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Matemágicas

Da FOLHA DE SÃO PAULO

Por JOSÉ ROBERTO TORERO

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Entre os times do G5, o São Paulo é o que terá um caminho mais fácil até o fim do Campeonato Brasileiro

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CALCULADOR LEITOR, calculista leitora, este Campeonato Brasileiro é o mais disputado dos últimos anos. Assim, qualquer palpite baseado na intuição se mostra equivocado. Em momentos de tanta dúvida, há que recorrer à física quântica e aos cálculos logarítmicos.

Ou, pelo menos, à velha aritmética.

Assim, vamos ver quem, entre os cinco times que ainda disputam a liderança, terá um caminho mais fácil até o fim do campeonato.

Para isso, recorri ao velho lápis e à impagável borracha, somando os pontos de todos os clubes que enfrentarão os cinco líderes.

Antes de mais nada, descobri que dois clubes irão enfrentar quase todo o G5. Estes desafortunados fiéis da balança são Goiás e Vitória, que jogarão contra quatro dos cinco melhores times do Brasileiro.

O líder Grêmio terá dois confrontos diretos (Palmeiras e Cruzeiro), e seus oponentes somam hoje 340 pontos (média de 45 pontos por time). É o segundo caminho mais difícil até o fim do campeonato. E, lembrando que o clube gaúcho acaba de perder para a Portuguesa, que está apenas com 31 pontos, é de se imaginar que os gremistas ficarão por pouco tempo na ponta da tabela.

O único time que terá pela frente adversários mais duros que os do Grêmio é o Flamengo. Além de topar pela frente com dois rivais diretos pelo título (Cruzeiro e Palmeiras), o Flamengo enfrentará 350 pontos. Não cruzará com nenhum time que hoje esteja na zona de rebaixamento. Ou seja, o irregular Flamengo, que é o mais distante da liderança, ainda terá que enfrentar as mais duras pedras pelo caminho.

O Palmeiras, que alguns dizem que percorrerá o caminho mais fácil, tem, na verdade, o caminho do meio.

É apenas o terceiro mais fácil. Ou o apenas terceiro mais difícil, dependendo se você é otimista ou pessimista. Os palestrinos enfrentarão adversários que somam 338 pontos (incluindo dois inimigos diretos: Grêmio e Flamengo). As palmeiras do Parque Antártica enfrentarão ventos turbulentos.

Os oponentes do Cruzeiro têm apenas 320 pontos. Uma média de 40. Da mesma forma que todos os outros quatro líderes, terá quatro jogos em casa e quatro fora. Como está apenas um ponto atrás do Grêmio, se não for irregular como regularmente o é, tem boas chances de tomar a liderança em breve.

Mas o caminho mais fácil, o que tem asfalto mais plano, com menos desvios, é o do São Paulo. O Tricolor enfrentará só 304 pontos. Bem menos que seus outros quatro contendores. A média dos confrontados pelo time está em 37,5 pontos, ou seja, é mais ou menos como se ele jogasse todas as suas próximas oito partidas contra o Atlético-MG, que tem 37.

Além disso, enquanto todos os outros duelistas têm dois confrontos diretos, o São Paulo não enfrenta ninguém do G5. É, pensando bem, o tri não parece tão distante.

Mas, é claro, para um julgamento matemático preciso, não podemos nos basear só na aritmética. Há que levar em consideração a teoria da relatividade, os quasares, a teoria de Bohm sobre as variáveis escondidas, a teoria do caos, os objetos atirados pela torcida, as contusões, a miopia dos juízes e os buracos no campo.

Ou seja, esqueça o que leu acima e acenda uma vela para seu time.

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14 comentários sobre “Matemágicas

  1. Fábio Barbano

    Bem legal o texto do Toureiro, digo, Torero.

    Mais alguns dados interessantes, sobre quantos pontos cada time enfrentará em casa e fora:

    Grêmio – 158 em casa e 182 fora – média 39.5 em casa e 45.5 fora
    Cruzeiro – 170 em casa e 150 fora – média 42.5 em casa e 37.5 fora
    Palmeiras – 175 em casa e 163 fora – média 43.8 em casa e 40.8 fora
    São Paulo – 155 em casa e 149 fora – média 38.8 em casa e 37.2 fora
    Flamengo – 223 em casa e 127 fora – média 44.6 em casa e 42.3 fora

    Fiz isso para ressaltar que na verdade o Grêmio pode ter um caminho mais difícil que o Flamengo, pois tem confrontos mais duros fora de casa.

    Outro desque é que o Cruzeiro tem mais jogos “fáceis” fora, o que indica que o caminho Cruzeirense pode ser até mais fácil do que se imagina.

