A rua muda o jogo

Por ROQUE CITADINI
As grandes manifestações deste final de semana mudaram a campanha eleitoral.
E todas se deram no campo da campanha do presidente Lula.
O evento na Avenida Paulista foi o maior da história.
Da Praça Oswaldo Cruz até a Avenida Consolação foi um mar de gente, especialmente muitos jovens com cantos e bandeiras, e tudo sem ônibus ou metrô de graça.
O que o Rio fez no dia de ontem deu o ritmo da mudança geral da campanha, com a entrada do povo como principal agente.
Mas não só São Paulo e Rio marcaram novo ritmo, pois em todos os cantos, em cidades grandes como Campinas, Recife, Natal e outras menores, tudo com atos significativos, alguns sem candidatos ou políticos de cargos relevantes.
O crescimento das manifestações de rua levou a uma mudança na guerra da internet, onde o bolsonarismo dominava.
As tímidas motociatas do candidato Flávio Bolsonaro pouca repercussão geraram, a não ser pela presença de líderes famosos de milícias.
Todo o esforço do bolsonarismo para manchar as manifestações, especialmente a de São Paulo, foi inventar depredações e tumultos que não houve.
Mesmo recorrendo a fake news e IA, não acharam uma porta ou um banco quebrado, nem uma janela de vidro ou um semáforo danificado.
O máximo foi retirar cartazes colocados, faixas e bandeiras deixadas.
Tudo numa manifestação de mais de um milhão de pessoas, onde a calma foi predominante, mesmo quando o metrô, por excesso de público e de acordo com seu protocolo, fechou as estações mais lotadas.
O esforço do bolsonarismo para ver vandalismo onde não houve teve de fakes até imagens de IA mostrando trabalhadores limpando pichações antigas da Avenida.
Tristemente para as instituições públicas, até o governador entrou numa campanha para mostrar o que não houve, e tiveram que buscar imagens de concentrações no Chile e na Espanha.
Pior do que o esforço de falsificação do bolsonarismo, o que não surpreende, já que vivem disso, foi a cobertura da mídia corporativa.
O triste, sem dúvida, foi o Estadão, que além de esconder imagens das manifestações, divulgou notórias falsidades trazidas pelo bolsonarismo.
As TVs ficaram no mínimo possível, com imagens neutras e fechadas.
A cobertura da mídia desta campanha supera em falsidades e mentiras a campanha de Collor do século passado.
Além de cobrir de forma tímida os atos da campanha de Lula, esconde as novas e graves denúncias contra Flávio Bolsonaro, como a conta conjunta com Willer Tomás, operador chefe do escândalo do INSS, no Banco Santander da Ilha da Madeira.
Escondem até o roubo da casa/ilha do jogador Richarlyson, onde estão envolvidos a mesma dupla Bolsonaro/Willer.
Após a última tentativa da Veja de falsear o caso Vorcaro, a mídia procura esquecer o Banco Master.
E não é por bons motivos.
Mesmo com a imprensa neste mar de fakes, a campanha mudou com a chegada do povo nas ruas e praças.
E isso muda tudo.

Texto publicado originalmente nas redes sociais de Roque Citadini

