Somente a Ponte Preta será punida?

A decisão que excluiu a Ponte Preta do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira da Série B é correta.
Nenhum clube deveria receber benefícios custeados pela CBF enquanto mantém salários, encargos trabalhistas e obrigações previdenciárias em atraso por meses.
A própria essência de qualquer política séria de fair play financeiro exige consequências para quem descumpre regras básicas de gestão.
No caso da Macaca, a inadimplência ultrapassou os 60 dias, atingindo atletas, comissão técnica, funcionários, FGTS e INSS, situação que justificou a punição aplicada pela ANRESF.
O problema não está na sanção.
Está na seletividade.
A realidade do futebol brasileiro é que atrasos salariais, parcelamentos eternos, acordos descumpridos, calotes trabalhistas e dívidas tributárias fazem parte do cotidiano de diversos dos principais clubes do país.
Alguns deles disputam títulos, contratam jogadores milionários, aparecem em rede nacional como exemplos de gestão e seguem sem sofrer punições equivalentes.
A Ponte tornou-se o primeiro exemplo prático da aplicação da regra.
Mas, para que o fair play financeiro tenha credibilidade, não pode servir apenas para punir quem está fragilizado econômica e politicamente.
A verdadeira prova de independência da ANRESF e da CBF será aplicar o mesmo rigor quando os investigados forem clubes de massa, com enorme influência política, econômica e midiática.
Não há qualquer argumento plausível para defender que uma equipe da Série B seja excluída de benefícios por atrasar salários enquanto agremiações muito mais poderosas convivem há anos com passivos trabalhistas gigantescos, renegociações sucessivas e compromissos frequentemente descumpridos sem enfrentar consequências proporcionais.
Fair play financeiro só existe quando a regra vale para todos.

