A ditadura da CBF

Por ROQUE CITADINI
A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) é uma entidade baseada no modelo desenvolvido pelo Estado Novo, na ditadura de Getúlio Vargas, ainda na primeira metade do século passado.
Estranho isso? Não.
O controle da CBF é das federações estaduais, e elas são tudo. Elas elegem os presidentes, dirigem a seleção, contratam e vendem os jogos.
Cada estado tem o mesmo número de votos. Por esta razão, o presidente da CBF é um dirigente de Roraima, estado que não tem nenhum clube forte nos campeonatos de futebol.
Em outras partes do mundo, os dirigentes nacionais são eleitos pelos clubes. Os mais fortes e com mais títulos têm mais votos.
Aqui não. Os clubes têm presença residual na Confederação.
Quem manda são os Estados, mesmo naqueles onde não há nenhum clube na primeira divisão.
Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Vasco, Cruzeiro e todos os outros grandes não têm nenhuma interferência na CBF.
Mandam as poderosas federações de Roraima, Rondônia, Acre ou Sergipe.
Essa excrescência deveria mudar, mas governos de direita e esquerda nada fizeram para remover o modelo getulista do Estado Novo.
O lobby da CBF é poderoso no Congresso e em Brasília toda.
Os clubes, que mantêm o futebol, pagam as equipes e organizam competições, não têm espaço para agir.
Sem mudar a CBF, o futebol não muda.
Essa organização arcaica resiste a qualquer mudança.
Quem poderia mudar não mexe em nada.
Só com os clubes assumindo a direção do futebol teremos melhores caminhos.
*Publicado orginalmente no facebook de Roque Citadini

