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As ‘ressalvas’ à empresa que aprovou, sem ‘ressalvas’, o indecente balanço do Corinthians

Luiz Cláudio Fontes

Na próxima segunda-feira (11), o CORI, do Corinthians, avaliará, em reunião virtual, as contas do clube do exercício 2019.

Diante do resultado, exposto publicamente pela imprensa e, desde ontem, enviado, oficialmente, a todos os conselheiros, é difícil acreditar em aprovação.

Muitas são as demonstrações, no mínimo, de irresponsabilidade.

Ciente da condição financeira do clube – afinal são treze anos de poder continuado – que já era pra lá de preocupante, o presidente Andres Sanches, por razões diversas, em vez de recuar nas despesas – como apregoa agora, em entrevistas – pisou no acelerador da gastança.

A previsão de superavit na casa dos R$ 650 mil transformou-se em déficit de R$ 177 milhões.

R$ 750 milhões é, oficialmente, a dívida total do Corinthians.

Mas, em verdade, o prejuízo pode ser muito maior.

E nem estamos falando do estádio, que superará, após todas as manobras de renegociações somadas aos atrasos de parcelas e juros inerentes, a casa de R$ 1 bilhão (fora o que já foi quitado), mas das diversas ações trabalhistas e calotes diversos, principalmente em impostos, prestes a estourar.

A irresponsabilidade é tamanha que existe a possibilidade, concreta, diante da não publicação do Balanço no prazo da Lei, da exclusão alvinegra do PROFUT.

Se isso ocorrer, juntar-se-ão às dívidas de curto prazo, acima de R$ 200 milhões, os quase R$ 500 milhões de tributos parcelados, que precisarão ser honrados à vista, com acréscimo de multas e correções.

Quase um novo estádio de Itaquera.

Existem diversos absurdos listados nos gastos do Corinthians, responsáveis pelo resultado final preocupador, desde os quase R$ 100 milhões tomados em empréstimos (boa parte do BMG), passando pelas 34 contratações de jogadores, que elevaram a despesa com direitos de imagem em expressivos 66% acima da previsão orçamentária, até a prática de embolsar, indevidamente, dinheiro que deveria ser destinado ao Arena Fundo.

Somente essa dívida, sobre a qual incidem juros e correções, atinge mais de R$ 50 milhões.

E exatamente nesse ponto, apesar de existirem outros mais, que colocamos, novamente, em dúvida a isenção da empresa RSM, que assina, incrivelmente ‘sem ressalvas’, a contabilidade alvinegra.

Vale lembrar, o contador responsável, Luiz Cláudio Fontes, foi funcionário de Raul Corrêa da Silva, e, desde a época que este ainda era diretor financeiro alvinegro, até os dias atuais, recebeu incumbência da análise das contas do Corinthians.

Aprovou a todas, inclusive as consideradas maquiadas (a acusação, feita por Emerson Piovesan, diretor que sucedeu Raul, consta em ata do Conselho).

É de se estranhar que um clube com a arrecadação e as responsabilidades do Corinthians recorra a uma empresa irrelevante em seu meio de atuação para executar trabalho de tamanha complexidade.

Voltando à questão dos repasses ao Fundo, a RSM atesta que estão ‘regulares’, ou seja, sendo realizados de maneira correta, quando, em verdade, documentalmente (conforme comprova balanço do Arena Fundo protocolado na CVM) não estão.

Em partindo desse suposto ‘equívoco’ do auditor, qualquer análise posterior, e sem ressalvas, perde força em credibilidade.

Os demais detalhes do balanço, pelo menos os mais relevantes, foram comentados, não apenas por aqui, mas nas diversas mídias que tiveram acesso, antecipado, à documentação, que o Blog do Paulinho disponibiliza, na íntegra, aos leitores desse espaço, para que possam, cada qual a seu entendimento, compreender a gravidade do momento, político e econômico, que assola o Sport Club Corinthians Paulista:

Balanço e auditoria das contas do Corinthians – exercício 2019

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