Sentença expõe ligação da Esportes da Sorte com o jogo do bicho

Sentença da 2ª Vara do Trabalho do Recife, aparentemente restrita ao reconhecimento do vínculo empregatício de um operador de apostas, revelou fatos muito mais graves do que uma simples irregularidade trabalhista.

O processo demonstrou que apostas esportivas da Esportes da Sorte eram comercializadas dentro da banca de jogo do bicho “O Caminho da Sorte”.

Os clientes eram atendidos pelos mesmos trabalhadores.

Foi nesse ambiente que José Edson de Souza Filho trabalhou entre janeiro de 2019 e dezembro de 2023.

Conversas de WhatsApp, bilhetes, comprovantes de pagamentos e telas do sistema demonstraram que ele possuía login individual, vendia apostas em partidas de futebol, imprimia bilhetes, pagava prêmios, prestava contas diariamente e recebia ordens de superiores.

Paralelamente, também eram realizadas apostas no jogo do bicho.

A própria formação do processo expôs a dificuldade de identificar quem, juridicamente, respondia pela Esportes da Sorte.

O trabalhador sabia para qual marca prestava serviços, mas não conseguia determinar qual CNPJ era responsável pela operação.

Somente após pesquisas realizadas com ferramentas do Poder Judiciário foi possível localizar a Esportes Gaming Brasil Ltda., atual operadora da plataforma.

A sentença também menciona a utilização anterior da empresa HSF Gaming N.V., registrada em Curaçao, embora a operação estivesse materialmente concentrada no Recife.

Além disso, a Justiça concluiu que a Sports Entretenimento e Promoção de Eventos Esportivos e a Esportes Gaming Brasil atuam de forma integrada, sob a administração de Darwin Henrique da Silva Filho, no mesmo edifício e explorando, sucessivamente, a mesma marca.

As duas empresas foram reconhecidas como integrantes de um grupo econômico e condenadas solidariamente ao pagamento das verbas trabalhistas.

Essas descobertas coincidem com elementos anteriormente apontados pela Polícia Civil de Pernambuco durante a Operação Integration.

No decorrer da investigação, foram encontrados canhotos de apostas com as marcas Caminho da Sorte e Esportes da Sorte, além de registros contábeis de estabelecimentos nos quais eram comercializadas, simultaneamente, apostas esportivas e do jogo do bicho.

A Polícia Civil classificou como “umbilical” a relação encontrada entre as duas modalidades e suspeitou que recursos provenientes da contravenção fossem misturados ao dinheiro movimentado pelas apostas esportivas.

O relatório apontou que essa movimentação estaria sendo lavada por intermédio de patrocínios, imóveis, veículos de luxo e outras empresas ligadas aos investigados.

Em julho de 2024, o Corinthians assinou com a Esportes da Sorte um contrato de três anos.

Em fevereiro de 2026, mesmo após todas as revelações da Operação Integration, a parceria foi renovada até o fim de 2029.

O clube verificou a origem dos recursos?

Solicitou parecer independente sobre os riscos criminais, financeiros e reputacionais?

Seja por desespero financeiro ou esperteza da cartolagem, o Corinthians — que deveria ser patrocinado pelas maiores marcas do planeta — vive, há anos, metido em rolos com empresas de pouca credibilidade, para não dizer sob suspeitas criminais.

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