Santos está sendo entregue a prestações para Neymar

O Santos ainda não foi formalmente transformado em SAF, mas, na prática, está sendo entregue aos poucos à família Neymar.
Não por meio da compra declarada de ações, e sim pela acumulação de créditos, garantias patrimoniais, participação em receitas comerciais e influência crescente nas decisões do futebol.
A NR Sports deixou de ser apenas a empresa responsável pela imagem do jogador.
Hoje, é credora, financiadora, parceira comercial e personagem relevante nas contratações do clube.
O exemplo mais evidente é a dívida de R$ 90,5 milhões reconhecida pelo Santos em favor da empresa da família Neymar.
Em julho, pouco mais de R$ 11 milhões foram amortizados com recursos provenientes da venda de Luca Meirelles ao Shakhtar Donetsk.
Restaram aproximadamente R$ 80 milhões.
O novo acordo prevê pagamentos mensais de R$ 1 milhão, que podem se estender por 80 meses — até meados de 2033.
Neymar tem contrato com o Santos somente até dezembro deste ano.
Ou seja, poderá deixar a Vila Belmiro enquanto o clube continuará pagando à empresa de sua família durante quase sete anos.
Enquanto o vínculo estiver em vigor, o Santos repassa aproximadamente mais R$ 1 milhão por mês à NR Sports pelos atuais direitos de imagem do jogador, além do salário registrado em carteira, que não é pequeno.
A renegociação está sendo apresentada como alívio financeiro, mas revela, antes de tudo, que o Santos não conseguiu cumprir o cronograma anteriormente assinado.
No acordo anterior, R$ 26 milhões deveriam ter sido pagos em cinco parcelas de R$ 5,2 milhões entre janeiro e maio deste ano.
Não foram.
O novo negócio preserva o CT Meninos da Vila, principal patrimônio das categorias de base, como possível garantia real da dívida.
Como se não bastasse, a NR Sports acaba de avançar também sobre as receitas publicitárias do uniforme.
O Santos precisava de R$ 12 milhões para quitar a dívida com o Monaco pela contratação de Jean Lucas e derrubar o transfer ban imposto pela Fifa.
Sem dinheiro, recorreu novamente à empresa da família Neymar.
A NR Sports pagou a quantia à vista.
Em troca, recebeu o direito de explorar comercialmente seis propriedades do uniforme santista:
- meião;
- parte frontal do calção;
- parte posterior do calção;
- número da camisa;
- scudetto externo, no centro do peito;
- barra traseira da camisa.
Neymar terá prioridade para recuperar integralmente os R$ 12 milhões aportados.
Somente depois disso o valor excedente será dividido com o Santos.
O clube estima, num cenário otimista, que esses espaços poderiam render entre R$ 18 milhões e R$ 20 milhões.
Isso significa que, depois da restituição dos R$ 12 milhões à família Neymar, restariam de R$ 6 milhões a R$ 8 milhões para divisão.
O chamado “efeito Neymar”, porém, perdeu força e o clube sofreu recentemente com as saídas de Pley by Ney, EQR, Nissei, Álamo e Corpx, perdas estimadas em aproximadamente R$ 20 milhões anuais.
O Santos não conseguiu aproveitar comercialmente Neymar, endividou-se para remunerá-lo e, depois, recorreu à própria família do atleta para tentar recuperar as receitas que perdeu.

