As mentiras de Cuca e Neymar

O Santos, lutando novamente para fugir do rebaixamento no Brasileirão, enfrenta ainda um ambiente toxico em que seu treinador e o principal jogador do elenco desmentem-se a cada pronunciamento.
Neymar treinou normalmente, foi relacionado para enfrentar o Palmeiras, mas sequer viajou com a delegação.
Depois da derrota por 3 a 0, Cuca assumiu a responsabilidade pela ausência e citou controle de carga, desgaste, gramado sintético, risco de lesão e os dois cartões amarelos do jogador.
Neymar, pelas redes sociais, afirmou que estava disponível e transferiu a decisão para a comissão técnica.
Nos bastidores, porém, circulou a informação de que Cuca tentou convencê-lo a jogar, mas encontrou resistência.
Se essa versão for verdadeira, o treinador mentiu para proteger Neymar.
Se a decisão foi realmente de Cuca, ele cometeu um erro esportivo grave ao abrir mão do jogador numa partida eliminatória.
A falta de transparência não é novidade para os envolvidos.
Em maio, o Santos tratou um problema de Neymar na panturrilha como pequeno edema e garantiu que ele seria entregue em condições à Seleção.
Posteriormente, exames da CBF apontaram lesão de grau 2.
No início de carreira, o atleta jogou uma final de mundial de clubes vendido ao adversário.
Cuca possui problema de credibilidade ainda mais grave.
Em 1987, após deixar a prisão na Suíça no caso do estupro de uma menina de 13 anos, disse que todos os envolvidos deveriam “pagar”.
Décadas depois, passou a afirmar que nunca manteve contato físico com a vítima.
Somente com o processo prescrito admitiu o erro.
Essa rede de mentiras — ou, no mínimo, de meias verdades — atinge diretamente o futebol.
O treinador perde autoridade, os demais jogadores percebem que as regras não são iguais e o planejamento passa a depender das vontades e objetivos pessoais do atleta que se sente dono da agremiação.

