STJ nega segredo de Justiça a Neymar em ação ligada ao caso DIS

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão, negou pedido de Neymar para que tramitasse em segredo de Justiça a ação em que o jogador tenta homologar no Brasil uma sentença proferida pela Justiça espanhola.

Segundo o magistrado, não estão presentes as hipóteses previstas no artigo 189 do Código de Processo Civil.

Salomão destacou ainda que a defesa de Neymar formulou um pedido genérico e não apresentou fundamento concreto, jurídico ou fático, que justificasse impedir o acesso público ao processo.

Há, porém, outro ponto que chamou a atenção do STJ.

Na petição inicial, a defesa do jogador informou que a DIS ajuizou no Brasil uma ação indenizatória contra Neymar relacionada aos mesmos fatos analisados pela Justiça espanhola.

Por isso, Salomão determinou que o jogador apresente, no prazo de um mês, cópia integral desse processo e informações atualizadas sobre sua tramitação.

Somente depois disso o STJ deverá avançar na análise do pedido de homologação.

A disputa tem origem na transferência de Neymar do Santos para o Barcelona, em 2013.

Na época, a DIS detinha 40% dos direitos econômicos do jogador.

O valor formal atribuído à negociação entre Santos e Barcelona foi de € 17,1 milhões, dos quais a DIS recebeu € 6,84 milhões.

Posteriormente, porém, vieram a público outros pagamentos relacionados à contratação, inclusive valores destinados à empresa da família de Neymar.

A DIS sustentou que a operação teria sido estruturada por meio de diferentes contratos para reduzir artificialmente o valor da transferência e, consequentemente, diminuir a quantia que lhe caberia.

O caso foi levado à Justiça espanhola.

Em dezembro de 2022, a Audiência Provincial de Barcelona absolveu Neymar e os demais acusados, ao concluir que não havia sido comprovada a existência de contratos simulados nem intenção de prejudicar a DIS.

A empresa recorreu.

Em abril de 2026, o Tribunal Supremo da Espanha confirmou a absolvição.

É essa decisão que Neymar agora pretende fazer valer também no Brasil, onde permanece em andamento uma ação indenizatória da DIS relacionada aos mesmos acontecimentos.

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