Deborah Martin seria ‘laranja’ do treinador do Corinthians na OTB Sports? (com documentos)

Empresária que representa o holandês há mais de uma década recebeu 40% da agência que intermediou sua contratação pelo Corinthians e administrou negócios do treinador até no futebol italiano


Nesta segunda-feira (12), o Blog do Paulinho revelou a possibilidade de Clarence Seedorf ser sócio oculto da OTB Sports, agência dos empresários Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb, responsável por intermediar sua contratação pelo Corinthians.

O holandês, apesar de seu desempenho abaixo da crítica como treinador, receberá, segundo informações, salário mensal de R$ 1,8 milhão.

Documentos societários obtidos pelo blog acrescentam novos elementos à investigação, especialmente sobre a americana Deborah Cecelia Martin, representante histórica dos interesses comerciais de Seedorf.

Em 2015, Deborah ingressou no quadro societário da empresa, então denominada ON Think Ball e Sports Consultoria Esportiva Ltda., recebendo 40% de suas quotas.

A participação foi transferida pela MG Corporation, de Marcelo Goldfarb.

O contrato social não esclarece, na cláusula de cessão, quanto a empresária pagou pelas quotas.

Em dezembro de 2017, Deborah transferiu metade de sua participação à MB Serviços Digitais e Consultoria Esportiva, ligada a Bruno Paiva, permanecendo com 20% da empresa.

Posteriormente, em 2018, uma alteração contratual passou a permitir expressamente a distribuição de lucros em proporções diferentes das participações societárias.

Mas quem é Deborah Martin e qual a verdadeira extensão de sua relação econômica com Seedorf?

A ligação entre ambos é antiga e ultrapassa significativamente a simples representação esportiva.

Em maio de 2012, reportagem do ge identificava Deborah como presidente da DMMilan Group, organização responsável por administrar negócios de Seedorf fora dos gramados.


Confira: 

Com Brasil nos planos de Seedorf, empresa parceira projeta mais ações | globoesporte.com


A empresa mantinha atividades e relacionamentos internacionais, com atuação em cidades como Milão, Nova York e Los Angeles.

Na ocasião, Deborah falava publicamente sobre projetos comerciais do holandês, oportunidades de patrocínio e possibilidades de exploração do mercado brasileiro.

Seedorf também estava associado à ON Management, dedicada ao gerenciamento de carreiras esportivas, e à ON Champions, iniciativa mencionada pela própria Deborah como parte do trabalho conjunto entre eles.

A extensão das participações societárias nessas estruturas ainda não foi esclarecida.

Meses depois, Deborah conduziu as negociações que levaram Seedorf ao Botafogo.

Segundo reportagem publicada pelo UOL em julho de 2012, uma exigência de última hora da empresária relacionada aos percentuais de direitos de imagem do jogador quase inviabilizou a transferência.

O negócio somente foi concluído após novas conversas e concessões das partes.


Relembre:

https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2012/07/03/negociacao-entre-botafogo-e-seedorf-tem-surpresa-confusoes-e-sonho-realizado.htm


Em janeiro de 2014, Deborah continuava à frente dos interesses do holandês.

Foi ela quem participou das negociações para sua saída do Botafogo, quando Seedorf encerrou a carreira de jogador para assumir o comando técnico do Milan.

A empresária também esteve presente na entrevista coletiva de despedida.

Naquele mesmo mês, reportagem do UOL revelou que dirigentes do Botafogo atribuíam a Deborah dificuldades para desenvolver ações comerciais envolvendo a imagem de Seedorf.

Projetos de marketing, produtos especiais e outras iniciativas dependiam de negociações com os representantes do atleta.

Segundo a publicação, algumas propostas acabaram rejeitadas pelo jogador e sua equipe.

O episódio demonstra o grau de influência de Deborah sobre a administração dos interesses econômicos do holandês.

A relação entre os dois chegou também à administração de clubes de futebol.

Em fevereiro de 2013, o jornal italiano Il Cittadino di Monza e Brianza identificou Deborah como representante com amplos poderes de Seedorf no Monza, clube então controlado pelo ex-jogador.


Confira:

Deborah Martin torna al BrianteoStipendi pagati, smentisce cordate – Il Cittadino di Monza e Brianza


A empresária participou de articulações relacionadas à situação financeira e societária da agremiação, incluindo negociações com potenciais investidores.

O Monza atravessou sucessivas crises administrativas e acabou falindo em 2015, depois do período em que esteve sob controle do holandês.

Mas sua atuação naquele episódio demonstra que a empresária exercia funções que ultrapassavam o agenciamento de atletas, alcançando também negócios societários.

É nesse contexto que sua entrada no capital da OTB Sports, em 2015, ganha relevância.

Três anos depois de negociar a chegada de Seedorf ao Botafogo, Deborah recebeu 40% de uma agência que também representava os interesses do holandês.

A relação comercial continuou mesmo depois da reorganização societária da empresa.

Em abril de 2022, o ge publicou reportagem sobre o Project SAM, iniciativa de integração cultural por meio do futebol idealizada por Deborah.

Seedorf integrava o projeto como diretor esportivo.


Leia aqui:

https://ge.globo.com/futebol/times/botafogo/noticia/2022/04/01/agente-que-levou-seedorf-ao-botafogo-deseja-trazer-ao-brasil-projeto-de-diversidade-cultural-atraves-do-futebol.ghtml


Na mesma entrevista, a empresária confirmou que continuava conduzindo a disputa judicial do ex-jogador com o Botafogo, relacionada a obrigações financeiras de sua passagem pelo clube.

Ou seja: pelo menos uma década depois da contratação no Brasil, Deborah permanecia vinculada à gestão de interesses econômicos e projetos do holandês.

Nesse contexto, a empresária poderia atuar como ‘laranja’ numa eventual participação indireta do treinador na agência?

Difícil duvidar.

A OTB não é uma agência qualquer no contexto do Corinthians.

Em 2018, seus empresários foram envolvidos numa controvérsia com o Athletico-PR, justamente pela tentativa de levar Seedorf ao clube paranaense.

Na ocasião, Mario Celso Petraglia acusou Bruno Paiva de exigir comissão exorbitante pela intermediação, inviabilizando a negociação.

A agência contestou publicamente as acusações.

Oito anos depois, levou o holandês ao Corinthians.

Além disso, a OTB mantém relações comerciais com jogadores do elenco alvinegro, entre eles André Carrillo e Kayke, e já representou Hugo Souza em negociações recentes.

Seus empresários também participaram de articulações relacionadas à possível transformação do Corinthians em SAF, com investidores liderados por Marcelo Goldfarb.

São muitas as evidências de que Seedorf seria sócio oculto da OTB, com suas quotas na empresa registradas em nome de sua mais fiel colaboradora.

É pouco provável que os dirigentes do Corinthians tenham sido pegos de surpresa por uma situação amplamente conhecida no submundo do futebol.

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