Os covardes, os idiotas e Memphis Depay

No desespero político da época, em meio aos efeitos do caso “Vai de Bet” e à proximidade da zona de rebaixamento do Brasileirão, os cartolas do Corinthians — entre corruptos, omissos e cúmplices — decidiram contratar um ex-jogador em atividade que, pouco antes, havia sido dispensado pelo Atlético de Madrid pelas mesmas razões que o fizeram fracassar ontem na Arena de Itaquera.
Memphis Depay.
Não contentes, concederam-lhe salários e premiações compatíveis com o auge de um supercraque que o holandês nunca foi.
Voltando às razões do fracasso, Memphis é um especialista em comportamento midiático.
Ao mesmo tempo em que se diverte na noite paulistana — como fazia na europeia —, publica na internet vídeos de treinamentos privados, que não se sabe se são verdadeiros ou encenados — porque é nítido o acúmulo de gordura em seu abdômen —, além de críticas a cartolas, seus superiores, porque sabe bem com quem lida e o quanto essa gente é odiada pelos torcedores.
Um espertalhão.
Há muitos anos não joga futebol no mesmo nível em que é remunerado.
No Brasil, em meio ao deserto de mediocridade em que se transformaram nossos campeonatos, quando ainda possuía um único objetivo esportivo — disputar sua derradeira Copa do Mundo —, alternava o que lhe restava de boa técnica e gás com momentos de preguiça dentro de campo.
O lampejo de subir na bola diante do Palmeiras, em meio à disputa de um título irrelevante, alçou-o, entre os estúpidos, à condição de ídolo.
Sim, porque o torcedor fanático, em regra, é um potencial idiota.
Superdimensiona os medianos, exalta momentos desimportantes, acredita no repentino amor à camisa de quem chegou ontem ao clube, assim como chorava com o discurso de “segunda pele” de outro esperto que, ao menos, jogava futebol nos anos 2000.
Gente que, sob pressão, quando está no estádio, pode empurrar o Corinthians ao impossível, mas que, fora dele, normalmente ajuda a afundá-lo.
Foi o que ocorreu novamente.
Os idiotas vibraram com uma contratação que, ainda que fosse de um jogador no auge — e não era —, representava grave erro que, como todos sabem, afundou ainda mais o clube em dívidas.
Depois, pressionaram o novo Presidente, acovardado, a renovar o contrato com o atleta.
O momento era ainda pior do que o do primeiro acordo.
Se antes Memphis tinha a motivação do Mundial, agora, após passagem discretíssima pelo torneio e com a certeza de que dificilmente voltará a ser convocado, não está nem aí para o futebol.
Somente decidiu permanecer no Corinthians porque não recebeu propostas concretas na janela de transferências.
Sem rendimentos, porque o vínculo estava encerrado, aceitou reduzir o que era exorbitante para valores ainda muito acima do que seu desempenho mereceria embolsar.
Deu no que deu.
Os que não podem ser estúpidos e precisam, pela enorme responsabilidade que possuem, administrar a UTI de um Corinthians que sobrevive por aparelhos, por covardia e conveniência política, aceitaram uma pressão com a qual sequer concordavam e trataram de envenenar ainda mais o paciente.
Depay é apenas mais um sintoma.
Os grandes culpados pela desgraça alvinegra são os que mantêm o clube doente porque precisam que as coisas permaneçam como estão para lucrarem com a gestão do hospital.
Incluindo, neste caso, também os torcedores profissionais.
Os que deram aval à loucura da contratação — e também da renovação — do atleta/rapper holandês deveriam ser escorraçados do Parque São Jorge, não pelo erro do jogador em uma partida decisiva, mas por terem, por razões políticas e pessoais, obrigado o Corinthians a assumir responsabilidades impossíveis de suportar.

No vídeo abaixo, torcedor cobra Vinicius Cascone, um dos responsáveis pela contratação de Memphis Depay, logo após a eliminação do Corinthians da Copa Libertadores

