Anúncios

BRL TRUST acusa Corinthians comprovando que apenas 20% do dinheiro previsto foi repassado ao Fundo

“(…) as expectativas são incertas. Para efeito de comparação, o saldo das receitas realizadas em 2016 representam 20% do saldo projetado para o período de acordo com projeção apresentada ano passado.”


A revista Época anunciou, ontem, que a BRL Trust renunciou à administração do Arena – Fundo de Investimento Imobiliário FII, que cuida das contas da Arena de Itaquera, utilizado pelo Corinthians.

Faltou, porém, detalhar a operação.

A BRL que renunciou não se tratava da mesma empresa que, desde o início das obras, era gestora do Fundo, mas sim doutra empresa do grupo, empossada nove dias atrás, e que, após três dias decidiu sair do negócio.

O procedimento é obscuro (documentaremos abaixo), mas as motivações, pelo menos nos bastidores, há tempos estão sendo discutidas por executivos da BRL e alguns conselheiros alvinegros, nem todos ligados à gestão.

Vamos aos fatos:

Em 10 de abril, todos os cotistas do Arena Fundo participaram de Assembléia (não necessariamente presencial – como comprovou-se no episódio em que o presidente do Corinthians quase sofreu impeachment) em que duas decisões importantes foram tomadas:

  • a BRL Trust Serviços Fiduciários e Participações Ltda, até então administradora do Fundo, foi trocada pela BRL Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A, empresa do mesmo grupo, mas que, por ser Sociedade Anônima, poderia ter ação diferenciada no mercado;
  • o regulamento do Fundo, em consequência, foi alterado.

Vale lembrar que o Corinthians, um dos cotistas, mesmo que minoritário, do Fundo, desrespeitou decisão de seu Conselho Deliberativo, indicando que qualquer decisão sobre o estádio, inclusive as tomadas em reuniões do Fundo, teriam que ser comunicadas, e por vezes, aprovadas, previamente pelo órgão.

Três dias depois, em 13 de abril, a nova administradora, a BRL TRUST Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A, em nova Assembléia Geral, protocolou, com cópia à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) o Informe Anual do Fundo, detalhando, em especial, as seguintes colocações:

  • Entendemos que um dos pontos mais fortes da arena é que ela tem um grande clube como âncora e uma das maiores torcidas do país, garantindo alguns benefícios como boa ocupação dos assentos e um retorno de imagem forte. Entretanto entendemos que o imóvel, pela localização e acesso, leva desvantagem em relação à concorrência no que concerne a locação para eventos.
  • O valor atingido na avaliação consistiu em uma análise das estimativas futuras das receitas e despesas informadas pelo cliente. Posicionamos os fluxos mensais no tempo e aplicamos uma taxa de desconto com base no mercado para trazer a valor presente. Dessa forma, analisamos o comportamento das estimativas futuras de receitas e despesas e notamos que a partir de 2017 está previsto um significativo aumento nas vendas de cadeiras, camarotes, parceiros e anunciantes com relação ao que foi realizado em 2016. Para isso se concretizar devemos observar as projeções econômicas do país e o momento do clube, pois as expectativas com relação à economia do país e do desempenho do clube em campo podem alavancar as vendas e atingir essas metas, porém as expectativas são incertas. Para efeito de comparação, o saldo das receitas realizadas em 2016 representam 20% do saldo projetado para o período de acordo com projeção apresentada ano passado. Nesse contexto, considerando que a economia brasileira continua em recessão e que as perspectivas de uma recuperação no próximo ano estão sendo revisadas para baixo, achamos prudente aumentar a taxa de desconto aplicada ao fluxo de caixa descontado.

Em resumo, a BRL reclama que os valores de arrecadação projetados como amortização do valor das pendências do estádio foram 80% menores do que os previstos pela diretoria do Corinthians, fato que não havia ocorrido em prestações de contas anteriores (todas documentadas).

