CBF acerta ao reduzir estrangeiros, mas deveria ir além

Em raro momento, a CBF acertou ao decidir reduzir gradualmente o número de jogadores estrangeiros permitidos por partida no Campeonato Brasileiro.
O limite, atualmente de nove atletas, cairá para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030.
É um movimento necessário, mas ainda tímido.
O Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (SAFERJ) propõe ampliar a restrição, impedindo estrangeiros também nas categorias de base e nas Séries C e D.
Faz sentido.
Não se trata de ser contra o jogador estrangeiro, muitos deles qualificados e importantes para o nosso futebol.
A discussão é sobre qual modelo interessa ao futebol brasileiro.
Nos últimos anos, abriu-se demasiadamente a porta para importações enquanto diminuía o espaço destinado à formação de jogadores brasileiros.
Em 2022, 95 estrangeiros atuaram na Série A.
Em 2025, foram 162.
Em 2026, até o levantamento apresentado pela CBF, 146 já haviam entrado em campo, além de outros 13 inscritos.
Ao mesmo tempo, segundo estudo da CBF Academy, jogadores brasileiros Sub-23 passaram a receber menos minutos.
A idade média da Série A, que era de 27,3 anos em 2021, chegou a 28,5 em 2026.
Alguma coisa precisava ser feita.
O Brasil não pode aceitar que seus centros de formação sejam transformados apenas em fornecedores de jogadores para o exterior enquanto os clubes, inclusive nas divisões inferiores, ocupam vagas com atletas trazidos de outros países muitas vezes sem diferença técnica que justifique a escolha.

