Detalhes assustadores (e suspeitos) sobre a suspensão da Assembleia do Corinthians

Os desembargadores Ademir de Carvalho Benedito e Guilherme Gonçalves Strenger, unidos ao confesso negociador de sentenças Alexandre Husni, conseguiram, mais uma vez, impedir que os associados do Corinthians fossem às urnas para decidir o futuro do Estatuto do clube.
O trio, por meio do advogado João de Oliveira, ligado à Renovação e Transparência, vem recorrendo à Justiça desde junho para impedir a realização da Assembleia.
Nesta sexta-feira (18), após outras tentativas e depois de uma decisão de primeira instância que havia reconhecido a validade do procedimento conduzido pelo Conselho, conseguiram novamente paralisar a votação.
Ademir Benedito e Guilherme Strenger foram desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo e ocuparam posições relevantes na cúpula da Corte.
Strenger chegou à vice-presidência do TJ-SP.
Ademir também foi vice-presidente do Tribunal e integrou, durante anos, o Órgão Especial.
O Blog do Paulinho realizou buscas sobre eventuais relações entre o desembargador Maurício Campos da Silva Velho, responsável pela decisão, os autores da ação e integrantes da 4ª Câmara, da qual o magistrado faz parte.
Encontramos dados interessantes.
Quando Maurício Campos da Silva Velho tomou posse solenemente como desembargador do TJ-SP, em setembro de 2024, Ademir Benedito estava entre os convidados.
Outros integrantes da Câmara também mantiveram convivência institucional próxima com o magistrado alvinegro.
O desembargador Alcides Leopoldo e Silva Júnior integrou, ao lado de Ademir Benedito, a direção da Escola Paulista da Magistratura no biênio 2022/2023, ambos representando a Seção de Direito Privado.
A desembargadora Márcia Regina Dalla Déa Barone, também ligada à 4ª Câmara, conviveu durante anos no Órgão Especial justamente com Ademir e Strenger.
Há julgamentos oficiais do TJ-SP em que os três aparecem simultaneamente na composição do colegiado.
Em 2022, por exemplo, Strenger ocupava a vice-presidência do Tribunal, enquanto Ademir e Márcia integravam o Órgão Especial.
Em meio a todas essas coincidências, chama atenção a omissão da gestão do Corinthians.
Citado para se defender no processo, o clube não se manifestou.
Não apresentou resistência judicial justamente numa ação capaz de impedir seus próprios associados de votar mudanças relevantes no Estatuto.
Enquanto os interesses daqueles que desejam preservar privilégios no Parque São Jorge seguem protegidos, o Corinthians — principal vítima desse sistema — agoniza num ambiente marcado por práticas antidemocráticas e pela perpetuação de estruturas que ajudaram a produzir boa parte das desgraças vividas pela agremiação nos últimos anos.

