Defesa ambiental em perigo

Da FOLHA
EDITORIAL
- Com 26 mortos em 2025, Brasil fica em segundo lugar em ranking global de assassinatos de ativistas
- Violência contra ambientalistas está relacionada ao crime organizado; país que sediou a COP30 tem o dever de reduzir esse indicador
Dados recentes mostram como é perigoso defender o meio ambiente no país que, em 2025, sediou a conferência do clima da Organização das Nações Unidas (COP 30) no coração da amazônia, em Belém.
No ranking da ONG britânica Global Witness, divulgado na quarta (16), o Brasil está na segunda posição em número de ativistas ambientais assassinados em 2025, com 26 mortos, atrás da Colômbia, que tem 39 casos.
Trata-se de alta relevante em relação a 2024, quando ficamos em 4º lugar (12 homicídios), que faz com que o país retorne à segunda posição verificada no ranking de 2023 (25 mortos). O Brasil teve 36 mortes no início da série histórica, em 2012, e atingiu o pico em 2017 (57); desde 2018, o número funesto ronda a casa de 20 mortes —exceto em 2024, quando foi o menor da série.
As disputas fundiárias representam quase a totalidade das motivações dos assassinatos — 7 ligados a territórios indígenas e 14 a agricultores familiares. A metade dos crimes ocorreu em Rondônia e no Pará.
A Global Witness aponta que a violência na Colômbia está relacionada ao tráfico de drogas e detecta suspeitas de envolvimento do crime organizado em casos brasileiros. Com 105 homicídios num total global de 124, a América Latina continua a ser a região mais perigosa para quem luta pelo meio ambiente.
Segundo o relatório, as principais ameaças no mundo a ativistas ambientais são disputas por terras (mais da metade dos casos), seguidas por conflitos relacionados à mineração, extração de madeira e agronegócio.
Na amazônia, o garimpo tem buscado novas rotas para burlar a fiscalização, aproveitando-se da fragilidade estatal em proteger indígenas e ambientalistas.
A região também sofre com aumento da violência, impulsionada pela expansão das facções, que nos últimos anos têm diversificado seus negócios com atuação em mineração e mercado de madeira ilegais, impactando o desmatamento e as disputas por terra.
Segundo a edição mais recente de Cartografias da Violência na Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 8.047 casos de mortes violentas intencionais na Amazônia Legal em 2024, o que representa taxa de 27,3 por 100 mil habitantes, 31% acima da média nacional no período (20,8).
O país que sediou a COP30 e coloca a defesa do meio ambiente como pilar de sua política externa tem o dever de fortalecer mecanismos efetivos de proteção a defensores do meio ambiente para que seja levado a sério.

