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Detalhes de como Alan Cimerman embolsava dinheiro que deveria ter sido pagado ao São Paulo

Alan Cimerman

Em abril de 2019, o intermediário Fábio Wolff, através da sua Wolff Sports & Marketing, ingressou com ação de cobrança contra o São Paulo, na 39ª Vara Civel.

A pendência seria de R$ 540 mil.

O espertalhão tentava utilizar o contrato de patrocínio da ‘Guaraná Poty’, que havia levado à agremiação, para receber do clube quantia fruto de negócio ilegal realizado, por fora, diretamente com o então gestor de marketing tricolor, Alan Cimerman.

Se deu mal.

A Justiça, ao analisar provas e trocas de mensagens entre as partes, concluiu que o ex-dirigente Tricolor, demitido sob acusação de falcatruas, havia agido por conta própria ao tomar R$ 750.328,00 do empresário.

Vamos detalhar o rolo.

De 13 de abril de 2017 até 01 de julho de 2019, Wolf manteve contrato de permuta com o São Paulo para exploração de um dos camarotes do estádio do Morumbi.

Em meio a esse período, o clube fechou contrato para a realização de show do ‘U2’, com data marcada para outubro de 2017.

Observando a oportunidade, o então diretor de marketing do São Paulo, Alan Cimerman, ofereceu a Wolf a antecipação dos melhores lugares do espetáculo, uma espécie de reserva de ingressos, que custaria R$ 750,3 mil.

Porém, em vez do depósito ser realizado na conta do Tricolor, efetivou-se na de Tatiana Langer Cimerman, filha do cartola.

Alan, então, entregou a Wolf recibos falsos de pagamentos com a marca da produtora do show, a ‘Live Nation’.

Tratava-se de um golpe.

Após descobrir ter sido enganado, o intermediário entrou em contato com Cimerman, que, para ganhar tempo, devolveu R$ 210 mil (repassando um veículo), assinando confissão de dívida do restante (que nunca honrou), documento este utilizado agora, indevidamente, na ação proposta contra o São Paulo.

Abaixo, trecho de email enviado pelo ex-dirigente Tricolor a Wolf:

“(…) o pouco que se você me conhece você me confia, por isso eu queria encontrar com você, é olhar no teu olho e falar com você velho eu preciso falar independente de qualquer coisa o dinheiro eu to, eu quero te mostrar um plano de pagamento pra você porque eu já to com o plano que eu quero sentar e te mostrar se você quiser hoje já te dou o meu carro que ta aqui pronto na mão te dou já ele entendeu pra você falar cara o carro transfiro pra você ver que eu não tenho sacanagem to levantando o dinheiro vai ser levantado eu tenho já to com o prazo pra fazer isso tudo, agora eu preciso falar sentar olha pra você cara e si num os caras estão acabando com a minha vida acabando Fabio, você não tem noção”

Na sequência, a resposta do empresário:

“Cara o que me preocupou é que assim, eu fiz uns pagamentos naquela conta que você me indicou e pra mim os ingressos estavam comprados, entendeu”.

Cimerman implora para Wolf não entrar em contato com o São Paulo, garantindo que resolveria o ‘problema’:

“(…) eu vou fazer,eu vou te dar o dinheiro te dar o caminho pra você ir lá e pegar os teus ingressos e compra isso isso vou, isso não tem, agora o que não pode é isso você entrar no jogo e cair no jogo e se ‘fuder’ cara, para me ‘fuder’ também”

O vocabulário é indicador do nível de dirigente que cuidava dos principais contratos do Tricolor.

Wolf respondeu:

“É assim, vamo lá, ei to eu fui colocado numa situação super complicada entendeu, você sabe disso né eu num é eu não tenho interesse nenhum em pegar um megafone e sai falando entendeu as coisas, mas assim eu to numa situação ultra delicada, é São Paulo é meu super parceiro entendeu, eu tenho um nome a zelar no mercado e to numa situação muito delicada entendeu assim cara a gente durante o São Paulo teve um relação no dois mil e dezesseis é meio conturbada em função com aquele problema com a FIAP a gente ficou meses sem se falar depois voltamos a ser falar tinha tenho vários patrocínios, tenho vários patrocínios lá a relação foi a melhor possível então assim eu preciso que essa relação continue melhor possível com o São Paulo não só com o São Paulo né no mercado de uma forma geral”

Pouco depois, Cimerman sumiu do São Paulo e o empresário nunca mais recebeu a quantia que lhe fora subtraída em aparente estelionato.

Por conta do rolo, o clube rompeu com Wolf e foi, indevidamente, por ele processado.

Mas, diante dos fatos, expostos na ação e revelados, publicamente, pelo Blog do Paulinho, a 39ª Vara Civil, na última terça-feira (29), não só julgou improcedente a ação como condenou o intermediário ao pagamento de todas as custas processuais:

“Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTES os pedidos formulados, nos termos da fundamentação e, ao final, JULGO EXTINTO O FEITO COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, nos termos do artigo 487, I do NCPC”

“Condeno a autora em custas, despesas processuais e honorários advocatícios quefixo em 10% (dez por cento) do valor atualizado atribuído à causa, nos termos do artigo 85, §2º do NCPC”

Evidentemente, a absolvição processual não isenta os dirigentes tricolores da culpa de ter permitido que tão importante setor de negócios tenha permanecido nas mãos desse tipo de gente.

Quantos outros casos semelhantes ocorreram nos bastidores do São Paulo e quais valores teriam sido desviados para contas como a da filha de Cimerman ?

Perguntas que a diretoria do clube tem obrigação de esclarecer.

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