Conselho do São Paulo derrota a transparência

Por articulação da gestão Harry Massis e dos grupos que a sustentam, foram rejeitados todos os 12 blocos da reforma estatutária que poderia dar início à modernização administrativa do clube.
Venceram os conselheiros da situação.
O São Paulo perdeu.
Participaram da votação 239 dos 255 conselheiros aptos.
Nenhuma das propostas alcançou a maioria simples necessária. Com isso, o texto sequer será submetido à Assembleia Geral dos associados.
Os nomes dos blocos derrotados ajudam a dimensionar o constrangimento.
“Integridade, Ouvidoria e Compliance” recebeu 122 votos contrários e 111 favoráveis.
“Transparência financeira e acompanhamento da gestão” foi rejeitado por 123 votos a 114.
“Responsabilidade de dirigentes e conselheiros” teve o mesmo placar.
“Transparência e prestação de contas” foi derrubado por 125 votos a 112.
O Conselho disse não ao controle, à fiscalização, à responsabilização e à transparência.
A proposta estabelecia, ainda, a separação entre a representação política do clube e sua administração profissional.
O presidente e o vice-presidente deixariam de integrar automaticamente o Conselho de Administração.
Na versão final do documento, o órgão passaria dos atuais nove integrantes para oito: três representantes do Conselho Deliberativo, um do Conselho Consultivo e quatro membros independentes.
Os candidatos independentes seriam selecionados inicialmente por uma empresa especializada na contratação de executivos e, posteriormente, escolhidos pelo Conselho Deliberativo em votação aberta.
Também lhes seriam exigidas reputação ilibada, experiência em organizações de porte semelhante ao São Paulo e ausência de vínculos com empresários ou intermediários de jogadores.
Na prática, a reforma retiraria do presidente o poder de indicar os próprios fiscais.
Talvez esteja aí uma das explicações para tamanha resistência.
O setor de compliance deixaria de responder à diretoria e passaria a ficar subordinado ao Conselho de Administração.
É inacreditável que exigências tão elementares ainda precisassem ser discutidas em 2026.
Mais grave é terem sido recusadas.
O contexto torna a rejeição ainda mais indecente.
O São Paulo atravessa uma crise que provocou a renúncia de Julio Casares e resultou em investigações policiais sobre movimentações financeiras, saques em dinheiro vivo e suspeitas de desvios.
Nesta mesma semana, a Comissão de Ética recomendou a expulsão do ex-presidente por considerar sua gestão irregular ou temerária.
Também nesta quinta-feira, a Justiça rejeitou uma tentativa de Casares de suspender a investigação que apura supostos desvios financeiros e lavagem de dinheiro.

