Denúncia de assédio sexual e moral na Arena do Corinthians

O Blog do Paulinho foi procurado por Letícia Gama, ex-colaboradora da Global Security, empresa responsável pela segurança patrimonial da Arena do Corinthians, que presta serviços ao clube, que denunciou ter sofrido assédio sexual, assédio moral, discriminação, abuso de poder hierárquico e omissão da empresa na apuração dos fatos.
José Robson Santos, supervisor patrimonial, é o principal acusado.
Há menções também a Ricardo Okabe, CEO informal do clube, braço direito do presidente.
Segundo a denúncia, José Robson Santos dirigia repetidos comentários de cunho sexual à funcionária, afirmando, entre outras frases, “olha o tamanho dessa bunda”, “vou pegar você e sua esposa” e dizendo que poderia “reconfigurá-la” ou “resetá-la”, em referência à orientação sexual da colaboradora.
A vítima afirma que pediu expressamente que o comportamento cessasse, mas teria sido intimidada pelo supervisor, que respondeu “eu sou o supervisor”, aumentando seu receio de formalizar a denúncia por medo de represálias.
O documento também relata que José Robson Santos teria afirmado, na presença de outros funcionários, que o diretor do Corinthians, Ricardo Okabe, manifestava interesse sexual pela colaboradora, dizendo que ele “tinha vontade de ficar” ou “comer a vítima” por ela possuir o perfil físico que lhe despertava interesse.
Segundo Gama, o supervisor ainda teria informado diretamente à funcionária, em tom de deboche e risadas, que Okabe fazia comentários sobre seu corpo, especialmente sobre suas nádegas, e desejava manter relações sexuais com ela.
De acordo com a ex-colaboradora, as denúncias foram encaminhadas ao setor de Recursos Humanos da Global Security em 2025, por mensagens e presencialmente, acompanhadas de elementos probatórios.
Ela afirma, contudo, que nunca foi informada sobre a abertura de investigação ou adoção de medidas disciplinares e que, após formalizar a reclamação, passou a sofrer isolamento e mudanças no tratamento recebido dentro da empresa.
Ainda segundo o documento, José Robson Santos chegou a ser transferido da Arena do Corinthians, mas retornou ao cargo de supervisor patrimonial.
A denúncia afirma que seu retorno gerou insegurança entre funcionários, alguns dos quais teriam manifestado intenção de pedir transferência ou desligamento por receio da convivência com o gestor e pela percepção de que os fatos não foram devidamente apurados.
O texto cita ainda o sócio da Global Security, Alecsandre Oliveira Lima, apontando que ele teria sido informado informalmente sobre os acontecimentos desde o início.
A ex-colaboradora também sustenta que acumulava funções administrativas e operacionais que extrapolavam suas atribuições, assumindo tarefas de supervisão e coordenação de efetivo durante jogos e eventos na Arena, situação que, segundo o relato, era reconhecida por colegas e profissionais de empresas parceiras.
Ao final, a denúncia requer a apuração dos fatos, com a oitiva de testemunhas, análise das mensagens e documentos apresentados, eventual responsabilização dos envolvidos e adoção de medidas para garantir um ambiente de trabalho livre de assédio, discriminação e retaliações.
O documento foi enviado também ao Corinthians.

