John Textor é condenado a indenizar o árbitro Rafael Traci

A Justiça do Paraná condenou John Textor, dono da SAF do Botafogo, por acusações feitas contra o árbitro de vídeo Rafael Traci após a partida entre Botafogo e Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro de 2023.
Textor publicou vídeos em seu perfil no Instagram nos quais atribuiu a Traci manipulação das imagens exibidas ao árbitro de campo durante o lance que terminou com a expulsão de um jogador do Botafogo.
Para a juíza Bruna Richa Cavalcanti de Albuquerque, da 4ª Vara Cível de Curitiba, as manifestações ultrapassaram os limites da crítica esportiva e imputaram ao árbitro uma fraude sem respaldo probatório suficiente.
A magistrada considerou que o relatório produzido pela empresa Good Game!, utilizado por Textor para fundamentar suas acusações, era um estudo particular, sem chancela dos órgãos oficiais do futebol.
Também pesou na decisão o depoimento do árbitro Braulio da Silva Machado, responsável pela partida, que afirmou que Traci apresentou os melhores ângulos disponíveis para análise do lance e que a decisão de expulsão foi tomada pelo próprio árbitro de campo.
A sentença determinou que Textor retire, em até cinco dias após ser intimado, duas publicações feitas no Instagram. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 50 mil.
No dispositivo da decisão, Textor também foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais a Rafael Traci.
A Justiça rejeitou ainda o pedido do árbitro para impedir previamente que Textor voltasse a citar seu nome.
Segundo a magistrada, uma proibição genérica dessa natureza configuraria censura prévia, sem prejuízo de eventual responsabilização caso novas manifestações ultrapassem os limites legais.
Textor foi condenado também a arcar com 80% das custas processuais e a pagar honorários de 15% sobre o valor atualizado da condenação aos advogados do árbitro.
Traci responderá pelos 20% restantes das despesas e por honorários referentes ao pedido de proibição de futuras menções, que foi rejeitado.