    Mas, atentem sempre para um detalhe: nem sempre é mais fácil enfrentar um time com menos pontos. Ainda mais times que estão no desespero, enquanto os intermediários não têm mais grandes pretensões no campeonato. O melhor é enfrentar esses intermediários, do Botafogo ao Sport.

    Eu não consigo apontar favoritismo para qualquer desses 5. Equilíbrio até o fim…

  2. alessandro

    É, a tabela está mais facil, o problema é que o São Paulo já perdeu pontos preciosos empatando jogos fáceis contra times pequenos, vide o ultimo jogo e o contra o IPatinga no Morumbi.. é bom ficar esperto..

  3. DONIZETE

    NÃO EXISTE CAMINHO FÁCIL PRA NINGUEM. CAMPEONATO SERÁ DECIDIDO APÓS O ULTIMO JOGO EM PAR OU IMPAR.

  4. Marco Quintanilha

    Vc diz que o Flamengo não enfrentará nenhum time da zona do rebaixamento. Pergunto : O Atlético Paranaense está lutando pelo título ? Ou vc já rebaixou ele de vez ?

  5. Alviverde/SP

    Estou achando que tudo se decidirá na ÚLTIMA rodada…o Palmeiras terá uma verdadeira DECISÃO contra o Botafogo, eu presumo…
    Até mesmo as vagas para a Libertadores e os que cairão serão decididos na última rodada, pela pequena diferença de pontos tanto na parte de cima da tabela como na de baixo…

  6. Luiz Fernando

    A maior ação de anti-marketing da história

    O São Paulo F.C. é, usualmente, apontado como exemplo de clube atuante no campo do marketing esportivo, assim como de excelência administrativa. O bom trabalho realizado e o reconhecimento daí advindo acabam por produzir um círculo virtuoso que, continuamente, engrandecem a marca do clube.

    O clube foi pioneiro em diversas modalidades de marketing e é dos mais atuantes nessa área. Entretanto, a ânsia de querer aproveitar toda e qualquer oportunidade no sentido de gerar exposição na mídia levou o clube a se envolver em um episódio de conotações absolutamente negativas.

    Trata-se de seqüestro recém ocorrido em Santo André, cujo trágico desfecho provocou tristeza e revolta em todo o país. Quando o patético Lindemberg pendurou uma camisa do São Paulo na janela do apartamento onde manteria reféns por cinco dias a ex-namorada (quase uma menina, com ainda 15 anos) Eloá e sua amiga Nayara, ele estava sendo coerente com o comportamento que manteve até o final do seqüestro.

    De fato, tudo o que aconteceu desde o momento da invasão do apartamento, onde um grupo de adolescentes preparava um trabalho escolar, até o ato covarde e brutal de atirar nas garotas, foi obra de um indivíduo frustrado e impotente, em busca de afirmação perante a sociedade e a si mesmo. Obra de uma pessoa insegura, que havia perdido aquele que era talvez o seu único canal de exercício de poder: o namoro com uma garota bem mais nova, iniciado quando ela tinha apenas 12 anos, e terminado com o natural amadurecimento de Eloá.

    Em sua busca de afirmação, o seqüestrador agrediu os garotos que estavam no apartamento; proferiu frases como “eu sou o cara” e “eu sou o príncipe do gueto”, ao ver a mobilização da polícia e a repercussão na tv; disse: “olha só o que eu vou fazer”, antes de desferir um dos tiros que deu em direção aos policiais; e bateu muito, durante os cinco dias, em Eloá.

    E claro, pendurou uma camisa do seu time na janela. Integrante de uma torcida organizada do São Paulo, o “valente” Lindenberg queria mostrar que estava “tudo dominado”, exibindo a sua insígnia. Exposição ruim para o clube, sem dúvida. Porém, nada de excepcional, tendo em conta as imagens corriqueiras na imprensa da prisão de criminosos, por todo o Brasil, trajando os uniformes de seus times de preferência.

    O episódio não teria, portanto, maiores conseqüências para a imagem do São Paulo, se não fosse o açodamento de seus dirigentes. Ao tomar conhecimento do ato de Lindemberg de pendurar a camisa do clube na janela do apartamento, o presidente Juvenal Juvêncio, de pronto, determinou que o diretor Marco Aurélio Cunha – recém eleito vereador paulistano e sabidamente um amante dos flashes, das câmeras e dos microfones – , acompanhado de dois advogados do clube, fosse ao local interceder e tentar a liberação das garotas.

    Ao chegar a Santo André de helicóptero, cinematograficamente, Marco Aurélio Cunha declarou: “vim contribuir e não ser protagonista”. Sua permanência no local foi, obviamente, proibida pela polícia. O dirigente do São Paulo não perdeu a pose, e declarou: “Conversei com as autoridades que estão cuidando do caso e fica claro que esse menino é normal, bom, mas que passa por um problema que ele quis resolver de uma forma errada. Gostaria de pedir em meu nome e em nome da torcida do São Paulo que primeiro: saiba que todos estão preocupados com a sua segurança, e que ele confie na polícia”.

