Santos transforma redes sociais em instrumento de controle político

Reportagem do Blog Soul Santista, assinada por Henrique Farinha e Rodolfo Gomes (do Futeboteco), revelou documentos e episódios que levantam questionamentos sobre o uso, pela gestão de Marcelo Teixeira, do monitoramento das redes sociais do Santos.
Segundo a apuração, o clube mantém contratos com empresas de comunicação que, entre outras atribuições, acompanham o que é publicado nas redes e produzem análises sobre o ambiente digital.
Uma delas é a End To End, contratada até dezembro de 2026.
O acordo prevê, além de trabalhos de comunicação, aconselhamento em crises de imagem e relatórios mensais com análises de sentimento, riscos e oportunidades.
A contratação da empresa já havia sido revelada, em abril, pelo Diário do Peixe, também em reportagem de Henrique Farinha e Rodolfo Gomes.
O veículo mostrou ainda que o serviço abrangia a gestão da imagem institucional do próprio presidente Marcelo Teixeira.
Outra empresa citada pelo Blog Soul Santista é a Press FC, contratada por R$ 30 mil mensais.
O proprietário é Fernando Mello, que trabalha também na campanha eleitoral do Corinthians, assessorando o enrolado candidato Sergio Janikian, tendo, no passado, prestado serviço também à MSI, de Kia Joorabchian.
Especialista em política de clube, entre outros assuntos.
Entre as atividades previstas no contrato está a identificação de profissionais considerados predispostos a realizar ataques contra a instituição.
O clube também contratou, em março, o escritório do advogado criminalista Octavio Rolim, por R$ 60 mil no período contratual.
De acordo com os jornalistas, somados os prestadores envolvidos nesse conjunto de serviços, o Santos desembolsa R$ 80,4 mil mensais.
Com base em informação divulgada pelo jornalista Lucas Musetti, cinco funcionários do Santos foram demitidos e o jovem Yekominan Coulibaly, das categorias de base, sofreu punição interna.
Todos teriam curtido uma publicação nas redes sociais de José Renato Quaresma, ex-integrante da gestão e atualmente candidato de oposição à presidência do Santos.
A reportagem também relata notificações extrajudiciais contra jornalistas e produtores de conteúdo críticos à administração.
Farinha e Gomes afirmam, inclusive, já terem sido alvo desse tipo de iniciativa.
Também são mencionados episódios envolvendo o jornalista Alexandre Praetzel, que relatou ter recebido ligação do presidente Marcelo Teixeira, e o oposicionista Ivan Luduvice.
O Santos terá eleição presidencial em dezembro.
Monitorar redes sociais para entender a percepção dos torcedores é prática habitual de comunicação.
Outra coisa, completamente diferente, é utilizar informações obtidas nesse acompanhamento para perseguir funcionários, constranger jornalistas ou intimidar adversários políticos.
Se não é crime, parece.
A cartolagem do Santos faz das tripas coração para se manter no poder e dar continuidade ao evidente projeto de favorecimento aos seus, ainda que ao custo da destruição da agremiação.

