Caso Olten ilumina a imoralidade no São Paulo

O arquivamento da representação contra Olten Ayres no caso das supostas 171 multas aplicadas ao veículo colocado à sua disposição pelo São Paulo é mais um capítulo vergonhoso da crise institucional vivida pelo clube.

Em vez de responder por que um automóvel de uso oficial acumulou 171 infrações em apenas 25 meses, gerando R$ 85,3 mil em despesas, além de R$ 23,1 mil em reparos pagos pelo caixa tricolor, Olten limitou-se, à época, a invocar argumentos como confidencialidade e a LGPD.

Pior: ao deixar de identificar o condutor das infrações, permitiu que multas originalmente fixadas em R$ 5,7 mil saltassem para R$ 64,4 mil, agravando o prejuízo ao próprio São Paulo.

Agora, a Comissão de Ética arquiva o caso sob alegação de intempestividade e falta de elementos mínimos.

A decisão foi assinada por Luiz Braga, conselheiro inscrito pelo grupo político de Olten Ayres para disputar uma vaga de conselheiro vitalício.

O contexto torna tudo ainda mais constrangedor.

Dias antes, Olten destituiu Antonio Maria Patino da presidência da Comissão de Ética e afastou Marcelo Gatto, justamente o relator do outro processo em que responde por suposta gestão temerária, que agora será redistribuído.

É indecente.

A sucessão de arquivamentos, substituições e evidentes conflitos de interesse destrói a credibilidade da Comissão de Ética e reforça a sensação de que determinados dirigentes permanecem protegidos por um sistema de privilégios incompatível com a história do São Paulo.

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