    Lindemberg, o seqüestrador de Santo André, chamado de “menino bom” por Marco Aurélio Cunha, tem 22 anos. Considerando a sua idade, ele integra, provavelmente, a “geração Telê” de torcedores do São Paulo, pois tinha 7 anos de idade – idade propícia para a consolidação do time de preferência – quando a equipe comandada pelo técnico Telê Santana se sagrou bicampeã da Libertadores, em 1993. Se não houvesse cometido o ato desatinado e covarde que decretou o trágico fim do seqüestro de Santo André, Lindemberg poderia ser visto de forma mais condescendente. Não como um “bom menino” (porque seqüestrou, agrediu e torturou, em meio a fanfarronices), mas como um indivíduo digno de pena, graças a sua mediocridade exacerbada por sua impostura ridícula, querendo parecer “bicho solto”, “malandro” e “sujeito homem”.

    Quando assassinou Eloá, tentou matar Nayara e atirou contra os policiais que invadiram o apartamento em tentativa de resgate, Lindemberg deixou de ser, apenas, um indivíduo patético. A partir dali, ele se tornou também o autor de um crime chocante, que provocou repulsa geral em todo o Brasil.

    Essa pessoa associou sua imagem à do São Paulo F.C., ao hastear a camisa do clube no território por ele ocupado e revelar a paixão clubística que é parte integrante de seu mórbido universo mental. A essa pessoa o São Paulo associou indissoluvelmente a sua imagem, ao adentrar atabalhoadamente o drama que se desenrolava em Santo André, por obra pouco inspirada de seus dirigentes. Formou-se, desse modo, e através de intenso bombardeio midiático, um amálgama no inconsciente coletivo, entre a compaixão inspirada pelo belo e jovem rosto de Eloá, a repulsa pela figura medíocre de Lindemberg e o cenário da tragédia: o apartamento da CDHU identificado pela camisa do São Paulo hasteada na janela.

    Trata-se da maior ação de anti-marketing esportivo da história do Brasil.

  7. Justiceiro

    Há umas duas semanas, observei cuidadosamente os jogos que ainda faltavam e concluí que realmente São Paulo e Cruzeiro têm as tabelas teoricamente mais fáceis. É questão de manter a regularidade, pois Grêmio e Palmeiras têm pedreiras pela frente e a tendência é que percam pontos. O primeiro tem a desvantagem de ter dois confrontos diretos fora de casa. Já o segundo precisa melhorar seu desempenho como visitante se quiser beliscar a taça.

    Maaaaas… teoria é uma coisa e a prática é outra. Esse campeonato deve continuar equilibrado até o fim, é arriscado previr qualquer coisa.

  8. Guillermo

    A torcida continua forte, hein???

    Essa imprensa paulista que só sabe entrevistar criminoso e tratar como “principe do gueto” tá cada vez mais nojenta…

    Seremos campeões apesar da secação…

    DÁ-LHE GRÊMIO!!!

  9. geraldo lina

    Precisamos lembrar ao senhor Paulinho, dono do blog, que nós torcedores e trabalhadores que pagam impostos e suas contas em dia; nós que participamos de eleições e tentamos nos fazer representar da melhor maneira possivel, estamos INDIGNADOS com a demora referente ao processo de apuração e punição dos responsáveis pelo caso do gás na semi-final do campeonato paulista de 2008.
    Mesmo após o JORNAL LANCE ter divulgado que durante as escutas telefônicas no caso da máfia dos ingressos, foram encontradas/criadas provas ( gracações de conversas ) do envolvimento de torcedores e dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras, estranhamente notamos “morosidade” no processo.
    Gentilmente solicitamos ao caro jornalista, que nos informe, cobre, investigue.
    Nós não queremos de forma alguma ter gente desta espécie vestidos de representantes mascarados de pessoas de bem em nosso meio.

    QUE SE INVESTIGUE, QUE JULGUEM E PRINCIPALMENTE QUE PUNAM OS RESPONSÁVEIS.

    NÃO A IMPUNIDADE !!!

  10. Alviverde/SP

    Se REVELOU, hein, seu Lina???
    COPIAR, COLAR, POSTAR, COPIAR, COLAR, POSTAR, COPIAR, COLAR, POSTAR, COPIAR, COLAR, POSTAR, COPIAR, COLAR, POSTAR, COPIAR…
    AD INFINITUM…
    RSRSRSRSRSRSRSRSRS 8) 😛

  11. geraldo lina

    o CONTRA A IMPUNIDADE nao apareceu, e eu nao poderia deixar de lembrar a VERGONHA…

    *** *****

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