Associados tratam impeachment como “golpe” e pedem renúncia geral (diretoria e conselheiros eleitos) no Corinthians

renovacao-e-transparencia

“(…) mudar para que nada seja alterado”

(frase (e pensamento) marcante do clássico filme Il gattopardo, de Luchino Visconti)

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Ontem, conforme antecipado pelo Blog do Paulinho, grupo de conselheiros e associados do Corinthians, liderados pelo “171 do Vale do Paraíba” (que teve assinatura escondida na segunda página) e pelo advogado do comentarista Neto, com adesão também do oposicionista Osmar Stabile (ligado a um dos propositores) protocolou pedido de impeachment do presidente do Corinthians, Roberto “da Nova” Andrade, acusando-o de gestão temerária.

Os acontecimentos revelados pela imprensa, nos últimos dias, que implicaram o mandatário alvinegro em desvios de conduta no âmbito da gestão do estádio em Itaquera serviram de fundamentação para o movimento.

Há, porém, no Corinthians, quem defenda não apenas a queda de Roberto, mas de todos os que com ele foram eleitos, desde os vice-presidentes, André Negão e Jorge Kalil, até os 200 conselheiros trienais, todos abonadores das condutas do presidente alvinegro (inclusive no período em que é acusado de cometer ato de falsidade ideológica).

Em exemplo, apesar de Osmar Stabile, um dos líderes oposicionistas, ter assinado o manifesto, boa parte de seu grupo se recusou a fazê-lo, e partilham da ideia de que o referido levante seria uma espécie de “golpe” de dentro para fora, com ratos abandonando um navio antes do naufrágio, não sem antes expor publicamente, como se não tivessem participado da gestão, a cabeça do “comandante”.

Destacamos três postagens de facebook de correligionários que Stabile não conseguiu convencer:

O primeira, de Gilson Ricardo:

“ELEIÇÕES NO S.C.C.P. para Conselheiros Trienais e Diretoria Executiva será em FEVEREIRO de 2018, qualquer movimentação diferente para que esse processo seja antecipado é nítido e explicito como um movimento GOLPISTA, OPORTUNISTA E RASTEIRO, segue o jogo…”

Outra, de Wanderley Ferreira:

“Conselheiros da situação, que estão querendo aplicar um golpe, foram eleitos juntos por uma mesma chapa tem mais é que ajudar o “da Nova” a sair do buraco ou afundam junto… qualquer coisa diferente e golpe”.

Também, Marcos Ribeiro Caldeirinha:

“(…) hoje no Corinthians, não cabe mais aproveitadores de plantão, vivemos isso há 9 anos, não podemos deixar acontecer de novo.”

A proposta, que agrada a muitos, de renúncia geral, por razões óbvias desagrada boa parte dos signatários do impeachment, muitos deles conselheiros eleitos no último pleito, inseridos no contexto daqueles que, após quase uma década de poder, descobriram “somente agora” que os gestores do clube tratavam-se de possíveis corruptos.

Acredita-se que, se confirmado o afastamento do Presidente, os dissidentes da gestão aproveitariam-se de que o próximo pleito seria por via indireta (votação em Conselho – do qual formam maioria) para tomar para si o comando do clube.

Em tese, se o objetivo é “para o bem do Corinthians”, como proposto, e não de um grupo dissidente (que se aliou ao 171 do Vale do Paraíba), até para manter a coerência, levando-se em consideração que a gestão “Renovação e Transparência”, apesar de ter Roberto Andrade na presidência, sempre foi um feudo de Andres Sanches, com suporte incondicional (sob cabresto) dos conselheiros eleitos (inclusive os que assinam a proposição), todos devem sair, não apenas o “Bode Expiatório”, evitando assim que instaure-se o sistema “gattopardista”, ou seja, “mudar para que nada seja alterado”.

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