A salvação do ‘Judas’ de Augusto Melo

Braço direito de Augusto Melo na gestão corrupta do Corinthians, o conselheiro Vinicius Cascone, embora parceiro do ex-mandatário desde os tempos em que ambos transitavam no núcleo da Renovação e Transparência, saiu ileso dos indiciamentos criminais que atingiram os cartolas envolvidos no negócio “Vai de Bet”.
Não se sabe se por não compactuar com as falcatruas — embora tenha pertencido ao núcleo desse grupo durante vários anos e atuado como advogado pessoal do ex-presidente — ou por esperteza política, Cascone afastou-se dos antigos parceiros.
Por conta disso, passou a ser tratado como “Judas”.
Pelo grupo de Augusto e também por outros, que o observam com certa reticência.
Atualmente, costeia o alambrado do Centrão, ambiente que jamais se importou com esse tipo de comportamento político, como demonstram as participações recentes de seus integrantes em todas as gestões do clube, inclusive as adversárias entre si.
Como se nunca tivesse avalizado — ou, no mínimo, silenciado — diante da conduta eleitoral de Augusto Melo, que gastou dinheiro próprio e, segundo investigações policiais, possivelmente recursos oriundos do crime organizado na campanha à presidência do Corinthians, promovendo festas, distribuindo brindes e até dinheiro durante a farra eleitoral, Cascone protocolou no Conselho um pedido para que tudo isso deixe de acontecer.
Propôs a proibição total de boca de urna, festas e distribuição de brindes.
Está correto.
Antes tarde do que nunca.
Isso, porém, não deixa de soar um tanto quanto cara de pau.
De parceiro de dirigentes denunciados por graves crimes contra o Corinthians, passando à condição de “Judas”, Cascone agora tenta assumir o papel de “bom samaritano”, procurando demonstrar que existe salvação para os pecados dos arrependidos — desde que, evidentemente, o arrependimento seja verdadeiro.

