarado R$ 565 mil em receitas.
R$ 550 mil vieram do Fundo Eleitoral e outros R$ 6 mil do Fundo Partidário.
Em 2022, Emerson já havia tentado chegar à Assembleia Legislativa e conseguido 11.882 votos.
Quatro anos depois, mesmo abastecido com centenas de milhares de reais dos fundos públicos, terminou com votação ainda pior.
Rodrigo “Digão”, ex-presidente dos Gaviões, foi outro derrotado.
Recebeu míseros 8.107 votos.
Sua campanha embolsou, até meados de setembro, pouco mais de R$ 40 mil repassados pelo PSB.
Alex Minduin, do PT, chegou aos 10.733 votos.
Até a última prestação disponível antes da eleição, os aproximadamente R$ 10 mil arrecadados por Minduin provinham de doações privadas.
Foi sua quarta candidatura, todas derrotadas.
Mas é puxador de samba e conselheiro do Corinthians Ernesto Teixeira quem melhor representa a figura do candidato profissional sem mandato.
Desde 2016, apresentou-se seis vezes às urnas.
Perdeu todas.
Neste domingo, tentando uma vaga de deputado federal pelo MDB, conseguiu extraordinários 2.309 votos em todo o Estado de São Paulo.
Terminou na 452ª colocação.
Sua campanha havia declarado R$ 100 mil em receitas.
Tudo oriundo do Fundo Partidário.
É difícil olhar para números como esses e não perguntar qual era, de fato, a expectativa eleitoral de algumas dessas candidaturas.
Ou por que os partidos consideraram razoável destinar dinheiro público a personagens que, em alguns casos, acumulam derrota atrás de derrota e demonstram reduzidíssima capacidade de convencimento do eleitor.
Há muito espertalhão na política brasileira.
As torcidas organizadas parecem, sabe-se lá por quais motivações, sempre ligadas a alguns deles.