Diante disso, e da falta de perspectivas de melhoras, a BRL Trust, na mesma reunião, três dias após assumir a gestão do Fundo, anunciou sua renúncia, configurada em carta oficial, assinada por Rodrigo Boccanera, presidente do grupo, enviada aos cotistas, também com cópia à CVM.

Representantes da empresa, em conversas de bastidores, disseram a conselheiros do Corinthians, ouvidos pelo Blog do Paulinho, que a motivação, sugerida na Assembléia, em detalhes significa que “não aguentavam mais conviver com o amadorismo e a incompetência da diretoria do clube”.

Falaram também:

“Temos dois camarotes vendidos, mas nos jogos a ocupação, por vezes, atinge oito, dez… nunca entrou esse dinheiro aqui… há também distribuição farta de ingressos…. por pedidos, quase ordens, do Andres Sanches, muitos ingressos são distribuídos sem cobrança ou com preço menor, que não entram na contabilidade ou são contabilizados de maneira equivocada, gerando impossibilidade de gerir, corretamente, as contas do Fundo”.

“Não aguentamos mais o Corinthians”.

Voltando à Assembléia Geral do dia 13/04, após a leitura da carta renúncia da BRL, decidiu-se que, em 03 de maio de 2017, nova Assembléia decidirá:

  • A seleção de novo prestador de serviços de administração fiduciária, conforme propostas a serem apresentadas pelos cotistas, bem como estabelecer procedimentos inerentes a essa transferência;
  • A seleção de novo prestador de serviços de gestão, conforme propostas a serem apresentadas pelos cotistas, bem como estabelecer procedimentos inerentes a essa transferência;

Está marcada, para hoje (19) reunião prévia para discussão destes assuntos.

Ontem, em desconformidade com a verdade, o Corinthians alegou a alguns associados e à imprensa desconhecimento sobre estes procedimentos, dos quais, comprovademente, participou.

Dentro do clube, após a divulgação da notícia do afastamento da BRL TRUST (que abriu mão de remuneração equivalente a R$ 1 milhão pelo serviço de administração) há quem defenda o rompimento total do Corinthians com o Fundo.

Outro fato relevante, é que o terreno em que está localizado o estádio em Itaquera – a concessão de uso – foi repassada à BRL Trust, sem que se saiba, ao certo, as implicações jurídicas que poderão surgir diante deste novo quadro, inclusive com o acordo envolvendo CAIXA e BNDES (empréstimo de R$ 400 milhões), amparados na composição anterior.

Há margem, inclusive, para que o banco execute a dívida por descumprimento de contrato (não houve aviso prévio das alterações).

Apesar de deixar a gestão do Arena Fundo, a BRL TRust e a Odebrecht, são donas da empresa Arena Itaquera S/A (que não abandonaram), principal cotista do Fundo, que tem ainda,e m composição, a própria Odebrecht e o Corinthians (minoritário).

INFORME ANUAL DA BRL TRUST SOBRE O ARENA FUNDO – REFERENTE AO EXERCÍCIO DE 2016, PROTOCOLADO EM 13 DE ABRIL DE 2017:

Informe Anual BRL – Arena – abril 2017

ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL DE 10 DE ABRIL, QUE TROCOU A BRL TRUST SERVIÇOS FIDUCIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA PELA BRL TRUST DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A

ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL DE 13 DE ABRIL, COM A RENÚNCIA DA BRL TRUST

CARTA RENÚNCIA DA BRL TRUST

NOVO REGULAMENTO DO FUNDO, APROVADO EM 13/04/2017

Novo Regulamento Arena Fundo – 04-2017

Anúncios

Uma resposta to “BRL TRUST acusa Corinthians comprovando que apenas 20% do dinheiro previsto foi repassado ao Fundo”

  1. luizdireg Says:

    Que texto longo…. Tem como resumir e dizer quem vai preso ou devolver o dinheiro roubado??

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: